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Associação XXS quer “separação 0” entre pais e bebés prematuros através do Método de Canguru

A 15 de maio assinala-se o Dia Internacional de Sensibilização para o Método de Canguru, uma técnica que defende o contato pele a pele precoce, entre mãe e filho, 24 horas por dia, garantindo maiores estímulos sensoriais e motores. Em Portugal, os hospitais ainda não aplicam esta técnica logo no momento do nascimento, como é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e a separação zero ainda não é uma realidade em todos os hospitais do país. A maioria mantém a incubadora.

Associação XXS quer "separação 0" entre pais e bebés prematuros através do Método de Canguru
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Nos países onde já é praticado, o Método de Canguru mostra-se eficaz para salvar a vida de bebés prematuros de baixo peso, bem como melhora o seu desenvolvimento e bem-estar. Com o intuito de promover o Método Canguru como técnica essencial no cuidado com bebés prematuros com baixo peso à nascença e aumentar a sensibilização para este tema em Portugal, a XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro promove um seminário online, esta terça-feira, dia 16 de maio, às 14h30, através da plataforma ZOOM. A inscrição e acesso é feito no link ‘Launch of KMC Global Position Paper and Implemention Strategy’.

O evento é especialmente dedicado a decisores políticos e gestores de programas da saúde. Esta iniciativa, organizada pela OMS, pretende discutir estes recursos, bem como ouvir os principais especialistas da saúde dos recém-nascidos sobre os seus planos de apoio à implementação e à disseminação do Método de Canguru para todos os bebés prematuros ou de baixo peso à nascença.

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Segundo a Associação XXS, ainda no âmbito desta efeméride, a Organização Mundial de Saúde vai publicar dois importantes novos recursos programáticos e políticos sobre esta técnica – um documento de posição global e uma estratégia de implementação dirigida a decisores políticos e gestores de saúde.

São os resultados de estudos desenvolvidos em colaboração com um grupo de trabalho multinacional, composto por gestores de programas nacionais, agências bilaterais, organizações de doadores, associações profissionais, organizações não-governamentais, grupos de pais, parcerias especializadas, especialistas e cientistas internacionais.
Estas diretrizes recomendam o Método Canguru como o padrão essencial de cuidados – começando imediatamente após o nascimento e sem qualquer período inicial na incubadora – para todos os bebés prematuros (nascidos antes das 37 semanas de gravidez) ou com baixo peso à nascença (com menos de 2,5kg).

A XXS entende que “sendo a principal causa de morte de crianças com menos de 5 anos, a prematuridade é uma questão urgente de saúde pública. Todos os anos estima-se que nasçam 15 milhões de bebés prematuros, o que corresponde a mais de 1 em 10 de todos os nascimentos a nível mundial. Um número ainda mais elevado: mais de 20 milhões de bebés têm um baixo peso à nascença”.

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Mas o que é, na prática o Método de Canguru?

O Método de Canguru é um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro e a sua família, internado numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais. Consiste na colocação do bebé na posição vertical, sobre o peito do pai ou da mãe, em contacto pele com pele. São diversos os benefícios deste método, tanto para o bebé como para os seus pais.

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De acordo com o Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátricao da Ordem dos Enfermeiros, este método, favorece os vínculos mãe-bebé e pai-bebé, estimula o aleitamento materno, diminui o tempo de separação pais-bebé, favorece um maior desenvolvimento neuro-comportamental e psico-afetivo do recém-nascido de baixo peso, favorece a estimulação sensorial adequada do recém-nascido, reduz o stress e a dor do recém-nascido de baixo peso, promove a calma e o relaxamento das díades (mãe-bebé, pai-bebé), favorece um melhor controlo térmico do bebé, e possibilita maior competência e amplia a confiança dos pais no cuidado ao seu filho. 

Os enfermeiros da especialidade promovem o Método de Canguru nas Unidades de Neonatologia do país.

UNICEF defende Método Canguru

O Método de Canguru foi criado em 1978 pelo Dr. Edgar Rey Sanabria, no Instituto Materno-Infantil de Bogotá, na Colômbia. A sua criação surgiu da necessidade de uma solução imediata para a superlotação das unidades neonatais nas quais, muitas vezes, se encontravam dois ou mais recém-nascidos na mesma incubadora.

Com um efeito muito benéfico tanto para os bebés, reduziu a mortalidade infantil e melhorou o desenvolvimento dos bebés, como para os seus pais e, através da divulgação deste método promovida pela UNICEF, muitos países do mundo passaram a aplicar o Método de Canguru nas suas Unidades de Neonatologia.

Prematuridade em Portugal

Em Portugal, nascem por ano cerca de 8 mil bebés prematuros e 10% ficam internados, em média, 60 dias em Unidades de Cuidados Intensivos. 8 em cada 100 bebés nascem com menos de 37 semanas de gestação, e 1% dos recém-nascidos tem menos de 1.500 gramas. Os prematuros representam 1/3 da mortalidade infantil no nosso país. As crianças que nascem antes do tempo têm problemas específicos que exigem apoios especializados. O Método Canguru já é aplicado em diversas unidades neonatais, mas não é ainda uma prática generalizada nem consensual.

Sobre a Associação XXS

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A XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro é uma associação sem fins lucrativos fundada em 2008. Foi criada em Portugal por um grupo de pais que viveram a experiência da prematuridade na primeira pessoa e tem como missão ajudar os bebés prematuros e as suas famílias a ultrapassarem aqueles que podem ser os momentos mais difíceis das suas vidas. A Associação XXS coopera com a Sociedade Portuguesa de Neonatologia e com a Associação Portuguesa de Enfermagem Pediátrica e Neonatal. A XXS é membro de várias entidades internacionais neonatais.

 

 
 
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Manuela Teixeira
Manuela Teixeira
Jornalista Durante 35 anos com experiência em rádio, imprensa escrita e web jornalismo. trabalhou no jornal, Público, rádio TSF, Expresso, 24 Horas e Correio da Manhã, entre outros OCS. Como repórter foi correspondente à guerra na Bósnia, Kosovo e Timor. Só faz jornalismo com verdade, rigor e isenção. "Se não for assim, não é jornalismo!”

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