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Portugal e Espanha consideram prioritário avançar com comboios de alta velocidade

O Governo anunciou esta terça-feira o plano para a ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa em Madrid, que espera reduzir o tempo de viagem entre as duas capitais para apenas três horas, mas só 2034. Antecipando esse anúncio de Luís Montenegro, os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha consideraram, umas horas antes, prioritário avançar com as ligações de comboio de alta velocidade entre os dois países.

 

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e de Espanha realçaram esta terça-feira as “excelentes relações” bilaterais e consideraram prioritário avançar com as ligações de comboio de alta velocidade entre os dois países. Horas depois, Luís Montenegro anunciava que vai avante a ligação ferroviária de alta velocidade de Lisboa até Madrid, no âmbito da decisão do Conselho de Ministros de avançar com a localização do novo aeroporto Luís de Camões para Alcochete.

 

“Para Espanha é prioritário melhorar as infraestruturas que nos comunicam com Portugal e temos um especial interesse nas linhas de alta velocidade, tanto a conexão entre Madrid e Lisboa como com Vigo”, afirmou o ministro espanhol, José Manuel Albares, que destacou ainda a importância de serem concretizadas duas pontes rodoviárias internacionais já anunciadas sobre os rios Sever e Guadiana.

 

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Também o ministro português, Paulo Rangel, disse que Portugal e Espanha começaram já a trabalhar na próxima cimeira ibérica, em 23 de outubro, que terá na agenda “claramente as conexões” na área da energia e da ferrovia e algumas rodoviárias. Albares e Rangel reuniram-se em Madrid e, segundo o ministro português, houve consenso entre as duas partes em relação às ligações de comboio de alta velocidade e ao “mesmo grau de prioridade” que deve ter a linha entre Madrid e Lisboa e aquela que está prevista para unir Lisboa, Porto e Vigo (norte de Espanha).

 

“Nós queremos duas ligações a Espanha, pelo menos, e portanto para nós, ambas têm importância”, disse Paulo Rangel, que sublinhou que Portugal tem também “que acautelar” a ligação em alta velocidade das duas maiores cidades do país (Lisboa e Porto). “Temos de ter os dois planos ao mesmo tempo”, afirmou.

 

Nem Rangel nem Albares se comprometeram com um calendário para a concretização das ligações de comboio de alta velocidade entre os Portugal e Espanha. Os dois ministros realçaram as “excelentes relações” bilaterais de Portugal e Espanha, permitidas e consolidadas por 50 anos de democracia.

 

Num momento que Espanha tem um governo de esquerda e Portugal um executivo de direita, Rangel lembrou que diferentes cores e partidos nunca perturbaram as relações ibéricas nos últimos 40 anos e disse que assim continuará a ser. “Espanha é uma prioridade para Portugal, não para um partido ou um governo. É uma prioridade do Estado português”, afirmou.

 

Rangel e Albares sublinharam que Portugal têm excelentes relações bilaterais, mas também no âmbito multilateral, com destaque para as posições comuns e conjuntas na União Europeia. Esta foi a primeira viagem ao estrangeiro de Paulo Rangel para uma reunião bilateral formal com um homólogo.

 

Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez a primeira viagem oficial a Espanha, para um encontro, no mês passado, com o presidente do Governo, Pedro Sánchez.

 

Três horas de Lisboa a Madrid

 

A ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa em Madrid, que reduzirá o tempo de viagem entre as duas capitais para apenas três horas, só estará a funcionar, na melhor das hipóteses, em 2034. Só para se ter uma ideia da diferença que fará esta ligação quando concluída, o atual percurso entre Lisboa e Madrid implica três trocas de comboio e mais de 14 horas de percurso (se considerarmos a diferença horária de uma hora).

 

De acordo com as estimativas apresentadas pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação, o percurso Lisboa-Madrid vai ser encurtado para seis horas nos próximos três anos, em 2027, o que só é possível devido à construção de dois trechos da linha que se encontram em andamento, um em Portugal e outro em Espanha.

 

O primeiro destes percursos a estar concluído é a ligação entre Évora e Elvas, que está prevista entrar em serviço em 2025. Esta ligação vai também fazer com que a viagem entre Lisboa e Elvas passe a demorar apenas duas horas, no mesmo ano. Será uma das mais importantes modernizações da ferrovia portuguesa, uma vez que parte da ferrovia que chega a Elvas é das mais obsoletas do país, não tendo mesmo ligação elétrica em parte do percurso – Entroncamento – Elvas, por exemplo -, que é feito num vagão a vapor. Quando a totalidade da obra estiver concluída a ligação Lisboa Elvas, que faz o país de uma ponta à outra entre litoral e interior, será feita em apenas uma hora.

 

Traçado do TGV previsto pelo Governo

 

Quanto a custos, a linha já em andamento, entre Évora e Elvas, vai custar cerca de 377 milhões de euros, num número que derrapou dos 339 milhões de euros iniciais, devido a trabalhos complementares e à revisão de preços, além de alterações de circunstâncias. Trata-se de um dos principais projetos da ferrovia nacional das últimas décadas.

 

Do outro lado da fronteira, a linha que liga Plasencia a Talayuela já está em construção e espera-se que esteja pronta em 2027. Quando estas duas linhas estiverem concluídas, a viagem ferroviária entre Lisboa e Madrid passa a demorar apenas seis horas.

 

Por construir ficam três partes da linha, duas no lado português e uma em Espanha, que liga Talayuela a Toledo. Em Portugal, é preciso ligar Évora a Poceirão e Poceirão a Lisboa, sendo que esta última ligação requer a construção da Terceira Travessia do Tejo (TTT), uma obra também falada no Conselho de Ministros desta terça-feira.

 

A TTT fará a ligação ferroviária de Lisboa ao Barreiro, reduzindo a distância entre as duas cidades para apenas dez minutos, e será fundamental para apoiar o novo aeroporto de Lisboa, que o Governo anunciou que será construído em Alcochete.

 

O Executivo de Luís Montenegro, que quer uma “total compatibilização” com a rede ferroviária espanhola, garante que vai coordenar com o governo espanhol o calendário dos investimentos, de forma que a execução do projeto seja coordenada.

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