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Patrão da Impala passa fim de semana na cadeia

Jacques Rodrigues vai ficar detido até segunda-feira, altura em que vai conhecer a medida de coação a que ficará sujeito. O mesmo irá acontecer com todos os detidos. Esta sexta-feira foram ouvidos três dos quatro arguidos presos, faltando só ouvir o revisor de contas.

Fim de semana na prisão: Patrão da Impala conhece medidas de coação na 2º feira
DR

Jacques Rodrigues, dono do grupo Impala, foi detido quinta-feira pela Polícia Judiciária por suspeita de fraude, no âmbito de inquérito titulado pelo DIAP de Sintra, visando a execução de trinta e dois mandados de busca, designadamente, oito buscas domiciliárias e vinte e quatro buscas não domiciliárias”.

Além de Jacques Rodrigues foram também detidos o filho do empresário, um advogado e um revisor oficial de contas que, na manhã de sexta-feira, foram conduzidos ao tribunal de Sintra por volta das 11:00, mas o interrogatório só começou às 17:00. O primeiro a ser ouvido foi Jacques Rodrigues.

Em causa, estão suspeitas dos crimes de corrupção passiva, ativa, insolvência dolosa agravada, burla e falsificação de documentos. À saída do tribunal, o advogado de defesa revelou que os arguidos vão continuar detidos nas instalações da Polícia Judiciária.

100 milhões de euros de burlas

O proprietário de títulos como as revistas Nova Gente, Maria ou TV 7 Dias, de 83 anos, é suspeito de burla qualificada, corrupção e insolvência dolosa de sociedades onde acumulou uma fraude na ordem dos 100 milhões de euros, o que terá prejudicado vários credores do grupo, muitos deles trabalhadores das revistas. Só aos funcionários, e de acordo com a revista Visão, o grupo terá dívidas de 38 milhões de euros.

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Fim de semana na prisão: Patrão da Impala conhece medidas de coação na 2º feira
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A Polícia Judiciária acrescenta, em comunicado, que “durante a ação policial, que se desenvolveu em Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras, Amadora, Santo Tirso, Porto, Matosinhos e Funchal, procedeu-se ainda ao cumprimento de quatro mandados de detenção fora de flagrante delito e à constituição de dez arguidos”.

A operação, designada Última Edição, foi levada a cabo com o objetivo de recolher provas relacionadas “com suspeitas de atividades criminosas fortemente indiciadoras da prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, insolvência dolosa agravada, burla qualificada e falsificação ou contrafação de documentos”.

Em causa está, segundo a PJ, “uma investigação criminal cujo objeto visa um plano criminoso traçado para, entre o mais, ocultar a dissipação de património, através da adulteração de elementos contabilísticos de diversas empresas, em claro prejuízo de diversos credores, v.g., os trabalhadores, fornecedores e o Estado, estando reconhecidos créditos num valor total de cerca de 100.000.000,00€ (cem milhões de euros). Acresce a forte indiciação do desvio de valores com origem nas estruturas societárias, para fora do território

Natural de Pombal e atualmente com 82 anos de idade (faz 83 no dia 2 de abril), Jacques Conceição Rodrigues é um dos mais antigos patrões dos media do país e também aquele sobre o qual menos se sabe. Dono das revistas “cor-de-rosa”, não concede entrevistas e são raríssimas as vezes em que urge em eventos públicos. À margem dos profissionais do meio, poucos devem conhecer a ‘fama’ Jacques Rodrigues. Nos últimos anos foi notícia pelos processos e ações judiciais em que esteve envolvido.

Fim de semana na prisão: Patrão da Impala conhece medidas de coação na 2º feira
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Os primeiros passos nos media foram dados na década de 70, em Angola, país para o qual emigrou depois de ter estudado até à quarta classe na Casa Pia e de ter começado uma carreira como tipógrafo em Lisboa. Começou por editar revistas eróticas e de cowboys, encerradas se não obtivessem sucesso imediato, conforme refere um artigo do Expresso de 1992.

Tudo começou em 1976

A caminhada do grupo Impala começou a ser desenhada através da revista Nova Gente, cuja data de registo na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) é de agosto de 1976. Foi a 22 de setembro daquele ano que a primeira edição da revista chegou às bancas. Seguiram-se outros títulos como a Maria (1978) ou a TV 7 Dias (1987), todos líderes de circulação. Para se ter uma ideia, a Maria chegou a vender cerca de 300 mil exemplares por semana e tanto a Nova Gente como a TV7 Dias andaram nos 100 mil.

