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Trotinetas elétricas: de bestiais a bestas nas grandes cidades

Com Flore Miranda

Em 2018, Paris foi pioneira na Europa a lançar as trotinetas elétricas de uso partilhado. Agora, poucos anos depois, 90 % dos parisienses estão fartos dos incómodos e acidentes que geram. As trotinetas passaram de veículos bestiais a bestas das grandes cidades.

Trotinetas elétricas: de bestiais a bestas nas grandes cidades
DR

A votação da consulta aos parisienses é meramente consultiva e vai ainda ser submetida a avaliação pela Câmara de Paris. E a questão refere-se somente ao uso partilhado destes veículos explorados por várias empresas. Os problemas colocados são essencialmente porque a maioria não tem espaços suficientes para estacionar no final da utilização. Daí, que ficam espalhadas pelos passeios, muitas sem civismo nem cuidados para não incomodar os transeuntes.

Outro problema é o elevado número de acidentes graves que provocam no meio do trânsito e na circulação em passeios.

Anne Hidalgo, a presidente da Câmara de Paris, quis saber a opinião dos parisienses sobre o método de deslocação que, desde 2018, tem originado acidentes e comportamentos de risco por parte dos utilizadores.

Em entrevista ao Le Parisien, em janeiro, Anne Hidalgo tinha justificado a necessidade de uma votação com os “problemas” acarretados pelo regime “free float” em que operam – ou seja, pela possibilidade de poderem ser descartadas em qualquer lugar. Salvaguardou, porém, que qualquer interdição não afetaria as trotinetas elétricas privadas: “Os parisienses podem ter as suas próprias scooters, sem problemas”. Mas as de aluguer correm sério risco de poderem ser proibidas.

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Em Paris o anúncio da consulta pública foi recebido com alarme pelas três principais empresas responsáveis pelas cerca de 15 mil trotinetas elétricas em Paris – Lime, Dott e Tier – que não pouparam esforços nas últimas semanas para tentar convencer a opinião pública. As várias medidas, desde viagens grátis aos domingos ou publicações nas redes sociais de influenciadores, revelaram-se agora infrutíferas.

Em Portugal, o problema também é semelhante sobretudo em Lisboa e Porto. As trotinetas de aluguer chegaram em moda e em força para servir os turistas. Mas também há falta de pontos de recolha e as trotinetas são largadas em qualquer local. Algumas simplesmente largadas no chão sem qualquer cuidado.

Acidentes também não faltam. A condução nem sempre é a melhor e a circulação entre peões e automóveis, os acidentes vão acontecendo, com lesões sobretudo para os usurários das trotinetas que caem com facilidade, mas também há atropelamento de peões com gravidade.

Em Lisboa, estima-se que hajam cerca de 15 mil trotinetas de aluguer e mais de 10 mil sem ponto de recolha.

No Porto, os dados são pouco certos, mas também há mais veículos largadas ao acaso, que nos espaços próprios.

As autarquias e entidades de mobilidade estatais estudam ainda o fenómeno e estão a criar nova legislação para o uso e condução das trotinetas elétricas de aluguer partilhadas.

O exemplo de Paris, que promoveu com sucesso este veículo para turistas e que foi replicado, pode também se inverter nas mesmas cidades europeias.

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Manuela Teixeira
Manuela Teixeira
Jornalista Durante 35 anos com experiência em rádio, imprensa escrita e web jornalismo. trabalhou no jornal, Público, rádio TSF, Expresso, 24 Horas e Correio da Manhã, entre outros OCS. Como repórter foi correspondente à guerra na Bósnia, Kosovo e Timor. Só faz jornalismo com verdade, rigor e isenção. "Se não for assim, não é jornalismo!”

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