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Durante um ano vamos celebrar talento de Aquilino Ribeiro

O país está a mobilizar-se para assinalar os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro, que melhor que ninguém retratou todos os ambientes, contextos e personagens da sua querida Beira natal. Um “conjunto alargado de eventos” e a reedição de três títulos fundamentais da obra do escritor sernancelhense vão evocar, ao longo de um ano, os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro (1885-1963).

Durante um ano vamos celebrar talento de Aquilino Ribeiro
DR

Iniciativas à volta da gastronomia e das paisagens presentes na literatura de Aquilino Ribeiro, reedição de obras, um congresso e uma jornada internacional marcam o programa evocativo dos 60 anos da morte do escritor, que tinha uma linguagem caracterizada, fundamentalmente, por uma excecional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de regionalismos.

Aquilino, como dizem os responsáveis pelas comemorações, que se iniciam este mês e vão durar um ano, foi sobretudo um estilista e, por isso, a sua linguagem vernácula é arejada, frequentemente condimentada nos diálogos com expressões entre grotescas e satíricas.

No dia 27 de maio completam-se 60 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro e, para recordar esta efeméride, os municípios de Moimenta da Beira, Paredes de Coura, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva, em conjunto com a Fundação Aquilino Ribeiro, prepararam um programa nacional de eventos.

O objetivo desta iniciativa, que se estenderá até maio de 2024, é “homenagear o escritor e promover os territórios que são parte essencial da sua geografia de vida”, indicou a organização, recordando que, apesar de ter optado por uma literatura de tradição, Aquilino procurou ao longo da sua vida uma renovação contínua de temas e processos, tornando-se assim muito difícil sistematizar a temática da sua vastíssima obra.

As celebrações começam no dia do aniversário da morte do escritor, no Santuário da Lapa, em Sernancelhe, com uma visita à Fundação Aquilino Ribeiro, uma “feira aquiliniana” e a apresentação do número 5 da Revista Aquilino.

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Estão agendadas mais de duas dezenas de iniciativas culturais, que envolvem ainda a família do escritor, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Lisboa (através do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, do Centro de Estudos Geográficos, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, o Panteão Nacional e a Bertrand Editora.

Ainda este mês, inaugura-se a requalificação da Casa Grande de Romarigães, que serviu de cenário a uma das mais emblemáticas obras do autor, em Paredes de Coura.

Em junho, a Feira do Livro de Lisboa será palco de uma iniciativa da Bertrand em torno de “Aquilino e os clássicos” e as traduções que fez de obras de Xenofonte e Cervantes.

Em Vila Nova de Paiva, o dia 17 abre com a apresentação da reedição da obra “Volfrâmio”, com prefácio de Augusto Santos Silva e José Lello, seguida de uma “merenda aquiliniana” nas Minas de Volfrâmio do Rebentão (Queiriga) e de um concerto.

No dia 8 de julho, a Fundação Aquilino Ribeiro, em Moimenta da Beira, abre as portas para um “jantar aquiliniano” e apresentação dos livros “À mesa com Aquilino” e “Corações com alma”.

No final do mês haverá conversas com Ricardo Araújo Pereira e Vítor Paulo Pereira, em Paredes de Coura.

Fins de semana gastronómicos

O mês de setembro chega com uma conversa à volta da “paisagem da Casa Grande de Romarigães”, protagonizada pelos geógrafos Álvaro Domingues e Aquilino Machado (neto de Aquilino Ribeiro), em Paredes de Coura, e com a apresentação da reedição de “A via sinuosa”, com prefácio de João Soares, seguida de um concerto da Orquestra Cem Notas, novamente na fundação, em Moimenta da Beira.

Na freguesia, onde o escritor passou parte da sua infância, vão decorrer a longo de todo o mês de outubro “fins de semana gastronómicos dedicados a Aquilino Ribeiro”, numa iniciativa denominada “Moimenta com sabor”.

A 23 de outubro, decorre no Estoril a primeira jornada de turismo literário, intitulada “O turismo literário nas paisagens de Aquilino”, organizada pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

Em novembro está prevista decorrer a jornada internacional “Aquilino Ribeiro – nos 60 anos da morte do escritor (1962 – 2023)”, para revisitar a vida e obra do autor.
Este encontro terá lugar no dia 09, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, numa organização do departamento de Literatura e Cultura Portuguesas e do Centro de Estudos Geográficos.

Nos dias 17 e 18, decorrerá então um Congresso Aquiliano, organizado pela Universidade de Aveiro, no Auditório Municipal de Sernancelhe, com a presença de vários docentes universitários, do reitor daquela instituição e do jornalista Henrique Monteiro.

“Um roteiro Aquiliniano”

A fechar o ano, a loja do Grande Oriente Lusitano, em Lisboa, promove uma sessão evocativa da obra e do pensamento social, político e ético do escritor, ao passo que, em Vila Nova de Paiva, será apresentado o livro de banda desenhada “A lenda do juiz de Barrelas” – inspirada numa célebre sentença eternizada por Aquilino Ribeiro no livro

“Geografia sentimental” – da autoria de Maria Inês, com ilustração de José Peixoto.
A programação retoma em março de 2024, em Vila Nova de Paiva e terminará em maio, no Panteão Nacional, em Lisboa.

Aquilino Gomes Ribeiro nasceu em 1885, na freguesia de Carregal, Sernancelhe, mas foi em Soutosa, concelho de Moimenta da Beira, que passou parte da sua infância. Em 1906 fixou-se em Lisboa, dedicando-se à defesa da República através de textos conspiratórios.

Do conjunto da sua obra, fazem parte títulos o livro de memórias “Cinco réis de gente”, o livro infantojuvenil “Romance da raposa”, e romances como “Terras do demo”, “Volfrâmio”, “A casa grande de Romarigães” e “Quando os lobos uivam”.

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24.05.2024