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Ex-fuzileiros assumem ter batido no agente Fábio Silva, que morreu dias depois

Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, os dois ex-fuzileiros suspeitos de matar o agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), Fábio Guerra, começaram a ser julgados esta terça-feira no Campus da Justiça de Lisboa. Os dois arguidos arriscam a pena máxima pelo assassinato do agente de autoridade, à pancada, em março do ano passado, à porta da discoteca Mome, em Lisboa.

Pela primeira vez, os pais de Fábio Guerra foram obrigados a olhar para os dois suspeitos da morte do filho, e na sala de audiência choraram ao ouvir os depoimentos de Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko.

Os dois arguidos adotaram uma postura ingénua nos confrontos que ocorreram à porta da discoteca entre os arguidos e um cliente, no qual um grupo de polícias em noite de folga entenderam intervir, entre os quais o agente Fábio Guerra, de 26 anos.

Ex-fuzileiros assumem ter batido no agente Fábio Silva, que morreu dias depois
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O primeiro a depor foi Vadym Hrynko, de 23 anos, que praticamente assumiu ter dado um soco a um rapaz, que depois se soube ser o agente Fábio Guerra.

“Estavam a dar socos ao Coimbra. Eu tentei defendê-lo. Dei um soco num rapaz que tinha dado um soco ao Cláudio”.

“O Coimbra não conseguiu defender-se. Nem o boxe o ajudou.”, referiu Vadym.

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“Não sei, não vi se ele se defendeu”, disse ainda o arguido que garante não ter ouvido dizer que eram agentes da PSP.

“Não ouvi nada”, afirma Vadym que só se lembra de dar um soco para defender o Cláudio.

“Tentei afastar com um pontapé”, referiu ainda o arguido sobre o momento em que Fábio Guerra já estava no chão.

“O pontapé só tinha intenção de afastar as pessoas que tinham uma postura agressiva”, acrescentou.

Um momento doloroso para os pais de Fábio que choram durante o depoimento do ex-fuzileiro que foi ouvido sem o outro arguido estar na sala.

O coletivo de juízes decidiu ouvir os suspeitos separadamente. Com algumas contradições, Cláudio Coimbra acabou por ir ao encontro do depoimento de Vadym, admitindo que foi este quem terá atacado Fábio.

Mas, há ainda outro suspeito, Clóvis Abreu, que quando soube da morte do agente, fugiu e está em parte incerta.

Aníbal Pinto, o advogado de Clóvis, assegurou à entrada do Campus de Justiça, que o seu cliente está disponível para se apresentar e colaborar com a Justiça, quando for chamado pelo Ministério Público. O problema é que as autoridades judiciais não sabem onde notificar Clóvis Abreu, que terá fugido para Espanha.

A resposta de Aníbal Pinto a esta situação não adiantou nada sobre o paradeiro do terceiro suspeito. “Ainda não se apresentou porque não foi chamado”, afirmou. “Não faço a mínima ideia se está em Portugal ou não, mas, se soubesse, também não dizia”, acrescentou.

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Segundo a acusação do Ministério Público, “por motivos desconhecidos”, o fuzileiro Cláudio Coimbra, descrito pela procuradora Felismina Carvalho Franco como um “campeão de boxe”, desentendeu-se com Cláudio P., um cliente da discoteca, que foi agredido “com empurrões e cabeçadas”. Quando a vítima tentou reagir, Vadym Hrynko, também fuzileiro, e amigo de Cláudio Coimbra, “interveio” e “desferiu-lhe um soco no rosto”, que terá tombado Fábio Guerra inconsciente.

Fábio Guerra não resistiu aos graves ferimentos e morreu no Hospital de S. José, em Lisboa.

A investigação da Polícia Judiciária identificou os três agressores mas só o fuzileiros foram detidos.

A família do agente da PSP não se conforma com o desaparecimento de Clóvis Abreu.

Os pais do polícia morto receberam do Estado uma indemnização de cerca de 175 mil euros e, em julgamento, pedem 500 mil euros de indemnização.

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