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Porto: Exposição de Dalila Rodrigues e Eurico Gonçalves com obras criadas durante o confinamento Covid

As obras de Eurico Gonçalves e Dalila D’Alte apresentadas nesta exposição foram concebidas entre 2020 e 2022, durante o confinamento provocado pela pandemia Covid 19. Foram também as últimas obras de Eurico, que faleceu, aos 90 anos de idade, em 10 julho de 2022. Estão expostas na Casa dos Livros da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, até 7 de junho.

Porto: Exposição de Dalila Rodrigues e Eurico Gonçalves com obras criadas durante o confinamento Covid
Foto: Mónica Ribeiro
Produzida por Dalila D’Alte, a exposição é uma homenagem ao artista e ao homem com quem partilhou uma vida e uma arte, nos bons e maus momentos.
“Estas obras são fruto de um companheirismo constante, confinados que estávamos ao espaço afetivo da nossa casa, devido ao surto do vírus “Covid 19”. Foram as últimas obras que Eurico realizou aos 90 anos de idade, encerrando um longo percurso artístico”, explica Dalila.
Porto: Exposição de Dalila Rodrigues e Eurico Gonçalves com obras criadas durante o confinamento Covid
Foto: Mónica Ribeiro

Produzida por Dalila Rodrigues, a exposição é uma homenagem ao artista e ao homem com quem partilhou uma vida e uma arte, nos bons e maus momentos.

“Estas obras são fruto de um companheirismo constante, confinados que estávamos ao espaço afetivo da nossa casa, devido ao surto do vírus “Covid 19”. Foram as últimas obras que Eurico realizou aos 90 anos de idade, encerrando um longo percurso artístico”, explica Dalila.
 
Não fosse a pandemia, até podia ser um ambiente de atelier intimista. Mas não era. A vida no exterior não existia e Eurico gostava de sair, conversar, inspirar-se.
 
Porto: Exposição de Dalila Rodrigues e Eurico Gonçalves com obras criadas durante o confinamento Covid
Foto: Mónica Ribeiro
“Valeu-nos a nossa imaginação e a nossa criatividade neste confinamento para conseguirmos superar, de forma mais saudável e produtiva, o difícil exílio.  Pintámos e desenhamos com os escassos materiais que tínhamos em casa, impedidos de sair em segurança. Era o nosso espaço afetivo e seguro, onde o Eurico repetidamente dizia-me, sorrindo: gosto tanto de ti Eu sou tu; tu és eu. Aos poucos fomos conseguindo aumentar os nossos recursos, por breves e cautelosas saídas para o exterior.”, conta Dalila.
 
Eurico já estava um pouco debilitado e a logística ficou a cargo da mulher. “Na mesa grande da sala, eu preparava os suportes, as tintas, os pincéis e as canetas com que pintamos ou desenhamos. Havia pequenas bolinhas autocolantes de várias cores e tamanhos, e outras ainda maiores, que eu recortava e arrumava por tonalidades, à disposição do Mestre, que com elas ‘brincava’, colando-as no sítio certo dos suportes”.
 
Porto: Exposição de Dalila Rodrigues e Eurico Gonçalves com obras criadas durante o confinamento Covid
Foto: Mónica Ribeiro
Pintor autodidata, professor, poeta, ensaísta e crítico de arte, Eurico é um caso singular no panorama artístico e cultural português, que, no âmbito do surrealismo abstrato envolve a arte de atitude “dada” e a atitude filosófica do Budismo Zen.  Eurico não tinha ideias prévias quando começava a pintar, aberto ao caráter imprevisível do acaso. A sua pintura é livre, sem correção.
 
Eurico foi Mestre na alegria de viver e defendeu à risca o grande lema dos surrealistas: “Amor, Liberdade e Poesia”. 
 
Eurico Gonçalves recebeu vários prémios ao longo da sua carreira, entre eles: – Prémio Almada Negreiros, 1998.

 – Grande Prémio da Bienal de Vila Nova de Cerveira, 2005.

O seu nome foi dado a uma das escolas do agrupamento de escolas Lindley Cintra, nomeadamente a Escola Básica Eurico Gonçalves, na Ameixoeira, em Lisboa. 

 
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Manuela Teixeira
Manuela Teixeira
Jornalista Durante 35 anos com experiência em rádio, imprensa escrita e web jornalismo. trabalhou no jornal, Público, rádio TSF, Expresso, 24 Horas e Correio da Manhã, entre outros OCS. Como repórter foi correspondente à guerra na Bósnia, Kosovo e Timor. Só faz jornalismo com verdade, rigor e isenção. "Se não for assim, não é jornalismo!”

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