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Sombras sobre os 50 Anos de Abril: Preconceitos e Novos Desafios à Liberdade

Ao celebrarmos meio século de liberdade e democracia desde o 25 de Abril, surge uma reflexão necessária sobre os desafios contemporâneos que ameaçam esses pilares fundamentais. No Festival Literatura em Viagem, em Matosinhos, debates acalorados ecoaram sobre as crescentes ameaças à liberdade de expressão e as novas formas de censura que emergem sob o pretexto da sensibilidade.

O evento, que teve início em 8 de abril, culminou em debates intensos protagonizados por renomados autores, abertos ao público. Um dos momentos marcantes foi uma mesa redonda que teve como inspiração um poema de Sophia de Mello Breyner, evocando a alvorada da liberdade emergindo das sombras da noite. Participaram do debate figuras proeminentes como o deputado e historiador Rui Tavares, o jornalista Júlio Magalhães, a escritora Isabela Figueiredo e o coronel da guerra colonial Carlos Matos Gomes, conhecido também pelo pseudônimo Carlos Vale Ferraz.

Isabela Figueiredo iniciou a discussão destacando que o percurso em direção à democracia é contínuo e nunca concluído, reconhecendo que, embora o caminho percorrido até agora tenha sido claro em alguns momentos, nem sempre foi isento de obstáculos. Carlos Matos Gomes trouxe à tona a questão da emancipação das mulheres, ressaltando que, embora hoje seja uma realidade aceita, não foi sempre assim, recordando o papel crucial do 25 de Abril nesse processo.

Porém, as comemorações não foram isentas de críticas e preocupações. Rui Tavares expressou sua apreensão diante de tentativas de minimizar a importância do 25 de Abril, alertando para o risco de esquecermos as conquistas alcançadas e os perigos de retrocesso. Matos Gomes acrescentou sua preocupação com as ameaças à liberdade de pensamento, comparando-as a formas contemporâneas de censura que limitam a capacidade de interpretar o mundo de forma autônoma.

Outro ponto de discussão foi a chamada “liberdade de ofender” e os limites da criação artística no contexto atual. Henrique Raposo, Inês Pedrosa e Joaquim Arena lideraram essa mesa, explorando os desafios enfrentados pelos escritores diante das exigências de uma sociedade cada vez mais sensível e politicamente correta. Arena trouxe à tona a questão do politicamente correto na tradução de obras, exemplificando com seu próprio trabalho.

Inês Pedrosa criticou o excesso de zelo na busca pela correção política, argumentando que isso muitas vezes obscurece a realidade e limita a expressão artística. Henrique Raposo questionou o direito do leitor se sentir ofendido, defendendo a importância da arte em confrontar questões incômodas e provocativas.

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O festival também abordou a necessidade de reformas no sistema educacional, visando promover uma maior diversidade literária e estimular o gosto pela leitura de forma genuína, sem imposições. Miguel Esteves Cardoso, em sua participação, enfatizou a importância de não obrigar as pessoas a lerem, mas sim incentivá-las a descobrir o prazer da leitura por si mesmas.

Em meio às reflexões sobre os 50 anos de Abril, fica evidente que a luta pela liberdade e pela democracia está longe de ser concluída. Os desafios contemporâneos exigem uma vigilância constante e um compromisso renovado com os valores que inspiraram a Revolução dos Cravos.

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