Os hospitais públicos em Portugal, incluindo as unidades em regime de parceria público-privada, mantiveram-se como os principais responsáveis pela prestação de serviços de saúde no país em 2023, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE). Estes hospitais garantiram 80,8% dos atendimentos em urgências e mais de 70% dos internamentos e cirurgias realizadas, demonstrando a sua importância significativa no sistema de saúde nacional
De acordo com a publicação “Estatísticas da Saúde”, que foi divulgada esta sexta-feira, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) desempenharam um papel fundamental no atendimento à população, apesar de uma redução no número de hospitais públicos desde 2010. Em 2023, Portugal contava com 242 hospitais, dos quais 112 pertenciam ao setor público, número estável em comparação com os anos anteriores, mas inferior em 15 unidades quando comparado a 2010.
Embora os hospitais privados também tenham registado um aumento significativo, com 130 unidades em operação (mais 28 do que em 2010), o seu impacto nas urgências e nos internamentos foi inferior ao do setor público. Os dados revelam ainda que, apesar do crescimento do número de hospitais privados, os hospitais públicos ou em parceria público-privada ainda são responsáveis pela maior parte das camas de internamento. No total, 67,9% das camas disponíveis para internamento imediato estavam situadas em hospitais públicos ou em parceria público-privada.
Em termos de internamentos, 2023 registou cerca de 1,1 milhão de internamentos, com 828 mil ocorrendo em hospitais públicos ou público-privados. Este número representa 73% do total, embora tenha sido observado um ligeiro aumento de internamentos e uma redução no número de dias de internamento em comparação com o ano anterior. Em média, os pacientes em hospitais públicos permaneceram internados por 8,9 dias, enquanto nos hospitais privados a média foi de 9 dias.
Os hospitais públicos continuam a ser os mais procurados para atendimento de urgência, com 6,5 milhões de atendimentos registados em 2023. Esta cifra reflete uma ligeira diminuição de 0,6% face ao ano anterior, mas ainda assim representou a grande maioria dos atendimentos de urgência realizados em Portugal.
Os dados relativos ao corpo clínico também são reveladores, com 62.132 médicos e 83.538 enfermeiros em atividade no país, um aumento de 2,9% e 2,1%, respetivamente, em relação a 2022. No entanto, a proporção de médicos que trabalham em hospitais tem vindo a diminuir ao longo dos anos, passando de 61,2% em 1999 para 40,3% em 2023.
No total, os hospitais públicos e em parceria público-privada continuam a assegurar a maior parte dos cuidados de saúde essenciais no país, mantendo-se a espinha dorsal do sistema de saúde português e enfrentando desafios relacionados com a redução de camas e a evolução demográfica. O setor privado, por sua vez, tem vindo a crescer, mas ainda longe de superar a capacidade do setor público no atendimento à população.