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Castelo Branco

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Castelo Branco

No passado dia 25 e 26 decorreu em Castelo Branco o Conselho de Ministros onde nada de
fundamental foi aprovado para Castelo Branco. Poucos dias depois vem a Ministra da Coesão e o Ministro das Infraestruturas, anunciar o IC 31.
Porque não o fizeram na semana anterior? Não sei, mas eles sabem com toda a certeza.
Em simultâneo aparecem publicações nas redes sociais a anunciar tal feito. Lembro me de
algumas apresentações idênticas nas últimas décadas… que seja desta. Os foguetes tem que ficar para o dia da inauguração.

Foto DR

Fico incrédulo com comentários como, “…obrigado Sr. Presidente”, “…parabéns, assim se
trabalha”, e outros semelhantes.

Pergunto a mim próprio, mas agradecer o que, parabéns porque, algo está errado!

O que se passa com a nossa cidade com o nosso concelho?

Vejo uma cidade triste, uma cidade parada no “tempo”, uma cidade sem vida, uma cidade à beira do abismo.

A interioridade tem o seu custo, cada vez mais acentuado e o poder central nada faz para
combater tamanha doença.

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De acordo com INE (2011 – 2021) a população residente em Castelo Branco, diminuiu 6,8%. Pelo contrario, a população estrangeira aumentou cerca de 50% em igual período de tempo. A população ativa no nosso concelho em 2011 correspondia a 63,5% do seu total em 2021 correspondia a 60,1%. Estamos a perder população ativa. (fonte INE).
As ruas estão desertas de Albicastrenses. Durante o dia ainda se vai vendo algum movimento provocado por reformados, trabalhadores com necessidade de deslocação e os jovens estudantes.

Durante a noite e falo das 20 ás 23horas, é uma cidade “morta”. As ruas estão desertas, tão desertas que caminhar pela cidade se sente um sentimento de insegurança.
É visível um aumento significativo de migrantes, por vezes lembro-me de Odemira, porque
será?

Castelo Branco sempre foi e continua a ser uma cidade dormitório das suas freguesias e
aldeias. Durante o fim de semana tornasse numa cidade fantasma.

A Capital de Distrito já não é tida como tal, só no papel e nas memórias dos mais idosos.
Os nossos jovens são obrigados a procurar noutras cidades com predominância no litoral,
alternativas à manifesta falta de emprego qualificado ou em desespero emigram para outros Países.

De acordo com os últimos dados do INE, a média salarial em 2019 era de 994€ (por exemplo em Vila Velha de Ródão 1.251€).
Os quadros superiores tinham uma média salarial de 1.772€. (Em Vila Velha de Ródão 2.552€).

Não pode acontecer. Como é possível a economia local crescer? Impossível.
Em 2021, a indústria transformadora de V.V. de Ródão empregava 58,4% da sua população
ativa, Castelo Branco 16,6% e a Covilhã 26,3%.

Foi notícia recente o investimento em Vila Velha de Ródão do grupo Socigene de 70 milhões e a criação imediata de mais 50 postos de trabalho.

Quais as novas empresas que se estabeleceram em Castelo Branco?

A “Mecalbi”, a “Schreiber Foods”, a “Introsys”, a “Aptiv”, a “Dinefer” entre outras já existiam.

Claro que estão a aumentar a sua capacidade de produção e como consequência o aumento de postos de trabalho.

Sejamos intelectualmente honestos; Castelo Branco, Capital de Distrito tem que conseguir
muito mais. O poder local tem que ser muito mais exigente junto do poder central.

Mas o atual problema é responsabilidade do atual elenco camarário? Claro que não, este
problema existe nas ultimas décadas, mas tem um denominador comum.

A autarquia Albicastrense é liderada pelo PS desde 1997.

Joaquim Morão liderou de 1997 a 2013, Luis Correia e José Alves de 2013 a 2021 e Leopoldo Rodrigues de 2021 até hoje.

Mais de 25 anos de liderança Socialista.

Infelizmente não podemos comentar a situação do nosso concelho e respetivas freguesias sem olhar para inexistente oposição, com realce para o PSD.

O poder político com oposição incluída já provou não ter conseguido colocar Castelo Branco no seu devido lugar não conseguiu desenvolver um concelho com tecido empresarial inovador e qualificado através da captação de novas empresas, que permitisse uma média salarial acima da nacional.

Não se aproveitou o que Cesar Vila Franca na década de 90 iniciou, o parque industrial, e
Joaquim Morão expandiu no início do seu mandato. Não se aproveitou a localização
estratégica no que diz respeito à rede viária, nomeadamente a A23.

A nossa unidade de saúde, manifesta dificuldades cada vez mais preocupantes. Faltam
profissionais, nomeadamente médicos de saúde familiar, médicos especialistas, e enfermeiros entre outros.

Mas serão só os políticos os únicos responsáveis? Claro que não.

E nós, sim todos nós a população em geral, não seremos também culpados? Claro que sim!

Também temos a nossa quota parte de responsabilidade.

Não podemos ficar dependentes do clientelismo, não podemos pactuar com o caciquismo não podemos ficar satisfeitos com toda esta inércia.

A letargia existente nos Albicastrenses, jovens e menos Jovens sobre os verdadeiros problemas da nossa cidades e freguesias só favorecem os que beneficiam de tal inoperacionalidade.

Os sinais de pobreza são por demais evidentes. Basta visitar instituições locais de solidariedade como a Caritas, Crus Vermelha Portuguesa, entre outras para facilmente vermos as centenas de pessoas que diariamente procuram alimentos e outros apoios para a sua sobrevivência. A pobreza envergonhada é evidente.

Qual o futuro da nossa cidade, e freguesias?

Qual o futuro dos nossos filhos e netos na nossa cidade?

Só não vê quem não quer.

Todos somos culpados, uns mais, outros muito, muito mais.

A minha opinião.

CENTRO HISTÓRICO DE CASTELO BRANCO
Foto DR
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Marco Antonio
Marco Antonio
Nascido a 27 de fevereiro de 1964 na Covilhã. Estudou em Castelo Branco, e iniciou sua carreira profissional na indústria farmacêutica em 1986.

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