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Mário Centeno exigente com investimento público

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, defende a importância do investimento público para o crescimento do país e considerou que existe maior exigência sobre a sua alocação, insistindo que é preciso acelerar mais na execução dos fundos, mas pediu cautela para não se cometerem alguns erros graves do passado.

Mário Centeno exigente com investimento público
DR

“O ciclo de investimento em Portugal é muito importante para definir a qualidade e a velocidade do crescimento” no país, disse Mário Centeno durante um painel de debate que partilhou com o governador do Banco de Espanha, Pablo Hernández de Cós, e o vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Ricardo Mourinho Félix, na conferência “investir e financiar a resiliência e a renovação na Europa”.

O governador do Banco de Portugal (BdP) realçou que os períodos de crescimento em Portugal estão associados ao investimento e às exportações.

Ao longo da sessão, o responsável do supervisor bancário português argumentou que o país necessita de investimento público, mas salientou que se tornou mais “exigente”.
“Por exemplo, em Portugal acabámos por pagar um crescimento que não nos interessa”, defendeu. “Temos estádios vazios. Tornámo-nos muito mais seletivos, muito mais exigentes com o conceito de investimento”, disse o governador do Banco de Portugal.

Para Mário Centeno, esta exigência é necessária: “é isso que somos agora e acho que é bom, é um desenvolvimento muito bom”, sublinhando que “2023 e os anos seguintes são críticos. São críticos porque precisamos de voltar a crescer”.

Não repetir erros

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Do ponto de vista de Mário Centeno, parte dos atrasos excessivos no arranque de muitos investimentos públicos é explicada pelo maior “cuidado” e pela maior “exigência” que hoje existe na aplicação do financiamento dos projetos face ao que acontecia no passado, insistindo que é preciso acelerar mais na execução dos fundos, mas pediu cautela para não se cometerem alguns erros graves do passado.

“Precisamos de perceber que, por exemplo, em Portugal, acabámos por pagar estradas onde nunca vamos andar, e isso foi investimento público, temos estádios de futebol que estão vazios, e isso é investimento público”, referiu o governador do banco central durante a mesa redonda da “conferência sobre investimento e financiamento da resiliência e renovação da Europa”.

“Portanto, isso tornou-nos muito mais seletivos, muito mais exigentes, relativamente ao que deve ser o investimento público”, continuou Centeno.

E o que hoje temos é que “precisamos de planear com muito cuidado, implementar, executar o investimento público e é por isso demora tanto, já sem contar com comissões parlamentares, e que pode ter um pequeno custo em termos de tempo”, admitiu o governador.

Mas o ex-ministro das Finanças insiste que “sermos exigentes com o investimento, como somos atualmente, é um desenvolvimento muito bom”.

Além disso, “precisamos de usar os fundos europeus, olhando cuidadosamente para o horizonte de implementação destes fundos. Era muito óbvio, desde o começo, que isto iria acontecer”.

Centeno sublinhou ainda aquilo que para si representa o esforço de unidade e solidariedade europeia que no seu entender está na base da atual geração de fundos europeus.

“Isto é ainda mais importante para a Europa como um todo porque estes fundos representam a primeira vez que a Europa emitiu um ativo comum, supranacional, um ativo seguro, em euros, para financiar a recuperação das economias. Mas isto representa muito mais que o dinheiro que está dedicado a estes fundos. Tem um significado muito importante para a resiliência da zona euro, sobretudo nestes tempos difíceis, porque temos uma guerra na Europa, porque há países da zona euro que são vizinhos da Ucrânia e que estão a enfrentar de perto este cenário guerra”, discorreu o governador.

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