Em 1999 foi lançada a newsmagazine Focus, com um perfil distinto, era a entrada no segmento da grande informação. A revista durou 13 anos. Jacques Rodrigues terá ainda tentado lançar revistas no Brasil e a Maria em Espanha, mas sem sucesso.

No início dos anos 90, o grupo Impala parecia um caso de sucesso, Jacques Rodrigues foi inclusive um dos fundadores da SIC, detendo uma percentagem minoritária no canal.

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A crise começou a bater à porta em 2008, também motivada pela quebra do investimento publicitário e com problemas com a Electroliber, distribuidora com a qual trabalhava e que tentou comprar. Não conseguindo, retirou-lhe o negócio, o que acabou por decretar o encerramento da distribuidora, com a massa insolvente a processar a empresa de Jacques Rodrigues. A Impala ficou então obrigada a pagar cerca de 20 milhões de euros, revela a investigação da Sábado.

A DescobrirPress, do grupo Impala, esteve envolvida em vários Planos de Revitalização Especial (PER), nomeadamente com do seu maior credor individual, a Electroliber, distribuidora que reclamava em 2015 perto de 20 milhões, segundo noticiou o Expresso. No segundo PER o mesmo valor era reclamado por outra empresa, a Sogapal, e no terceiro PER, em 2020, era a Impala Multimédia a credora, empresa esta que era do mesmo dono que a DescobrirPress, ou seja, Jacques Rodrigues, conta a Sábado. Em outubro de 2022, a agência Lusa, através de uma notícia também partilhada no ECO, deu a conhecer a insolvência da Descobrirpress.

Todas estas operações, prossegue o título da Cofina, passaram pelo revisor oficial de contas (ROC) destas empresas, José Rito, o mesmo que fez o EVEF (Estudo da Viabilidade Económico-Financeira) e empolou a viabilidade do Galaxy City, um parque temático a ser implementado num amplo terreno no concelho de Vila Nova da Barquinha (Santarém), num investimento superior a 100 milhões de euros que seria feito recorrendo a empréstimos bancários. O projeto nunca foi para a frente.

Para além do envolvimento nestes negócios pouco mais se falava sobre Jacques Rodrigues, além do seu suposto temperamento explosivo, nomeadamente para com os funcionários.

Dono de minigolfe

Ao universo Impala revistas, livros e uma loja online com diversos artigos diferentes disponíveis. O grupo é ainda detentor, em Albufeira, de um parque de minigolfe e do hotel Ondamar – propriedade da Actitur, outra empresa de Jacques Rodrigues e cujo site se encontra “em atualização”.

Segundo o Portal da Transparência da ERC, atualmente Jacques Rodrigues é detentor direto de dez publicações: Nova Gente, Maria, TV 7 Dias, A Próxima Viagem, Soluções Casa, VIP Interiores – ideias e tendências, VIP Gourmet, VIP Anuário de Decoração, VIP Beleza, VIP.

Jacques Rodrigues, adiantou a ERC, detém ainda duas participações nas empresas Impala Capital SGPS Lda (10%) – que detém a Impala.Com, SA e a WorldImpalaNet, Lda. – e na Impalagest SGPS SA (99%). A Worldimpala.Net, Lda. detém as publicações periódicas online Impala News Portal de Notícias, Auto Mundo e Para Eles.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social não confirma se as publicações estão todas realmente a ser editadas ou não.

Das relações de Jacques Rodrigues com quatro mulheres resultaram nove filhos, o mais novo ainda menor de idade e o mais velho, entretanto falecido, teria hoje mais de 60 anos. A sua primeira companheira, e a única com quem se casou (1959-1981), foi coordenadora da revista Segredos de Cozinha. As outras companheiras também desempenharam papéis dentro do grupo.

Jacques Rodrigues é assim uma figura de que pouco se sabe, além das “cambalhotas” financeiras e de gestão entre grupos, estando agora sob suspeitas “fortemente indiciadoras da prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, insolvência dolosa agravada, burla qualificada e falsificação ou contrafação de documentos”, segundo a PJ.

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19.04.2024