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Marcelo quer travar “lavar de roupa suja” entre Galamba e Frederico Pinheiro

Marcelo Rebelo de Sousa diz que caso Galamba é “muito sensível” e, por isso, defende que caso do ministro das Infraestruturas deve ser tratado “discretamente” e não na praça pública como está a acontecer. Nas entrelinhas, o Presidente da República deixa um recado a António Costa, dando a entender que está na altura de remodelar o Governo.

Marcelo Rebelo e Galamba
DR

Apesar de nunca falar da dissolução da Assembleia da República e, consequente, queda do Governo, o Presidente da República vai deixando “recados” que apontam para a necessidade de remodelação governamental.

Agastado com o “lavar de roupa suja” entre o ministro Galamba e o ex-assessor Frederico Pinheiro, Marcelo Rebelo de Sousa já veio a terreiro salientar que a troca de acusações entre o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o seu antigo adjunto, Frederico Pinheiro, é um tema que “não pode ser tratado na praça pública”, classificando-o como uma matéria sensível de Estado.

Este “zangar de comadres” de João Galamba e Frederico Pinheiro por causa da TAP é, na opinião de Marcello, uma situação que deveria ter ficado «entre as paredes» do edifício do Governo, por serem “temas particularmente sensíveis” e, por isso, considera que “o seu tratamento não é na praça pública, não é sob os holofotes da comunicação social”.

“Matérias muito sensíveis de Estado são tratados muito discretamente”, acrescentou, e “tratando-se de matéria sensível de relevância nacional não tenho mais nada a acrescentar”.

São assuntos que “vão ser tratados até ao momento em que se vê que foram tratados (…) as coisas sucedem, vão sucedendo, e depois verifica-se que sucederam”, resumiu o chefe de Estado, que comparou o tratamento do caso Galamba a outras situações de relevância nacional.

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“Estes casos normalmente são discretos. Matérias muito sensíveis de Estado são discretas, são tratadas discretamente. Noutros tempos, quando havia desvalorizações ou revalorizações do escudo, era discreto. Os antecedentes de decisões como as respeitantes ao estado de emergência ou à renovação, eram discretas. Questões que dizem respeito a dossiers importantes económicos e políticos as intervenções são discretas”, elencou.

Marcelo deixou ainda um recado ao primeiro-ministro, António Costa, ao dizer que “sem boa economia é difícil haver boa política. Mas haver alguma boa economia pode não ser suficiente para haver boa política”.

Segundo o Presidente da República, quanto à conversa com primeiro-ministro, não lhe cabe “estar a dizer dia tal, horas tais, nestas circunstâncias”.

No sábado, na Ovibeja, o Presidente da República escusou-se a comentar todo o caso da exoneração de Frederico Pinheiro, adjunto do ministro das Infraestruturas, João Galamba, alegando que a primeira pessoa com quem iria falar quando tivesse a informação completa sobre o caso seria com o primeiro-ministro.

Remodelação já

O conselheiro de Estado António Lobo Xavier, que considera que nenhuma pessoa sensata imagina este Governo a governar 4 anos, interpreta estas afirmações de Marcelo como um convite a António Costa a proceder a remodelações no seu Governo.

Marques Mendes, também conselheiro de Estado, Marques Mendes, dizia no domingo na SIC que “o Presidente não deve lançar a bomba atómica” da dissolução do Parlamento e apontava o caminho da remodelação como uma saída para este imbróglio.

Mesmo dentro do PS são várias a vozes que se pronunciam a favor de uma remodelação do Governo. Sérgio Sousa Pinto, em declarações à CNN, não foi meigo para o Governo: “Não se pode ativar os serviços de informação porque uma chefe de gabinete telefona a alguém dos serviços de informação. Isto é gravíssimo e tem de ser esclarecido. Denota uma degradação institucional do país. Que falta de discernimento e de sentido de equilíbrio” levou a isto? – perguntou na CNN.

A também ex-ministra socialista Alexandra Leitão disse, na CNN no domingo, que “é preciso dar explicações neste caso”, apesar de considerar que “não há aqui ainda uma justificação para dissolução”. A solução passa por, talvez, “mudar procedimentos internos, pode ser remodelar, pode ser mudar a orgânica interna do governo, que é uma prerrogativa do primeiro-ministro.”

Disse ainda que uma remodelação, porém, “só vale a pena se for para mudar perfis, fazer um reinício”, avançou, lembrando que “apesar dos ótimos resultados económicos”, o Executivo ainda “não recuperou dos primeiros meses”.

Roubo de computador

Toda esta trapalhada é fruto da demissão de Frederico Pinheiro que acusou o ministro Galamba de estar a esconder informação sobre o caso TAP, desmentindo que tenha roubado um computador com informações sensíveis. Recorde-se que o ministro das Infraestruturas afirmou que reportou ao secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro e à ministra da Justiça o roubo do computador pelo adjunto exonerado, tendo-lhe sido dito que deveria comunicar ao SIS e à PJ.

Na conferência de imprensa em que João Galamba procurou esclarecer a polémica que surgiu na sexta-feira com o seu adjunto exonerado, Fernando Pinheiro, o ministro revelou: “Não estava no ministério quando aconteceu a agressão à minha chefe de gabinete e à minha adjunta. Liguei imediatamente ao senhor primeiro-ministro, que não atendeu. Liguei ao secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro a quem reportei este facto. Julgo que estava ao lado do secretário de Estado, também junto do primeiro-ministro, da Modernização Administrativa”.

Segundo o ministro, aquilo que lhe foi transmitido neste telefonema foi que “devia falar com a ministra da Justiça”, o que garante ter feito. “Reportei o facto e disseram-me que o meu gabinete devia comunicar estes factos àquelas duas autoridades, coisa que fizemos”, explicou, referindo-se ao SIS e à Polícia Judiciária.

Nas palavras de João Galamba, depois de agredir duas pessoas do seu gabinete, Frederico Pinheiro “levou um computador” que era propriedade do Estado.

Ao falar aos jornalistas, Marcelo recusou responder sobre a chamada do SIS – que Galamba confirmou, envolvendo o gabinete do primeiro-ministro e da ministra da Justiça. Mas também sobre o próprio ministro das Infraestruturas, que quando foi nomeado Marcelo disse ser uma escolha que responsabilizaria António Costa.

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Alfredo Miranda
Alfredo Miranda
Jornalista desde 1978, privilegiando ao longo da sua vida o jornalismo de investigação. Tendo Colaborado em diferentes órgãos de Comunicação Social portugueses e também no jornal cabo-verdiano Voz Di Povo.

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