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D. Batráquio, acto I

 

D.Batráquio Acto I

Foi mesmo uma boa ideia esta de comprar um piso inteiro no último andar, tem-se uma vista maravilhosa sobre a cidade grande, saio daquela piolheira, sempre toda a gente a pedir-me coisas, quando a minha preocupação é ter uma vida boa. O minhoto até ficou pasmado; tanto saco, tanta nota; nunca pensei ver um pato bravo assim; parecia que tinha visto Cristo na terra.

Ó homem, por agora não tenho mais, aceita isto? Eram 50 mil contos, sim! Ainda havia contos, em notas de todos os tamanhos,

o tipo ficou zonzo; como vou depositar isto tudo? Não tem problema, o padrinho fez o mesmo com os jaquinzinhos,

pois fez, mas não recebeu notas, recebeu andares, lojas e garagens. Estou tramado, dizia o minhoto.

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Bom deixa lá ver se me safam, vou ligar ao chefe dos bêbados. Olha lá, tenho aqui 50 mil contos para lavar como fazemos? tu és da informática deves saber.

O minhoto respondeu; bom tenho de tomar mais um copo e ver, mas parece-me que tenho solução; arranjamos um borra botas e depositamos mil contos na conta do minhoto de cada vez ….

É pá! Tás mesmo bêbado, mais do que é costume. É muita gente…..

Não. Tenho aí em vista uns tipos……

À tarde, D. Batráquio reúne-se coma trupe.

Tenho um ganda problema, preciso de pagar ao minhoto e tenho 50 mil contos em dinheiro, portanto tiver uma ideia: cada um de vós vai ao banco e deposita mil contos, mas é um por dia.

Ai eu vou, conte comigo, diz a tola da aldeia.

Eu também, diz o tonho das festas.

Conte comigo chefe, diz o pífaro. Afinal estava ao alto e precisava de reconhecimento do chefe, ele ainda não se tinha esquecido que era o lambedor de sola oficial do tinóni.

Bom, está a correr bem, mas só pode ir um por dia, senão dá muito nas vistas.

Ó tolinha da aldeia e toino das festas, ide pedir dinheiro aí aos comerciantes para metermos no saco, tirei este todo temos de o voltar a encher, mandai emails sempre das vossas contas assim ninguém nos liga, percebido? É anda para aí muita gente a dizer coisas á polícia, invenções..

Invenções é o que é, remata o chefe de todos o bêbados do sítio, eu por exemplo, estava a emborcar uns copázios e ouvi alguém dizer que a polícia vem aí por causa das viagens…..

Quais viagens? Diz D. Batráquio, aqui só se trabalha. Lá porque levo a sopeira lá de casa isso nada quer dizer, ela também não se mete em nada, nem pode é tonta e mal sabe escrever. Invejosos!

Sabe, também falam das comédias e começam a dizer que eu ando a fazer uma casa na minha terra, uma coisa grande.

As comédias são necessárias, afinal como entretemos estes codessos? Diz D. Batráquio exaltado e fora de si.

Só se for pelo movimento dos fornecedores de erva, à noite a coisa torna-me diabólica, diz a tola da aldeia, grande consumidora.

Diabólica? Onde está? Dou-lhe já uma pifarada e uma mangueirada que acaba-se tudo.

Rapazes e rapariga, diz D. Batráquio bem mais calmo e pousando as sapudas manápulas no seu perímetro abdominal que de tanto pronunciado tinha dificuldade em cruzar os dedos, fazei como eu disse (aqui já com os cheess, com ar imperial), depositai o dinheiro em notas, um a um, na conta do minhoto.

Pensando bem, aqui tão perto da cadeia, poupo trabalho a todos; à família que me virá ver, à tola que casou comigo porque fica logo em pânico parecendo uma galinha sem cabeça, aos amigos a todos; dá segurança. Reflectia D. Batráquio planeando já as férias do ano; com 5 passagens pelo Japão.

“roubo, mas faço”

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Jorge Azinheiro
Jorge Azinheiro
Profissional liberal com conhecimentos profundo (mais de 30 anos de experiência) em marketing e vendas, nas áreas do grande consumo e grande distribuição, TI, APP’s, microelectrónica. Membro do movimento associativo com diversas participações em associações de estudantes, de jovens e recreativas culturais.

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