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A Força da Idade

Quando já somos velhos devemos tentar separar a pena de nos estarmos a ir embora da inveja de não sermos mais novos”, escreveu o psiquiatra José Gameiro

Diz-se que ser jovem é complicado, mas envelhecer também não é fácil. O jovem não olha para trás, avança tateando, experimenta, erra, por vezes sobranceiro e mordaz com os mais velhos. Quem já não é novo critica esses comportamentos como se nunca tivesse vivido o sonho de mudar valores estabelecidos. Sempre foi assim!

“Os jovens de hoje gostam do luxo. São mal comportados, desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos, se passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Não se levantam quando um adulto chega. Contradizem os pais, apresentam-se em sociedade com enfeites estranhos. Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes, cruzam as pernas e tiranizam os seus mestres. SÓCRATES (470-399 A.C.)

E assim nascem sentimentos de desilusão relativamente ao futuro da humanidade. “O nosso mundo atingiu um estado crítico. As crianças já não dão ouvidos aos seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.” (Sacerdote egípcio, ca. 2000 a.C.)

“Não tenho nenhuma esperança quanto ao futuro do nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem comedimento, simplesmente terrível.” Hesíodo (ca. 720 a.C.)

E assim surge a tal inveja de já não sermos jovens…

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“Esta juventude está podre no fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Nunca serão como a juventude de outros tempos. Os de hoje não serão capazes de manter a nossa cultura.” (Inscrição em cerâmica encontrada nas ruínas de Babilónia, ca. 2000 a.C.)

“O pai teme os seus filhos. O filho acha-se igual ao seu pai e não tem nem respeito nem consideração aos seus pais. O que ele quer é ser livre. O professor tem medo dos seus alunos. Os alunos cobrem o professor de insultos. Os mais novos querem tomar já o lugar dos mais velhos. Os mais velhos, para não parecerem antiquados ou despóticos, consentem nesta demissão. E, para coroar tudo, em nome da liberdade e da igualdade: a libertação dos sexos !” (Platão ; 428-348 a.C.; A República, livro VIII)

Afinal, tudo se resume à mudança dos tempos! A tal força inerente à juventude faz abanar a acomodação dos mais velhos, a fogosidade juvenil ajuda a destruir sociedades velhas: basta lembrar as revoltas estudantis que cresceram depois da guerra ou o abanão nos costumes trazido pelo Maio de 68 ou mesmo pelos hippies. E agora pela causa palestiniana.

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que o homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança (António Gedeão)

Numa palavra, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades (Luís de Camões)

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Joaquim Correia
Joaquim Correia
“É com prazer que passo a colaborar no jornal Regiões, até porque percebo que o conceito de “regiões” tem aqui um sentido abrangente e não meramente nacional, incluÍndo o resto do mundo. Será nessa perspectiva que tentarei contar algumas histórias.” Estudou em Portugal e Angola, onde também prestou Serviço Militar. Viveu 11 anos em Macau, ponto de partida para conhecer o Oriente. Licenciatura em Direito, tendo praticado advocacia Pós-Graduação em Ciências Documentais, tendo lecionado na Universidade de Macau. É autor de diversos trabalhos ligados à investigação, particularmente no campo musical

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