Um relatório do “A.I. Futures Project”, sediado nos EUA, prevê que a inteligência artificial geral (IAG) poderá superar a capacidade humana até 2027. Especialistas dividem-se entre alertas sobre riscos globais e críticas à falta de rigor científico.
Investigadores do projeto, liderados por Daniel Kokotajlo — ex-membro da OpenAI — e Eli Lifland, descrevem no documento *”AI 2027″* um cenário em que sistemas autónomos ultrapassam a inteligência humana. O estudo, publicado esta semana, utiliza uma narrativa ficcional para ilustrar potenciais ameaças, como espionagem tecnológica e perda de controlo sobre máquinas autónomas.
“Até ao final de 2027, poderemos ter agentes de IA melhores que humanos em todas as tarefas”, afirmou Kokotajlo, que abandonou a OpenAI por considerar as suas práticas “imprudentes”. O relatório estabelece quatro marcos evolutivos, desde IA especializada até uma hipotética “superinteligência” com capacidade de autodesenvolvimento exponencial.
Ceticismo na comunidade científica
Especialistas como Ali Farhadi, CEO do Allen Institute for AI, contestam as previsões. “Não há base científica para afirmar que a IAG surgirá até 2027″afirma o antigo criador de IA. Outros críticos apontam o excesso de dramatização, sublinhando que cenários positivos, como a integração segura da IA, foram negligenciados.
O projeto está ligado ao *Effective Altruism*, movimento que alerta para riscos existenciais da tecnologia. Apesar das divergências, empresas como Google e DeepMind já preparam protocolos para eventuais avanços disruptivos.
Kokotajlo antecipou em 2021 o surgimento de modelos como o ChatGPT. Agora, defende que narrativas ficcionais ajudam a preparar a sociedade. “Se a IA poderosa está próxima, devemos imaginar cenários extremos”, justificou.
O relatório, disponível [online](https://ai-2027.com/), inclui uma versão narrativa redigida pelo blogueiro Scott Alexander. O debate entre previsão científica e especulação permanece aberto.
Enquanto alguns veem o estudo como um alerta necessário, outros consideram-no alarmista. A evolução da IA continuará a gerar discussão, com especialistas a exigirem maior transparência e fundamentação nas projeções futuras.