Quinta-feira,Abril 18, 2024
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Harmonias!

Estava quedo num semáforo. De supetão, toda a terra buliu. Fechei os olhos e entreguei o espírito às mãos de Deus. Fiquei a aguardar o tsunami, de olhos cerrados, mas o som foi-se alonginquando. Aterrado, descerrei as pálpebras e percebi que afinal aquilo era um carro tuning; o som era brutal. Fui atrás dele, apanhei-o noutro semáforo e curti bué, com eles, aquela desbunda.

Estava quedo num semáforo
DR

Dois jovens, nos bancos da frente, abanavam a cabeça adiante e atrás, ao ritmo do estardalhaço, semelhando uma felação – vulgo ‘bico’ – o Botto e o Bocage falam em “broche”, mas parece-me um pouco javardo! Delirante, dei por mim a fazer outro tanto. É a loucura total: ele é na praia, com pequenas grandes colunas, a cada 5 metros, num som do outro mundo; ele é em qualquer rua e qualquer esquina; ele é nas esplanadas dos café; ele é… Aquilo abarrota-me de gáudio, acredito que todos degustem quejanda sensação: semelha centenas de martelos pneumáticos a esventrar um túnel; qual largada contínua, por horas, numa prova de MotoGP! Fantasio assim o Paraíso, com Querubins e Serafins harmoniosamente a dar música por 600 decibéis aos Numes esvoaçantes!

Sabeis que vos tenho por pináculos, amigos fundos! Só vos queria ter por perto, caríssimos, para fruírem de tal orquestração.

Ah!, a amizade tem destas querenças, de quais ternuras!!!

 

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João Reis
João Reis
Exerce a actividade de docência lectiva nas disciplinas de Português, Latim e Grego Clássico desde 13 de Outubro de 1987. Coordenador do projecto do Jornal de Escola de 1987 a 2010. Presidente da Cáritas Inter-Paroquial de Alcains desde 2013.

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