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Infraestruturas de Portugal (IP) e Turistrela anunciam investimentos vultuosos para a serra da Estrela

A Infraestruturas de Portugal (IP) vai investir nos próximos dois anos 510 mil euros em três veículos para o Centro de Limpeza de Neve da Serra da Estrela, informou esta segunda-feira o diretor do Centro e Norte, Francisco Miranda, durante uma sessão da Assembleia Municipal da Covilhã, para debater as acessibilidades à serra da Estrela. Também presente na reunião, o administrador da Turistrela, Artur Costa Pais, anunciou hoje ter um consórcio interessado em investir 70 milhões de euros na instalação de um teleférico de acesso à Torre, na serra da Estrela.

O responsável do Centro Operacional Centro e Norte da Infraestruturas de Portugal anunciou, durante a Assembleia Municipal da Covilhã, sessão em que participou para debater as acessibilidades à serra da Estrela, que para 2025 está prevista a aquisição de dois limpa-neves e para 2026 de uma retroescavadora.

Segundo Francisco Miranda, atualmente as duas instalações, nos Piornos e no Sabugueiro, onde está a ser desenvolvido “um ótimo trabalho”, dispõem, além de 18 colaboradores, de nove limpa-neves, três rotativas, uma máquina giratória, uma retro-escavadora e quatro viaturas de apoio.

O responsável disse sentir na opinião pública incompreensão sobre o trabalho feito na serra da Estrela e sobre os pareceres técnicos dados à GNR a propósito do encerramento de estradas, mas acrescentou que a prioridade é a segurança das pessoas e salientou a “ausência de mortos” e o reduzido número de feridos” registados.

“Da segurança, nós não abdicamos”, vincou o diretor do Centro e Norte da Infraestruturas de Portugal. Francisco Miranda alertou para as especificidades da Estrada Nacional 339, ao contrário de outras montanhas, que sobe até ao topo não apenas para lazer.

O responsável aludiu à proximidade da serra da Estrela ao mar, a menos de cem quilómetros em linha reta, e à inexistência de “qualquer barreira que salvaguarde dos ventos húmidos e ciclónicos do oceano”.

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Francisco Miranda mencionou também a neve com um grau de densidade elevado, que dificulta a sua remoção e gela facilmente, os ventos frequentes na ordem dos cem quilómetros por hora, a acumulação significativa de neve e o vento e temperaturas baixas, que levam a que, logo após a passagem dos carros de limpeza, a neve seja arrastada novamente para a estrada e crie de imediato uma película de gelo na via.

O diretor da Infraestruturas de Portugal, organismo que gere as estradas de Portugal, referiu ainda que “a maioria dos condutores não tem correntes de neve ou não as sabe utilizar”, além da frequente falta de visibilidade na serra, devido ao nevoeiro, das mudanças bruscas do tempo, que não permitem deixar os carros subirem ao planalto superior sem a garantia de que depois as conseguem tirar de lá em segurança.

Francisco Miranda fez uma comparação com montanhas no estrangeiro onde existem estâncias de esqui, para concluir que as condições na serra da Estrela são singulares. “Não encontrei uma realidade idêntica lá fora”, afirmou o responsável.

Turistrela anuncia investimentos de 70 milhões

Já o administrador da Turistrela, Artur Costa Pais, anunciou, também na assembleia Municipal da Covilhã, ter um consórcio interessado em investir 70 milhões de euros na instalação de um teleférico de acesso à Torre, na serra da Estrela.

O responsável pela empresa concessionária do turismo na serra da Estrela informou ter apresentado há um mês ao presidente do município o Projeto de Mobilidade e desafiou as várias entidades a ajudarem a concretizar a intenção manifestada ao longo dos anos.

Segundo Artur Costa Pais, a ideia está “bem trabalhada”, mas adiantou que não vai dar “passos mais ambiciosos”, porque a elaboração de um projeto de arquitetura desta natureza pode ultrapassar um milhão de euros e considerou que “não deve ser liderado por uma única entidade”.

O projeto contempla dois acessos à Torre, a partir da Nave de Santo António, no concelho da Covilhã, e da Lagoa Comprida, em Seia, dois traçados por via aérea que vão “resolver o problema das acessibilidades à Torre”.

Artur Costa Pais frisou que as pessoas interessadas em investir são pessoas “com provas dadas” e “grande experiência”, que já têm o que afirmou ser o maior teleférico da Península Ibérica, em Santander, Espanha, com uma extensão de cinco quilómetros.

“Temos soluções financeiras, o que é muito importante”, realçou o empresário, que sublinhou não se tratar de um projeto da Turistrela, mas da serra da Estrela, e uma solução para “resolver o grande problema da serra da Estrela”.

O administrador da Turistrela salientou que a maioria dos visitantes vai embora descontente, porque não tem estacionamento ou acesso à Torre e acrescentou que “não há destino” se quem se deslocar à montanha “não for bem tratado”.

Artur Costa Pais apelou para que se crie uma Comissão de Acompanhamento, com os municípios da Covilhã e Seia, dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, e considerou que “com este projeto se resolve o problema ambiental e o problema da credibilidade dos acessos à Torre”.

“Juntem-se todos. Nós não queremos liderar nada. Eu quero é que se faça. Os grandes projetos na serra estão por acontecer”, enfatizou Artur Costa Pais.

Empenho da Câmara da Guarda

O presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, respondeu existir empenho para que o projeto vingue, embora tenha reforçado que “é preciso diversificar, dar-lhe mais rigor a todos os níveis”.

Em resposta a críticas do empresário, que apontou o dedo ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), por não lhe aprovar projetos, a diretora regional, Fátima Reis, respondeu que o organismo não aprova ideias, sem projetos ou anteprojetos, e adiantou ter sido mostrada formalmente “concordância em termos conceptuais”, mas acrescentou que o projeto precisa “ser amadurecido” e mencionar, nomeadamente, “onde são as estruturas de apoio”.

“O ICNF deixa aprovar, desde que sejam projetos credíveis e com alguma preocupação em termos ambientais””, referiu Fátima Reis.

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