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Cernache do Bonjardim honra o seu filho mais ilustre

D. Duarte Pio, duque de Bragança, esteve em Cernache do Bonjardim para comemorar, ao lado das gentes desta localidade da Sertã, o XIV aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria, o grande Santo Condestável, que foi beatificado a 23 de janeiro de 1918, pelo Papa Bento XV, que promulgando o decreto da sua beatificação “Clementíssimos Deos”, deu aprovação formal ao culto a beato Nuno de Santa Maria. Quase um século depois, em 2009, o Beato Nuno foi canonizado a 26 de abril, curiosamente pelo Papa Bento XVI, passando a São Nuno de Santa Maria, o Santo Condestável.

Cernache do Bonjardim honra o seu filho mais ilustre
DR

Um programa bastante variado de atividades, em que o sagrado e o profano se encontram em perfeita comunhão, esperava D. Duarte Pio que participou na habitual Romaria a São Nuno de Santa Maria, na eucaristia e no mercado com produtos locais, no âmbito das comemorações do XIV aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria, o mais ilustre filho de Cernache do Bonjardim.

Promovida conjuntamente pela Câmara Municipal da Sertã e pela União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, a romaria pretende perpetuar a memória e o legado de Nuno Álvares Pereira, nas diferentes vertentes da sua vida enquanto homem, guerreiro e santo. Natural de Cernache do Bonjardim, constitui exemplo ímpar de dedicação à Igreja e aos mais necessitados, nos seus últimos anos de vida, e de estratega, guerreiro e defensor de Portugal.

Carlos Miranda, presidente da Câmara Municipal da Sertã, destaca “a Romaria a São Nuno de Santa Maria como um momento importante na vida não só de Cernache do Bonjardim, mas de todo o concelho da Sertã, porque se festeja a canonização de um dos seus filhos pródigos”. Para o autarca, a “Romaria é uma marca que importa potenciar e alavancar, através do turismo religioso e de uma forte associação simbólica à figura de São Nuno de Santa Maria, enquanto metáfora e modelo de humanidade”.

Maria João Ribeiro, presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, que organiza esta romaria conjuntamente com a Câmara Municipal da Sertã, sublinha a “relevância deste evento por nos lembrar o homem que nasceu há 662 anos em Cernache do Bonjardim e que é um exemplo ímpar de dedicação aos outros, sobretudo aos mais pobres e necessitados, e defensor de causas nobres e leais”.

O auditório do edifício-sede da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais recebeu uma palestra sobre São Nuno de Santa Maria, com o historiador José Eduardo Franco e moderação a cargo do jornalista Rui Pedro Lopes.

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Na sessão, Dom Duarte Pio de Bragança falou sobre as razões que levaram a canonização do seu antepassado, realçando as suas preocupações humanistas com os soldados inimigos, a quem, inclusivamente, distribuiu terras para se manterem em Portugal e não regressarem a Espanha, onde forçosamente voltariam a incorporar as forças invasoras.

Um Guerreiro Santo

Nuno Álvares Pereira, também conhecido como o Santo Condestável, formalmente São Nuno de Santa Maria ou simplesmente Nun’ Álvares desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela.
D. Duarte Pio relembrou que o processo de canonização foi reaberto no dia 13 de Julho de 2003, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, devido à cura milagrosa, reconhecida pelo Vaticano, de Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe.

A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.

Todavia, como reviveu, a história deste processo já poderia ter conhecido o seu epílogo quando, em 1947, o papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, porém, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa.

D. Duarte Pio recordou o homem que conduziu este processo no Vaticano, o Cardeal José Saraiva Martins, que “depois de tanto tempo e tantos anos chegou ao seu termo a causa de canonização desta grande figura da hagiografia portuguesa”, frisando que “a canonização foi um dia histórico”.

A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganhou destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota; em honra a esta vitória, fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, e fez consagrar aquele templo a Nossa Senhora da Conceição. Destacou D. Duarte Pio que, no dia 30 de abril, participou no hastear da Bandeira Nacional, junto à Estátua de D. Nuno Álvares Pereira, acompanhado de arruada com a Sociedade Filarmónica Aurora Pedroguense.

As 11 horas D. Duarte esteve na Eucaristia Dominical de Ação de Graças a São Nuno de Santa Maria, na Igreja Matriz de Cernache do Bonjardim, seguida de cortejo até aos Paços do Bonjardim.

Preocupações ambientalistas

D. Duarte Pio aproveitou os dois dias da visita real para defender “a causa” da sustentabilidade da floresta, tendo visitado o Centro de Inovação e Competências da Floresta (SERQ), na Sertã, e o Centro de Ciência Viva da Floresta, em Proença-a-Nova.

