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Obras na Torre Centum Cellas em Belmonte inauguradas no dia 26

As obras de consolidação da Torre de Centum Cellas e o centro interpretativo sobre aquele monumento são inaugurados no dia 26, Dia do Concelho de Belmonte, informou o presidente do município, Dias Rocha. A Torre antigamente também chamada de Torre de São Cornélio é um curioso monumento lítico situado na freguesia do Colmeal da Torre, concelho de Belmonte.

Considerada monumento nacional desde 1927, a Torre Centum Cellas, que se encontrava em ruínas, e o seu centro interpretativo, vão ser inauguradas no próximo dia 26 de Abril. “Estamos muito satisfeitos com a recuperação. A torre ficou muito bonita, sem o risco de ter problemas. Foi um investimento feito grandemente pelo município e espero que seja muito visitado como monumento nacional que é”, disse o presidente da Câmara Municipal de Belmonte.

Segundo António Dias Rocha, no local foi feito um investimento superior a 700 mil euros, com uma comparticipação de 85% de fundos comunitários, que passou pela preservação da ruína, que apresentava o risco de deslizamento de rochas, e a criação, ao lado, de um centro interpretativo.

Na nova estrutura, adiantou Dias Rocha, vai ser possível ver conteúdos multimédia, assim como objetos encontrados nas escavações realizadas, e serão divulgadas as diferentes teorias sobre a génese do monumento localizado em Colmeal da Torre.

“Há várias teorias sobre Centum Cellas e essas teorias vão estar patentes. Não vamos dar a nossa opinião. Quem visita que tire as suas ilações e que fique com a sua ideia. Se aquilo era uma prisão, se era uma casa de um rico romano. As várias teorias vão estar expostas”, salientou o autarca.

O presidente da Câmara de Belmonte, no distrito de Castelo Branco, frisou que se trata de “um monumento único, só há uma torre semelhante na Turquia, não se sabe se existe relação de uma com a outra”, e acrescentou que a intervenção feita vai permitir que se fique a conhecer a importância da Torre de Centum Cellas e o espaço envolvente.

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As ruínas têm suscitado as mais diversas teorias e originado variadas lendas. Uma das versões aponta que o monumento teria sido uma prisão com cem celas, daí derivando o nome Centum Cellas, onde teria estado cativo São Cornélio, razão pela qual também é conhecida pelo nome de Torre de São Cornélio.

Há várias teses sobre o uso do monumento, desde templo, prisão ou albergaria, mas a sua história continua em estudo. Em 2020, o Ministério da Cultura delegou na Câmara Municipal de Belmonte a gestão do espaço, no âmbito do processo de descentralização de competências.

Sobre a sua primitiva função, acreditava-se que pudesse ter sido um praetorium (acampamento romano). Entretanto, campanhas de prospecção arqueológica na zona envolvente, realizadas na década de 1960 e na década de 1990, indicam tratar-se, mais apropriadamente, de uma uilla, sendo a torre representativa da sua pars urbana, estando ainda grande parte da pars rustica por escavar.

No contexto da invasão romana da Península Ibérica, a villa seria de propriedade de um certo Lúcio Cecílio (em latim: LVCIVS CÆCILIVS), um abastado cidadão romano, negociante de estanho (metal abundante na Península Ibérica), que a teria erguido pelos meados do século I. De acordo com os testemunhos arqueológicos, foi destruída nos meados do século III por um grande incêndio, e reconstruida posteriormente.

Na época medieval, sobre os seus restos construiu-se uma capela sob a invocação de São Cornélio, que as lendas associavam ao local, mas que caiu em ruínas e desapareceu por completo pelo século XVIII.

É possível que, no período medieval, a estrutura de Centum Cellas tenha tido algum papel na consolidação e defesa da fronteira oriental do reino de Portugal com o de Leão (ficando na mesma linha de defesa que a Egitânia e a Guarda, fundada em 1199), tendo inclusivamente recebido foral de Sancho I de Portugal em 1188, onde surge referenciada como Centuncelli. Assim parece ter entendido Pinho Leal ao referir que, na passagem do século XIII para o XIV, a torre teria sido reconstruida para servir de atalaia, enquanto os restantes anexos caíam em ruínas (Portugal Antigo e Moderno) – tese atualmente considerada como improvável.

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