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Governo contraria BCE e mantém apoios às famílias

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garantiu ontem que o governo vai continuar a ajudar as pessoas, nomeadamente as mais vulneráveis, apesar do apelo da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, para os governos retirarem os apoios às empresas e famílias, face à “subida mais rápida dos salários” na área do euro nos últimos meses, que tem sido “suportada por uma robustez do mercado de trabalho”.

O Governo quer diminuir de 16 para 10% a pobreza em Portugal até 2030 e deverá anunciar em breve medidas para atenuar os efeitos da inflação na alimentação, anunciou esta sexta-feira a coordenadora da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, Sandra Araújo.

Governo contraria BCE e mantém apoios às famílias
EPA

“Nós queremos reduzir a pobreza para 10% até 2030. Isto é uma meta ambiciosíssima “, disse Sandra Araújo, no Porto, à margem da Cimeira das Pessoas da Rede Europeia Anti-Pobreza.
Na mesma cimeira, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, confirmou que “aquilo que temos feito e continuaremos sempre a fazer é procurar em cada momento responder à situação das pessoas, nomeadamente focando-nos nas pessoas que estão em situação de maior vulnerabilidade”.

Do ponto de vista da governante, o Governo procura sempre mobilizar, a par das medidas excecionais, medidas de investimento estrutural naqueles que são os grandes desafios. “É isso que temos feito e que vamos continuar sempre a fazer”, vincou a ministra.

Já a coordenadora da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza foi mais clara e, depois de revelar que a pobreza afeta atualmente mais de 16% da população, salientou: “Estou no trabalho de combate à pobreza há 30 anos e não me lembro de termos nunca assumido uma meta tão ambiciosa”.

Reduzir trabalhadores pobres

Sandra Araújo apontou ainda a ambição de reduzir para metade o número de trabalhadores pobres em Portugal e a pobreza infantil, compromissos políticos já assumidos.

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A Estratégia Nacional contra a Pobreza (ENCP) 2021-2030 não sofreu alterações devido à inflação atual e ao aumento dos preços dos bens alimentares, contou, realçando que, para responder a questões sociais emergentes, o Governo decidiu tomar algumas medidas.

Governo contraria BCE e mantém apoios às famílias
DR

Desta forma, depois de ter tomado medidas na área da habitação, o Governo prepara-se agora para anunciar “muito em breve” medidas de apoio na questão alimentar, nomeadamente na associada aos custos dos bens alimentares. “O governo irá anunciar muito em breve novas medidas de apoio nessa área [alimentar], assim como já anunciou medidas em concreto para a área da habitação, apoiando também as famílias que estão em situação de maior vulnerabilidade social”, revelou Sandra Araújo.

Segundo Sandra Araújo, a atual Estratégia Nacional contra a Pobreza é diferente de todas as outras porque tem um eixo decisivo que é o apelo à participação e ao compromisso coletivo.

“Esta é a grande mensagem: Um problema desta natureza e com caráter tão complexo, tão estrutural e tão multidimensional não pode ser só abordado pela vertente das políticas sociais, todas as políticas públicas têm de ser convocadas para este objetivo e toda a sociedade tem de ser convocada”, afirmou.


BCE quer reduzir apoios

As declarações da ministra Mendes Godinho e da coordenadora Sandra Araújo vem contrariar os apelos da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, que defende a necessidade de começar a haver uma redução dos apoios à economia, lembrando que “as políticas orçamentais podem exacerbar as pressões inflacionistas” e isso “exigir uma maior reação do BCE”, em relação à política monetária adotada.

A retirada de apoios às empresas e famílias é defendida pela presidente do BCE face à “subida mais rápida dos salários” na área do euro nos últimos meses, que tem sido “suportada por uma robustez do mercado de trabalho”.

No seguimento da subida de 50 pontos base das taxas diretoras do Banco Central Europeu anunciada esta quinta-feira, Christine Lagarde destaca ainda que a economia do euro “está mais resiliente do que era expectável” e que “deverá recuperar nos próximos trimestres”.

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