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Finalmente, decidido: Alcochete vai receber o novo aeroporto de Lisboa

Após um processo tumultuoso, que se arrasta há vários anos, o Governo já decidiu: a localização do novo aeroporto será no Campo de Tiro de Alcochete e terá o nome de ‘Aeroporto Luís de Camões’. Apesar de antes de ser eleito ter anunciado que iria criar um grupo de estudo para analisar qual a melhor opção para a localização do novo aeroporto, o agora primeiro-ministro, Luís Montenegro, acabou por seguir as recomendações da Comissão Técnica Independente (CTI), que considerou Alcochete, a par de Vendas Novas, como a solução “mais favorável em termos globais”, sendo que Vendas Novas apresenta, segundo a entidade, menos “vantagem em termos de proximidade à Área Metropolitana de Lisboa, bem como de tempo de implementação e a necessidade de se ter de realizar expropriações”.

Luís Montenegro anunciou o novo aeroporto de Lisboa, um plano de obras no Humberto Delgado, a terceira travessia do Tejo e o TGV a Madrid. Luís Montenegro, confirmando aquilo que já sabia: o novo aeroporto será em Alcochete, a Portela sofrerá obras de requalificação e mandatará a para Infraestruturas de Portugal para construir a terceira travessia do Tejo e o TGV, entre Chelas e Barreiro, projecto já com 16 anos de idade que foi abandonado por Passos Coelho, durante a ‘troika’.

Uma solução única: o Campo Tiro de Alcochete será o novo aeroporto internacional de Lisboa, com o Humberto Delgado a ser alvo de um aumento de capacidade, para que possa servir a procura até a nova infraestrutura arrancar. O Executivo de Luís Montenegro aprovou esta terça-feira três resoluções de Conselho de Ministros, instrumentos essenciais para que a nova solução aeroportuária de Lisboa avance e simultaneamente se construam novas acessibilidades rodo-ferroviárias, a Terceira Travessia do Tejo (TTT) e a Alta Velocidade Lisboa-Madrid – que é uma nova linha que ligará as duas capitais ibéricas em três horas.

O novo aeroporto localizado no Campo de Tiro de Alcochete vai chamar-se Luís de Camões e, apesar de ficar no Campo de Tiro de Alcochete, a área proposta para o novo aeroporto fica localizada nos concelhos de Benavente e Montijo.

“O Governo assume o aeroporto único como a solução mais adequada aos interesses estratégicos do país”, afirma Luís Montenegro, argumentando que esta solução acautela a “margem de expansão física” do novo aeroporto, terá capacidade para receber até o triplo do da procura da Portugal, assegura que o HUB português pode continuar a crescer e ainda fomenta a capacidade intermodal da rede transportes.

Além disso, favorece a requalificação do Arco Ribeirinho-Sul e será feita em “terrenos públicos e que assegura a sustentabilidade ambiental”.

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Para o primeiro-ministro, era essencial este ano de trabalho entre o momento em que o próprio Montenegro, líder da oposição na altura, e o antigo primeiro-ministro, António Costa, acordaram a metodologia para escolher a localização do novo aeroporto.

“Disse nessa ocasião, como é justo dizer que também fez o Dr. António Costa, que um ano de trabalho não significava atrasar mais um ano uma decisão que se aguardava há já 50 anos. Este ano de avaliação era imprescindível para desbloquear o processo”, defende Montenegro.

O actual primeiro-ministro engloba a decisão sobre o aeroporto em toda uma visão de desenvolvimento do país. “Com mais crescimento e mais investimento económico podemos ter em Portugal um ambiente para pagar melhores salários e melhores pensões”, acredita Montenegro, que também associa a retenção de talento e de jovens a este anúncio.

“O Governo assume o aeroporto único como a solução mais adequada aos interesses do país”, continua o primeiro-ministro, justificando que é Alcochete que possibilita uma expansão física do

aeroporto, o que permitirá dar resposta à procura caso cresça até três vezes mais do que a actual. Também permitirá, acredita o Governo, a manutenção do hub da TAP em Portugal.

Quatro justificações para escolher Alcochete

Não requer expropriações, tem declaração de impacte ambiental, exige menos tempo de deslocação para Lisboa e permite descentralizar o tráfego do centro da capital. Estas são as quatro razões que levaram o Governo a escolher o Campo de Tiro de Alcochete.

De resto, e de acordo com o documento apresentado pelo Executivo, Vendas Novas seria a outra hipótese a ganhar força, mas a necessidade de expropriações foi um dos factores a pesar na decisão do Governo. É que, ao contrário da opção Alcochete, construir o aeroporto no concelho alentejano requeria a realização de expropriações, o que representava um “ónus adicional”, como refere o documento do Governo.

Em paralelo, Alcochete já recebeu previamente uma declaração de impacte ambiental. A mesma está atualmente inválida, mas o Governo crê que pode ser renovada caso a hipótese avance mesmo.

Houve ainda duas outras razões para esta escolha: a maior proximidade ao centro de Lisboa e a proximidade às principais ligações rodoviárias e ferroviárias, também elas próximas da capital. No primeiro ponto, e segundo o Governo, Alcochete exige menos custos e menos tempo de deslocação em relação a Vendas Novas.

Já no segundo, o campo de tiro vai permitir descentralizar o tráfego do centro da capital, embora esteja suficientemente perto.

PS apoia decisão

O secretário-geral do PS, e ex-ministro das Infraestruturas, reagiu de imediato à decisão do novo Governo a defendeu o seu próprio passado. “Nunca tivemos dúvidas de que Alcochete era a melhor localização para o novo aeroporto”, afirma Pedro Nuno Santos, lembrando a decisão que o próprio tomou quando era ministro (e que foi desautorizada por António Costa).

“Há dois anos, quando tomei essa decisão, ela não foi irrefletida, o país já levava 50 anos a estudar localizações. Havia na minha opinião condições para decidir de forma ponderada a localização Alcochete”, defende o agora líder do PS.

Pedro Nuno Santos saúda ainda o anúncio dos estudos para a criação da terceira ponte sobre o Tejo. “Mesmo que não houvesse aeroporto em Alcochete, a terceira ligação do Tejo era muito importante para ligar o norte ao sul do país”, diz o socialista, lembrando ainda a ligação entre Lisboa e Madrid. “Saudamos a decisão e queremos dar nota do apoio inequívoco do PS” a essa outra infraestrutura de grande dimensão.

“Temos de avançar sem demoras”, continua, reconhecendo que o processo levará tempo a ter sair do papel.

Ventura contra Governo e Pedro Nuno Santos

Já de André Ventura chegaram as primeiras criticas a este anuncio do Governo, por ‘incapacidade’ de dizer quanto tempo vão demorar as obras, e a Pedro Nuno Santos por se ter congratulado com a decisão do Governo.

“Boa parte do país questiona-se porquê esta decisão”, afirma Ventura, que discorda que a decisão tenha por base apenas o relatório da Comissão Técnica Independente.

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