A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou esta sexta-feira a sua opinião sobre a relação da Gronelândia com as potências internacionais, destacando que o território “merece parceiros que o respeitem e tratem como iguais”. A declaração surge no mesmo dia em que o Vice-Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), J. D. Vance, inicia uma visita à região autónoma dinamarquesa, marcada por tensões diplomáticas.
Num post publicado nas redes sociais, von der Leyen sublinhou que a União Europeia se orgulha de ser um “parceiro assim” para a Gronelândia, reforçando o compromisso de respeito e igualdade para com o território. A declaração parece ser uma resposta indireta à visita de Vance, que ocorre num contexto delicado e após uma série de controvérsias em torno da relação entre a Gronelândia, os EUA e a Dinamarca.
A visita de J. D. Vance à Gronelândia ocorre numa altura em que o governo dos EUA tenta reforçar a sua presença no território, especialmente por questões geoestratégicas. No entanto, a visita foi acompanhada de uma mudança no programa original, que foi limitado à base militar norte-americana de Pituffik, no norte da Gronelândia, após um desacordo com as autoridades dinamarquesas e gronelandesas. Esta base faz parte de um acordo de defesa assinado em 1951 entre Washington e Copenhaga, e tem sido uma área de particular interesse estratégico para os EUA.
A visita e as intenções do governo norte-americano têm gerado controvérsia. Em 2019, o então Presidente dos EUA, Donald Trump, propôs a anexação da Gronelândia, uma ideia prontamente rejeitada pela Dinamarca e pela população gronlandesa, bem como por vários líderes da União Europeia. Trump, no entanto, justificou a sua proposta com motivos de segurança internacional, argumentando que o território é fundamental tanto para a defesa quanto para ofensivas estratégicas no Ártico.
O programa da visita de Vance foi alterado após protestos das autoridades locais, com a visita agora a focar-se exclusivamente na base militar de Pituffik, afastando-se de qualquer interação com a população local. Apesar das modificações, a visita ainda gerou críticas por parte das autoridades dinamarquesas, que chegaram a caracterizar a deslocação como uma “pressão inaceitável”. Para os EUA, no entanto, a visita continua a ser vista como uma “demonstração de amizade” e cooperação com a Dinamarca e a Gronelândia.
A troca de palavras entre a União Europeia, os EUA e as autoridades dinamarquesas e gronlandesas reflete a complexidade da situação geopolítica no Ártico, onde interesses estratégicos e a soberania dos territórios estão em jogo. Ursula von der Leyen, ao reforçar o compromisso da União Europeia com a Gronelândia, coloca a questão do respeito mútuo no centro das relações internacionais, alinhando-se com a posição dos líderes locais que defendem a autonomia e o direito de autodeterminação da Gronelândia.
A Gronelândia, que é uma região autónoma da Dinamarca, tem vindo a afirmar-se cada vez mais no cenário internacional, com uma crescente procura por parcerias que respeitem a sua autonomia, e que não se limitem a interesses estratégicos ou econômicos de potências globais.