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Marco Paulo não merecia uma gente destas

No dia em que escrevo estas linhas, o cantor Marco Paulo, 78 anos, está já em casa a recuperar das drenagens de líquido do pulmão direito, onde, no último verão, lhe foi diagnosticado um tumor. De novo submetido a internamento hospitalar, o «rei» da canção nacional sentia-se muito cansado e tinha dificuldades em respirar.

Tanto assim foi que não conseguiu marcar presença no programa que mantém na antena da SIC aos sábados de manhã, “Alô Marco Paulo”, coadjuvado pela apresentadora Ana Marques. Marco Paulo ainda terá tosse e, à data de hoje (domingo, 26 de março), desconhece quando é que poderá voltar a dar espetáculos e a apresentar o seu espaço televisivo (emitido a partir da sua casa, nos arredores de Sintra) no canal de Paço de Arcos.

Marco Paulo não merecia uma gente destas
DR

Recentemente, o ícone luso da canção romântica confessou-se “magoado”, “triste” e “chateado” com os ataques sistemáticos de que tem sido alvo, por parte de telespetadores e críticos nas redes sociais, desde o início do seu programa na SIC. Também há pouco tempo, revelou estar “enojado” com insinuações sobre a sua intimidade, nomeadamente a relação com o afilhado. “Fico magoado e triste por alguns portugueses achincalharem os outros. Um dia, quando eu partir, ou deitam foguetes ou choram. A Internet tornou as pessoas mais agressivas”, declarou o artista à TV Guia.

Marco Paulo, com quem me cruzei algumas vezes nas voltas da TV (entrevistei-o na sua casa), é a grande voz nacional. Depois de Amália, nenhum outro cantor português vendeu tanto e entusiasmou tanto Portugal. Os portugueses (as portuguesas, sobretudo) gostam genuinamente dele. Homem simples e afável, com pouca escolaridade e escassas referências culturais, dedicado ao público, agradecido à legião de fãs, mantendo com Deus e Nossa Senhora de Fátima uma relação de fé inquebrantável. Alguém que tem um dom. Que dedicou a vida a cumpri-lo e, ao cumprir esse desígnio divino, a alegrar e a confortar as Pessoas. Com Amor. Paixão. Sedução. Romance. “Maravilhoso Coração”.

Sejamos diretos: as elites portuguesas odeiam Marco Paulo. Num país pobre e rural, as nossas elites derretem-se pela cultura de salão, pelos grandes nomes das artes plásticas, pelo teatro de autor, pelos cantores de protesto, pelos intelectuais do sistema. As nossas elites não conseguem (porque fogem desse conhecimento) compreender o povo. A sua essência. Os gostos. As limitações. A genuinidade. O que é organizar uma festa de aldeia. O esforço que é necessário para se contratar e receber um artista popular como Marco Paulo. A alegria da música ligeira, das mensagens simples e positivas para as pessoas simples e humildes; a diversão, o convívio fraternal patrocinado pelo tinto e pela imperial, pela bifana e pela sardinha assada. Para as elites, Marco Paulo será o «rei das sopeiras».

Depois, surgiram também, com as redes sociais, uns energúmenos que, sem vida profissional ou pessoal com que se tenham de ocupar, resolveram odiar e destratar os nossos, sobretudos os nossos maiores, caso de Marco Paulo. Movidos pela inveja costumeira, pela ignorância de quem não pensa e pela arrogância própria de quem é medíocre e acha que é sabichão e (ainda) sonha ser bem sucedido, passam as noites a teclar ódio, a destilar preconceitos, a “postar” intrigas, a fomentar inimizades e guerras.

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O resto são balelas: Marco Paulo é um enorme cantor romântico (intérprete afinadíssimo, esforçado, sensível), com um timbre, força e amplitude vocais do outro mundo. Em qualquer país. Está num patamar onde figuram estrelas mundiais da canção ligeira como, entre outros, o anglo-indiano Engelbert Humperdinck ou o galês Tom Jones.
Marco é nosso. O problema é esse. Não merecia uma gente destas.

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Nuno Trinta Sa
Nuno Trinta Sa
Escreve artigos sobre diversas temáticas para o jornal ORegiões.

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