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Cavaco Silva. “A mão por detrás dos arbustos”

A frase não é minha. “A mão por detrás dos arbustos”, é uma frase de José Sócrates sobre Cavaco Silva, com quem teve que coabitar entre 2005 e 2011. Um era primeiro-ministro, outro presidente da República. E, por estes dias, lembrei-me desta frase, tão atual como há vinte anos, tão demolidora como sempre. O que me espanta é a enorme importância que dão, sempre que Cavaco Silva abre a boca, para dizer o que sempre disse, naquele estilo cuspido como quem acha que foi o melhor político português que nunca enganou um cidadão. Um não enganou, enganou milhares, quando afirmou que o melhor banco nacional era o BES, pouco antes de rebentar a bomba do BES falido. Essa nunca esquecerei.

Cavaco Silva. "A mão por detrás dos arbustos"
DR

Mas, Cavaco ressuscita de vez em quando, apenas porque o PSD precisa. Não é porque o PS faz alguma asneira. Os socialistas nem precisam de ajuda para serem atacados. Eles próprios dão os motivos.

Cavaco falou este sábado porque, quem anda à deriva, é o PSD de Luís Montenegro. O antigo líder do PSD deve andar desesperado a ver o seu partido não saber aproveitar as confusões no Governo PS. Com muito menos ele, com uma fisga e uma pedrinha,  atirou Sócrates ao tapete, de onde ainda não se levantou.

Isto deve doer ao homem que nem queria ser político, mas acabou por descobrir um dom escondido na sua personalidade mesquinha.

Cavaco não perdoa aos seus vários sucessores, terem entregue o poder aos socialistas durante os últimos anos. Até o Passos Coelho o deixou ficar mal, quando tinha tudo para se manter no poder. E tanto trabalho lhe deu para o colocar lá. Cavaco tem razão. Os seus sucessores são uns falhados e desistem facilmente. Daí que, quem tem que vir a público salvar a cara do PSD, seja mesmo Cavaco, porque o líder espiritual do partido, Francisco Sá Carneiro, morreu há tantos anos que nem de exemplo já serve.

Cavaco está mesmo furioso, enraivecido, desgostoso, frustrado. E tem razão. Não é que com tanta trapalhada no Governo, nem o Marcelo Rebelo de Sousa consegue atirar o António Costa ao tapete. Com Cavaco em Belém, não havia cá tretas de estabilidade e boa convivência com o primeiro-ministro. Era o que faltava. Cavaco era um verdadeiro social-democrata que não comia gelados na praça pública só para falar com os jornalistas. Bastou-lhe aquele maldito bolo-rei.

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Cavaco só está contente com os que à sua época eram jornalistas, e que agora são comentadores políticos. Esses sim, portam-se bem e são gratos pelo que o cavaquismo fez por eles. Não pararam de falar no duro e arrasador discurso de Cavaco Silva este último sábado.

Nas televisões, sentiu-se um verdadeiro saudosismo das palavras cuspidas do senhor de Boliqueime. E todos ficam maravilhados com o único líder do PSD que sem saber sequer falar, dá dez a zero a todos.

Passos Coelho esteve lá perto. Luís Filipe Menezes ficou-se pelos dramas. Rui Rio foi combativo mas não gosta de jornalistas. E Luís Montenegro até deve chorar por não ser capaz de fazer oposição com um prato cheio de casos no Governo PS.
Já António Costa, dará Graças a Deus, por só haver uma espécie Cavaco. Até Marcelo Rebelo de Sousa fica a pensar porque raio anda sempre com a “estabilidade” na boca.

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Manuela Teixeira
Manuela Teixeira
Jornalista Durante 35 anos com experiência em rádio, imprensa escrita e web jornalismo. trabalhou no jornal, Público, rádio TSF, Expresso, 24 Horas e Correio da Manhã, entre outros OCS. Como repórter foi correspondente à guerra na Bósnia, Kosovo e Timor. Só faz jornalismo com verdade, rigor e isenção. "Se não for assim, não é jornalismo!”

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