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Ameaça Artística: O Dilema entre Picasso e Warhol, e o Ácido que Paira sobre o Legado de Assange

No âmago de um cofre imponente repousam preciosidades artísticas, criações magníficas de mestres como Picasso, Rembrandt, Warhol, Jasper Johns, Jannis Kounellis, Robert Rauschenberg, Sarah Lucas, Santiago Sierra, e Jake Chapman. No entanto, paira sobre elas a sombra ameaçadora da aniquilação por ácido.

O provocador artista plástico russo Andrei Molodkin, conhecido por seus protestos ousados, lança um novo projeto em defesa do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Com o título intrigante de ‘Dead Man’s Switch’ (‘Troca de Homem Morto’, em tradução livre), Molodkin planeja desencadear a destruição, através de ácido corrosivo, de obras-primas cujo valor estimado ultrapassa os 45 milhões de dólares. Este ato extremo será desencadeado caso o ativista australiano venha a falecer na prisão.

Em uma entrevista à Sky News, Molodkin detalhou seu projeto, que consiste em um cofre maciço de 29 toneladas, abrigando 16 obras de arte. O valor artístico dessas peças é monumental, mas a substância corrosiva que preenche o cofre ameaça transformar essas criações em destroços irreparáveis. Um mecanismo engenhoso, com uma bomba pneumática ligando barris de ácido em pó e um acelerador, está pronto para desencadear uma reação química devastadora.

Molodkin, um dissidente russo, justifica sua ação, proclamando que, em uma era marcada por conflitos catastróficos, destruir arte tornou-se mais tabu do que tirar a vida de uma pessoa. Ele relaciona sua iniciativa ao declínio da liberdade de expressão e informação desde a prisão de Julian Assange.

O conteúdo do cofre permanece um mistério, com Molodkin se recusando a divulgar detalhes sobre as obras de arte, exceto que incluem suas próprias criações, assim como peças de renomados artistas como Picasso, Rembrandt, Warhol, e outros.

Molodkin ressalta a importância de documentação meticulosa e fotografia das obras antes da possível destruição, argumentando que apagar uma obra-prima é apagá-la da história, um ato irreversível.

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O cofre, atualmente no estúdio de Molodkin no sul da França, será fechado na sexta-feira e, posteriormente, transferido para um museu. Uma contagem regressiva de 24 horas, reiniciada diariamente, impede a liberação do ácido corrosivo. Para manter a catástrofe à distância, alguém próximo a Assange deve confirmar diariamente sua sobrevivência.

O projeto conta com o apoio da esposa de Assange, Stela, que questiona qual tabu é maior: destruir arte ou ceifar uma vida humana. Ela destaca que os verdadeiros alvos não são apenas Julian Assange, mas o direito do público à informação e a capacidade de responsabilizar o poder.

Enquanto Julian Assange aguarda o último recurso contra sua extradição para os Estados Unidos, seu destino permanece incerto, e a ameaça ao legado artístico permanece como um dilema urgente e angustiante.

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16.04.2024