Defensor intransigente das causas ambientalistas, D. Duarte argumentou, durante a apresentação da SERQ, realizada pela professora Sofia Knapic, que Gonçalo Ribeiro Telles antes de entrar para o governo (em 1976 com Mário Soares e entre 1981 e 1983 com Francisco Balsemão) explicava como deveria ser a política de desenvolvimento rural e política florestal. Na altura era uma utopia as posições “apadrinhadas” pelo arquitecto paisagista.

O candidato ao trono de Portugal, que defende a criação de zonas tampões na floresta, cortando as manchas contínuas de uma única espécie (eucalipto ou pinheiro), lembrou que “não se pode pedir aos proprietários, por norma gente sem recursos e idosa, que limpem as florestas quando não há compensação económica. Tem que haver uma gestão associativa da floresta com o Estado a ajudar nos custos de manutenção e atividades económicas rentáveis no Interior que atraiam populações”.

Ainda em relação aos incêndios, D. Duarte Pio salientou o papel dos bombeiros que, segundo ele, são gente “muitíssimo dedicada que põe em risco a vida e são indispensáveis”. No entanto, do ponto de vista do candidato ao trono de Portugal, há qualquer coisa de muito errado na estratégia de combate aos incêndios. Pois, “os nossos incendiários são considerados tontinhos e poucos são presos”, recordando que, “noutros países, estes são crimes tão graves como os assassinos”.

Visita Real do Senhor Dom Duarte de Bragança e Palestra em Proença-a-Nova

Por Luís Duque-Vieira

O Senhor Dom Duarte de Bragança esteve na Sertã, Cernache do Bonjardim e Proença-a-Nova, numa visita promovida pela Real Associação da Beira Interior em parceria com as autarquias locais.

As actividades iniciaram-se no dia 29 de Abril e decorreram de acordo com os programas previstos: visita ao SERQ (Sertã), palestra sobre Dom Nuno Álvares Pereira (Cernache do Bonjardim), visita à Igreja Matriz de Cernache do Bonjardim e recepção na Câmara Municipal da Sertã pelo Presidente Carlos Miranda e Vereadores. Prosseguiram no dia 30 de Abril com a deposição de uma coroa de flores junto à estátua de Dom Nuno Álvares Pereira, pelo Presidente da Câmara Municipal de Sertã, pela Presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais – Maria João Ribeiro e por Dom Duarte de Bragança (em Cernache do Bonjardim); com o cortejo pelas artérias da vila de Cernache do Bonjardim por parte da população, confrarias e associações; com a eucaristia na Igreja do Seminário de Cernache do Bonjardim; com a recepção na Câmara Municipal de Proença-a-Nova pelo Presidente João Lobo e pelo Vice-Presidente João Manso; com a palestra na Universidade Sénior de Proença-a-Nova e terminou com a visita ao Centro de Ciência Viva em Moitas (Proença-a-Nova).

Em Proença-a-Nova, na Universidade Sénior, D. Duarte assistiu à Palestra subordinada ao tema “De Proença-a-Nova ao Serviço do Rei e da Igreja”, sendo orador convidado o professor, investigador e historiador local António Manuel Silva. Na mesa estiveram o Senhor Dom Duarte de Bragança, o Presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, Eng. João Lobo, a Presidente da Real Associação da Beira Interior, Elisa Vasconcelos e Sousa, e o palestrante.

O orador, que vem estudando aspectos menos conhecidos da história local, nesta comunicação abordou uma temática praticamente desconhecida que é a do papel e desempenho que alguns missionários naturais do concelho de Proença a Nova e formados no “Real Collegio das Missões”, em Cernache do Bonjardim, tiveram entre 1855 e 1905, em África, no contexto da política da política de “ocupação efectiva” levada a cabo pelas potências europeias a partir da segunda metade do século XIX. Roma. Procurou mostrar como aqueles missionários estiveram, conscientemente, ao serviço da Religião e da Pátria, numa acção religiosa e política dando cumprimento aos direitos e deveres determinados pelo “Real Padroado”, evangelizando, catequizando e promovendo a língua, a cultura, a economia e os valores portugueses, no fundo, “civilizando” e solidificando a presença portuguesa naqueles territórios.

Antes de se referir especificamente a alguns missionários, o palestrante recordou a história do actual Seminário da Boa Nova que foi criado em 1791, por D. João VI, então Grão Prior do Crato, com a finalidade de formar clero secular para as paróquias do Priorado, encerrado pelos liberais em 1834, foi reaberto em 1855/56 para formar missionários que seriam enviados para as dioceses ultramarinas ao serviço dos respectivos bispos. Com novos objectivos, o seminário adquiriu ainda uma natureza nova pois a refundação colocava-o sob administração directa do Ministério da Marinha e na dependência do Orçamento do Estado.

De 1855 a 1905, o Seminário das Missões formou e enviou 236 missionários para o espaço ultramarino português. Desses, 25 eram naturais do concelho de Proença a Nova e foi nesses, que cujos nomes foram referidos, que se focou o palestrante abordando alguns traços biográficos e integrado a sua acção na política nacional e geopolítica internacional.

 

 

 

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