Segunda-feira,Maio 27, 2024
12.5 C
Castelo Branco

- Publicidade -

O Guarda Nacional da Força Aérea lusodescendente que queria ‘minar’ o governo norte-americano

Jack Teixeira, de 21 anos, que serviu na Guarda Aérea Nacional de Massachusetts, foi detido na quinta-feira em North Dighton, uma zona rural e pacata daquele estado norte-americano, devido à divulgação de documentos classificados de grande alcance que abalaram várias capitais, desde Washington a Kiev, passando por Seul, com revelações de espionagem dos Estados Unidos a aliados e inimigos e a divulgação de inteligência militar sensível sobre a guerra na Ucrânia. À Antena 1, o presidente da Casa dos Açores de Fall Rivers adiantou que Teixeira é lusodescendente, neto de açorianos. Vai ser hoje presente a tribunal.

O Guarda Nacional da Força Aérea lusodescendente que queria 'minar' o governo norte-americano
DR

O lusodescendente, que foi detido “sem incidentes”, teria “uma visão sombria do governo” dos Estados Unidos, particularmente das autoridades e das agências de informação, que considerava serem forças de repressão.

Além dos segredos norte-americanos, o funcionário da Guarda Nacional da Força Aérea daquele país divulgava informações sobre armas, jogos e ‘memes’ racistas, mantendo discussão contínua sobre guerras, que incluiu conversas sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Conhecido no mundo virtual como ‘OG’, Teixeira exercia a sua influência no grupo ‘Thug Shaker Central’, com sede na plataforma Discord, tendo alegadamente divulgado as informações secretas, às quais tinha acesso no trabalho, para impressionar os restantes membros.

Foi assim que começaram as partilhas de informação confidencial que, eventualmente, transitaram para outras plataformas, fazendo tremer as instituições norte-americanas.

Segundo o The Washington Post, o líder daquela comunidade, constituída na sua maioria por homens e fundada em 2020 em torno do “amor mútuo pelas armas, equipamento militar e Deus”, terá partilhado também as informações num servidor denominado ‘Bear vs Pig’, numa referência tanto à guerra na Ucrânia, como a um vídeo viral de porcos a lutar contra um urso preto.

- Publicidade -

Quando questionado sobre como um militar tão jovem poderia ter acesso a documentos altamente confidenciais, o porta-voz do Pentágono, Patrick Ryder, disse que era da natureza dos militares confiarem nos seus membros muito jovens grandes níveis de responsabilidade, incluindo questões significativas de segurança.

Soldados recém-saídos do ensino secundário foram lutar no Iraque, Afeganistão e outras zonas de combate, muitas vezes usando informações ultrassecretas e programas para atingir adversários.

“Nós confiamos aos nossos membros muita responsabilidade desde muito cedo. Pense num jovem sargento de pelotão de combate e na responsabilidade e confiança que depositamos nesses indivíduos para liderar as tropas em combate”, disse Ryder.

Descrito como racista, fanático por armas e antissistema, o responsável pela fuga de documentos secretos do Pentágono será presente a tribunal esta sexta-feira, enfrentando até 10 anos de prisão.

O presidente da Casa dos Açores de Fall River, Francisco Viveiros, confirmou à CNN Portugal que os avós do jovem são açorianos, mas Jack Teixeira não tem dupla nacionalidade. Viveiros assegurou ainda que a família é bastante reservada, não tendo a menor ideia de que o jovem estaria envolvido neste tipo de atividades.

Ao Observador, Francisco Viveiros confirmou também que Jack não está inscrito no consulado e que a avó será uma florista de Fall River. A casa onde mora está registada no nome da mãe, Dawn Teixeira, que é norte-americana.

Os pais do jovem ter-se-ão divorciado quando este era ainda criança e a família tinha um historial ligado às Forças Armadas. Jack terá, até, faltado à cerimónia de formatura do ensino secundário, por já se encontrar numa base da Força Aérea no Texas, de acordo com o The New York Times.

Teixeira era um aviador de primeira classe destacado para uma unidade de inteligência da Força Aérea, segundo publicações na rede social Facebook da 102.ª Ala de Inteligência com base na Base da Guarda Aérea Nacional de Otis, em Massachusetts.

Na Guarda Aérea Nacional, Teixeira era “especialista em sistemas de transporte cibernético”, ou seja, um especialista em tecnologias de informação responsável pelas redes de comunicações militares. Nesse papel, o jovem teria um nível mais alto de habilitação de segurança, uma vez que também teria a responsabilidade de aceder e garantir a proteção da rede, disse um oficial de defesa à Associated Press.

Quando a história veio à tona, noticiada pelo The New York Times, os membros do grupo estariam em chamada. “Lamento muito, pessoal. Rezei todos os dias para que isto não acontecesse. Orei, e orei, e agora cabe a Deus decidir o que acontecerá a seguir”, disse.

- Publicidade -

Destaques

- Publicidade -

Artigos do autor