Domingo,Maio 26, 2024
19.8 C
Castelo Branco

- Publicidade -

O “Inginheiro Parte I”

O Jacinto de Água é uma planta aquática da família Pontederiaceae. espécie invasora na península ibérica. Nas regiões onde a planta é invasora não existem organismos que se alimentem desta espécie, levando ao seu desenvolvimento exponencial.

FOTO DO INGINHEIRO
Arte Leonardo Nascimento

O parágrafo anterior será esclarecedor para todos no final.

Nascido em terra de homiziados pelos alvores da década de sessenta, o Inginheiro, sempre foi imaginativo, manipulador e sempre adorou estar com quem lhe pudesse trazer benefícios directos, aprendeu desde tenra idade a ser um verdadeiro feijão frade, de resto a única agricultura que praticou ou é conhecedor. Quando ainda andava de cueiros, conheceu a fórmula de enganar este e aquele e sair sempre bem. Afinal numa terra que não tinha senhor, cada um tentava safar-se da melhor forma, sobretudo, enganando os das vizinhanças ou usando a morfologia e obtendo o sustento pelo contrabando ou pelas actividades venatórias ilegais. Havia sempre um guarda que precisava de sustento capaz em casa, havia sempre um guarda-rios a fechar os olhos a um dinamite no rio, havia sempre alguém a fazer desaparecer uns pinheiros pela calada.

Na terra de socialistas contudo começava a produzir boys, ora neste instituto, outra neste departamento, a concretização da descentralização tinha destas coisas. Terra onde todos se conhecem e onde os favores são para a vida uma vez concedidos, começava a emergir um conjunto de jovens, que mercê de aprendizagens várias, se juntavam embora com interesses antagónicos no geral convergiam num único ponto; a sede poder e de ser alguém.

O Inginheiro, tendo uma relação complicada com a escola e com as letras de uma forma geral, ocupava o tempo nas rádio para onde todos convergiam. Pirata do início, fazia com que a juventude tivesse algo para onde convergir, onde direccionar as energias, mas ao mesmo tempo proporcionava contactos importantes com gente de outros mundos.

Era uma Amizade

- Publicidade -

Como se pretendia tinham um mentor, bem mais velho, responsável por na grande cidade próxima incentivar os jovens a participarem no movimento associativo, também de cepa fina e almejando sempre mais, afinal como se verá depois tinha uns herdos a que era preciso pôr de pé e o curto salário de professor na época não dava. Entretanto o nosso jovem, perde-se de amores, não correspondidos mas que o fazem ver que terá de ter um outro mundo; mostrar à amada que é capaz.

A radio que se queria forte e muito capaz recebe a visita de um grande senhor de Lisboa que por ali aparece e diz que com ele será uma realidade, passar de uma rádio pirata e uma coisa legal e com tudo em dia. Dia de festa, dia de arromba, contudo teve um percalço; terra vizinha morava alguém com o mesmo desejo mas que tinha o poder de transmitir a um colateral do poderoso que ia decidir a importância do projecto apresentado. Revés anunciado, revés concretizado.

Ei-lo a caminha de ser um conhecedor das coisas plantadas, matricula-se. Seis depois fica tudo adiado, entra para o banco; primeiro como caixa, depois como comercial e de seguida como leitor de escrituras.

O amor tinha-se acabado e na terra havia uma moçoila, com a mesma tendência para as letras que ele, de larga família com posses, forjada no que a terra dava e nas noites de salto, mas que não era propriamente senhora do estatuto procurado pelo jovem. À falta de alternativa ficou-se por ali e fizeram ninho abençoado, embora com um percalço indesejável a qualquer um mas que tem sido superado a muito custo.

E o tal curso engenharia? Pois, por lá ficou com duas ou três cadeiras feitas durante um semestre.

Os interesses eram outros, primeiro a associação de estudantes, que não resultou, depois o partido, do punho obviamente e de seguida o almejado toque ao poder; torna-se amigo do senhor da terra, o feitor emergente, o autarca modelo, originário da sua aldeia imediatamente forjam uma aliança como só os excluídos e marginalizados são capaz de fazer.

Quando o senhor se muda buscando horizontes maiores e mais risonhos, ele consegue um lugarzinho de deputado; remunerado a senhas de presença, mas é um princípio.

É forjado o pacto!

- Publicidade -
Jorge Azinheiro
Jorge Azinheiro
Profissional liberal com conhecimentos profundo (mais de 30 anos de experiência) em marketing e vendas, nas áreas do grande consumo e grande distribuição, TI, APP’s, microelectrónica. Membro do movimento associativo com diversas participações em associações de estudantes, de jovens e recreativas culturais.

Destaques

- Publicidade -

Artigos do autor