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Tempos Confusos

Vivemos tempos confusos. A sociedade dos Anos 20 do século XXI está dividida entre pessoas cansadas e as que já enlouqueceram. Ou para lá caminham. Das duas categorias, aquelas que já perderam completamente o rumo serão as que melhor se vão adaptando ao virar das folhas do calendário, pois são essas as que menos se importam. O transtorno já tomou conta delas. E, só por isso, ainda conseguem rir com a mesma facilidade com que vociferam barbaridades para que o resto do mundo as ouça. Ousarei dizer que a loucura é, neste caso, o que mais se assemelha à felicidade, já que as outras, as pessoas cansadas, perderam, por completo, a capacidade para esboçar um sorriso e, a custo, vão sobrevivendo submetidas ao silêncio a que se obrigaram, sem o mínimo de estímulo para o que quer que seja.

A rápida evolução tecnológica trouxe conhecimento, informação, método. Seria de esperar que o ser humano tivesse evoluído ao mesmo ritmo. Mas, ao invés, vamos dando conta que parece haver um retrocesso no papel evolutivo. As pessoas parecem primatas sem princípios, sem maneiras, pouco educadas, aculturadas e desinformadas sobre tudo, e o mundo uma selva não dominada por leões, mas por cães, daqueles cansativos, cuja única coisa que fazem é ladrar.

Por estes dias, já ninguém conversa com ninguém. Atiram-se ofensas, provocações, e desejam-se reacções, pedras, sangue. Em casa, na rua, no trabalho, nas redes sociais, as pessoas perderam a noção de cedência, decência e o pouco senso que, eventualmente, ainda têm, dificilmente é do bom.

Foto DR

No século passado, tudo o que era incaracterístico, e punha em causa o normal funcionamento das regras estabelecidas, era atribuído à irreverência dos mais jovens e ao modo mais arisco de olhar para as coisas que lhes eram impostas. Dizia-se, por hábito, “é normal, deixa estar, com o tempo isso passa”. A verdade é que passava. E esse modo de viver e aprender ia passando também de geração. A maturidade era uma consequência natural e trazia com ela calma, sabedoria, ponderação, reflexão, experiência. E o que se nos depara hoje é exactamente o oposto. A sociedade global parece ter congelado nos verdes anos tomando de assalto todas as idades.

Não há quem não generalize transformando com a maior das levezas todo um rebanho em ovelhas negras ainda que por lá só exista uma. E em todos os sectores da sociedade. E é assim que se atribuem os piores adjectivos do mundo, por exemplo, a uma categoria profissional, sejam jornalistas, políticos, polícias, juízes, professores, médicos, o que for.

E é por causa do desgaste sofrido pelo combate a essa injustiça da generalização e aos ouvidos mudos que os não escutam que as pessoas se cansam e já nem têm vontade para mais nada que não seja a de isoladamente irem seguindo o caminho das ruas que ainda têm de percorrer mesmo que não sintam vontade nenhuma para o fazer. E o pior de tudo é constatar que melhores dias não virão e o mundo está perto da loucura absoluta.

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João Pedro Martins

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Joao Pedro Martins
Joao Pedro Martins
Imprensa: jornalista-estagiário de O Jogo; jornalista de Correio da Manhã; jornalista de revista Golo; jornalista de revista TV 7 Dias; Rádio: locutor da Rádio Comercial; jornalista, produtor, realizador e locutor da Antena 1; locutor da Antena 3; jornalista, produtor, realizador e locutor da RDP África; produtor e locutor da Rádio Macau.

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