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Comunidade Ismaili quer acolher filhos do afegão que matou as duas mulheres

A comunidade Ismaili prega a paz e ajuda ao próximo, mesmo quando se trata dos três filhos menores do afegão que matou, à facada, as duas mulheres que trabalhavam no Centro Ismaili, em Lisboa. Várias famílias da comunidade já manifestaram vontade de acolher os três filhos de Abdul Bashir, já que a mãe das crianças já morreu.
Para já, não se sabe qual o destino dos três meninos. Para já, o tempo é de choque e oração para as duas mulheres mortas.

Mariana Jadaugy, 24 anos, e Farana Sadrudin, de 49, foram as duas vítimas mortais do ataque desta terça-feira no Centro Ismaili, em Lisboa. Uma era engenheira, outra assistente social. Ambas trabalhavam no apoio aos refugiados e imigrantes muçulmanos. Eram duas mulheres realizadas e tinham planos de vida.

Comunidade Ismaili quer acolher filhos do afegão que matou as duas mulheres
DR

Farana andava feliz a preparar a viagem à República Dominicana onde ia festejar os 50 anos, a 3 de abril. Mariana tinha acabado de arrendar uma casa e preparava com entusiasmo a mudança.
Planos definitivamente cortados pela faca de Abdul Bashir, de 29 anos, que atacou as vítimas.

Zahra Ali, amiga de Mariana e Farana, e que também integra a comunidade ismaili de Lisboa, lamenta a tragédia. “É uma tristeza! Estou em choque!!!
A comunidade Ismaili não se revê nestas aturdirdes.
Somos uma comunidade de paz, ajuda ao próximo e não de violência”.
Outro amigo muito próximo, Sarik Habib está devastado, mas não quer sentimentos de ódio com o atacante.

“Os meus pensamentos vão igualmente para o atacante, quem quer que ele seja: como qualquer outra pessoa, ele é um ser humano merecedor de justiça, que na nossa sociedade punitiva é invariavelmente entendido como castigo. Como abolicionista, não sinto neste momento qualquer ódio ou desejo de vingança mas uma tristeza pelo sofrimento e dor que terá levado esta pessoa a desempenhar este acto hediondo”.

Abdul Bashir e a família fugiram do regime Talibã no Afeganistão e ficaram num campo de refugiados na Grécia até serem destinados para Portugal, no âmbito de um programa da União Europeia. Mas, ainda na Grécia, a mulher de Abdul morreu.
O afegão veio para Portugal em 2022 com os três filhos menores, de 4, 7 e 9 anos, onde foi alojado num apartamento em Odivelas.

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Estava a ser apoiado pela Cruz Vermelha Portuguesa. Abdul começou a frequentar o Centro Ismaili de Lisboa que também ajudava à integração da família em Portugal. Abdul estava a aprender a falar português em aulas no Centro Ismaili, precisamente onde entrou esta terça-feira tresloucado e empunhando uma faca de grandes dimensões. Em minutos atacou o professor e as duas mulheres. Elas não resistiram aos ferimentos. O professor sofreu ferimentos.

Dado o alerta, a PSP chegou em poucos minutos mas Abdul resistiu, tendo que ser imobilizado com um tiro na anca.
Abdul Bashir está hospitalizado, não corre risco de vida e está detido sob custódia policial.
O crime está agora sob alçada da Policia Judiciária e Adbul será interrogado assim que estiver em condições clínicas favoráveis. Só então se esclarecerão as motivações deste brutal ataque no Centro Ismaili de Lisboa.

 

 

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Manuela Teixeira
Manuela Teixeira
Jornalista Durante 35 anos com experiência em rádio, imprensa escrita e web jornalismo. trabalhou no jornal, Público, rádio TSF, Expresso, 24 Horas e Correio da Manhã, entre outros OCS. Como repórter foi correspondente à guerra na Bósnia, Kosovo e Timor. Só faz jornalismo com verdade, rigor e isenção. "Se não for assim, não é jornalismo!”

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