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O “Inginheiro parte II”

O casalinho proveniente das berças do Ribeiro do Reca, onde o pai do inginheiro fiscalizava, quer dizer, fazia vista grossa aos pescadores recebendo uma compensação para arredondar o magro salário público e a mãe dividia-se entre a janela de casa e cuidar da prole, tinha-se mudado para a grande cidade onde o moçoilo tinha encontrado forma escorreita de progredir no Banco; primeiro andando de terra em terra a prover as necessidades locais, depois convencendo-os a fazerem créditos, e foram muitos os da sua terra que o fizeram, diz-se até de forma enviesada, viu-se finalmente como grande leitor de escrituras; substituindo o gerente e mais prosaicamente e comumente o sub-gerente na tarefa enfadonha de tudo ler, até as letras pequeninas.

o inginheiro parte II
Arte Leonardo Nascimento

A moçoila, pouco dada ás letras, fossem quais fossem, abriu um estaminé de produtos, ajudada pela família, que começaram por ser de merceeira vária e depois, quando ouviu tanto falar em biológicos, mudou o stock para esta área. Contudo os clientes continuavam surdos ás inovações e por uma razão que ninguém percebia, não aderiam a estas modernidades.

Dividia-se entre passar os dias na lojeca, criar a prole, sempre em crescimento, o inginheiro não lhe dava tréguas e a esperar pelos fins de tarde pelo seu mais que tudo.

Entretanto, ás noites, o inginheiro tinha descoberto nova vocação; explorar todos os conhecimentos que ia fazendo, adotando um sotaque de ches, desconhecido na região dão-lhe uma mescla de tonto e chico esperto, com um sorriso sempre pronto e muito untoso; facetas que irá explorar no futuro e que lhe trarão grossos e abundantes dividendos, sempre aberto e disponível, rematava sempre; vamos tratar dicho ( o sotaque obrigava a prática continuada).

A amizade com o feitor crescia a olhos vistos, adubada até por problemas familiares, pois infelizmente o casal teve o infortúnio a bater-lhe à porta, mas até na solidariedade não foram esquecidas as origens e esposa do feitor muito ajudou a cimentar a ligação.

Farto de andarem sempre a pedir-lhe coisas no concelho vizinho, Sócrates convence-o a mudar-se. Precisa de gente. Um dos escolhidos é o nosso inginheiro.

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Há!

É preciso não esquecer que o curso, de engenharia agrária primeiro, depois de outra licenciatura em gestão e depois de uma outra de direito, só teve inscrições, frequências ZERO.

Contudo nas apresentações o moçoilo nunca deixa de referir que está a “estudar” engenharia agrária e que tinha fundado a associação de estudantes, nesta de facto é verdade mas apenas como integrante na lista.

Mas soa bem; engenheiro, ou a caminho disso, curso de 3 anos faz-se num instante, fundador da associação de estudantes; revela espírito militante.

Insinua-se, está num sítio onde todos precisam, pois andam sempre de calças na mão, conhece a vida de todos, é um facilitador.

Na terra, insinua-se amigo do casal dominante e muito amigo dum outro, antigo professor de ginástica e hoje muito próximo do poder e muito influente em Ribeiro do Reca, detentor de umas ruínas, dinamizador, com dinheiros nossos, da juventude local, amparo politico e não só de muitos jovens que querem ter um futuro diferente.

Ao tempo havia também um padre, que dizia tinha uns gostos pela tenra carnem, mas sobretudo tinha gosto pela vida mundana, bom vinho, boa comida, e como tinha uns trocos de família, investia comprando arte sacra mas sobretudo missais raros. Acompanhavam-no sempre um séquito e de vez em quando o grupo já mencionado. Com dinheiros vários ia acumulando espólio.

Para que não dissessem que o grupo era de encontros esquisitos e contra-natura, e querendo calar as más-línguas, todos os integrantes do grupo, excepto o dito sacerdote, se vingavam nas esponsais mantendo-as ocupadas de barriga cheia.

Portanto, o nosso inginheiro entra na politica, fazendo número numa assembleia.

O feitor, depois de rocambolesca história envolvendo o incumbente laranja e onde o outro feitor teve papel decisivo e activo, vence sem margem para dúvidas.

Fez-se luz; o nosso inginheiro começa a alinhar as pedras da sua ambição.

Contudo é travado pela ambição de um mais velho que avança, contra tudo e todos, tendo tudo o que era necessário; poder politico, poder financeiro, disponibilidade e querer.

Resta ao nosso moçoilo fazer-se imprescindível.

Faz saber que domina três das freguesias mais importantes a norte.

Como o resto do concelho estava dominado pelo seu lugar tenente, o mais velho aceita a imposição do feitor e avança: na equipa está o nosso inginheiro como segundo.

Objectivo, restaurar o rosácea após quatro anos alaranjada.

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Jorge Azinheiro
Jorge Azinheiro
Profissional liberal com conhecimentos profundo (mais de 30 anos de experiência) em marketing e vendas, nas áreas do grande consumo e grande distribuição, TI, APP’s, microelectrónica. Membro do movimento associativo com diversas participações em associações de estudantes, de jovens e recreativas culturais.

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