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As nossas Velhas!

Juntaram-se ali uma meia dúzia de carros, que estava um veículo imobilizado, com uma senhora ao volante. Aquilo não havia forma de andar, e a condutora estava atrapalhada com as buzinadelas que lhe dirigiam. Dois fedelhos impacientes, com ar de imbecis, imediatamente atrás, mal lhes foi oportuno, lá fizeram um flic-flac em avançado e ultrapassaram o veículo parado. Não sem antes lançarem um mimo à senhora, quando por ela passaram “Vai pra casa, velha estúpida”. E aceleraram desbragados.

Ora, um pouquinho de história recente não fará muito mal, ainda que também pouco aproveite, provavelmente, a muitos! Quem são estas “velhas estúpidas”? São as velhas da geração dos avós destes lorpas. Mulheres que usaram mini-saias super curtas, calças justas e à boca-de-sino, botas altas, e muitas nem sutiã usavam!

As nossas Velhas!
DR

Ouviram Led Zeppelin, The Who, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joan Baez… Conduziram Mini Coopers e motos potentes. Fumaram ganzas, beberam, viveram o sexo de modo irreverente, rebolaram na lama, exultaram em festivais de música que duravam dias, dançado (quase) nuas na multidão, romperam com estereótipos seculares, enfim, viveram a intensidade de dias muito longos, porque não tinham internet, nem smartphones, nem redes sociais, nem se importavam muito com televisão. Conjugavam tudo isto no tempo “presente perfeito”, em todas as pessoas plurais e singulares. Chegavam a casa madrugada alta e iam trabalhar, poucas horas após, com a garra que naturalmente as enformava.

Saberão estes pascácios o que foi o “Woodstock”? Já terão ouvido tais azémolas falar de “Maio de 68”? Quais basbaques alguma vez elucubraram que estas velhas foram as precursoras da luta pela “Igualdade de Direitos Humanos”? Muita rasa de sal, que estes ignaros terão de comer, para se alcandorar a tais patamares. Quando se cruzarem com estas “velhas estúpidas”, reverenciem-nas, verguem o cangote, que, não fossem elas, ainda estariam as mulheres de hoje a cuidar dos filhos, em rebanho, sem direito a trabalhar fora de casa, e sem legitimidade a ter sequer um orgasmo numa relação de sexo. “Anos-luz”, saberão o que isto é? Pois bem: é a distância que delas vos separa, das nossas queridas velhas, cambada de patetas obtusos!

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João Reis
João Reis
Exerce a actividade de docência lectiva nas disciplinas de Português, Latim e Grego Clássico desde 13 de Outubro de 1987. Coordenador do projecto do Jornal de Escola de 1987 a 2010. Presidente da Cáritas Inter-Paroquial de Alcains desde 2013.

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