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Projeto-piloto limita atendimentos a grávidas referenciadas em Lisboa e Vale do Tejo

Novo modelo visa reorganizar urgências, mas enfrenta críticas sobre falta de médicos no SNS

Desde hoje, as urgências obstétricas e ginecológicas na região de Lisboa e Vale do Tejo só atenderão grávidas referenciadas pela linha SNS 24, pelo INEM ou pelos centros de saúde. A medida faz parte de um projeto-piloto que busca reduzir a sobrecarga nos hospitais e priorizar os casos realmente urgentes. As grávidas sem necessidade imediata de atendimento terão aconselhamento por telefone ou consulta agendada no prazo de 24 horas.

Abrangência inicial e objetivo do projeto

Na primeira fase, o projeto envolve os hospitais de Santa Maria, São Francisco Xavier, Amadora-Sintra, Loures e Cascais, além das unidades de Vila Franca de Xira, Santarém, Abrantes, Caldas da Rainha e Leiria. O modelo também será expandido para o Porto, Alentejo e outras regiões de Leiria.

O Ministério da Saúde explica que a linha SNS Grávida (808 24 24 24) atenderá exclusivamente situações urgentes, como perda de consciência, convulsões, dificuldades respiratórias, hemorragias e dores intensas. Essas condições podem ocorrer durante a gravidez, nas primeiras seis semanas após o parto ou em qualquer momento da vida.

A pré-triagem telefónica será feita por enfermeiros especializados em saúde materna e obstétrica. Segundo o diretor de obstetrícia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, espera-se que o novo modelo reduza em 70% os casos não urgentes que chegam às urgências hospitalares.

Impactos imediatos e receção inicial

Projeto-piloto limita atendimentos a grávidas referenciadas em Lisboa e Vale do Tejo
Foto: RTP – Andreia Antunes

Na manhã de hoje, a situação nas urgências do Hospital Amadora-Sintra estava calma, com apenas uma utente em espera, segundo o portal do SNS. No Hospital de Santo André, em Leiria, o projeto também começou a ser implementado. A diretora do serviço de Obstetrícia e Ginecologia da unidade, Andreia Antunes, afirmou que “a adaptação é um processo de aprendizagem normal, tanto para utentes quanto para profissionais”.

Entretanto, dificuldades já foram registradas. No Hospital de Vila Nova de Gaia, duas mulheres grávidas que não haviam contatado a linha SNS 24 ou estavam cientes do novo modelo foram atendidas na triagem por enfermeiras especialistas.

Críticas e preocupações com a medida

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) criticou duramente a iniciativa, destacando que ela não resolve a principal questão: a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM, afirmou que “esta medida não resolve o problema central, que é a falta de médicos obstetras no SNS”.

Ela também ressaltou que a reorganização coloca em risco tanto as equipas médicas quanto as grávidas, pois muitas unidades contam com “apenas um especialista acompanhado por médicos internos”. Segundo a presidente, “a linha foi implementada exatamente porque faltam médicos”, e o governo precisa negociar urgentemente para fixar profissionais no SNS.

Nelson Pereira, da Ordem dos Médicos, considerou a mudança como uma reorganização necessária, mas admitiu que é uma reação às dificuldades crescentes de organização no SNS. Destacou que o objetivo principal é retirar das urgências casos não graves, evitando a perturbação do atendimento às situações de risco de vida.

Clima de tensão e expectativa para os próximos meses

A presidente da FNAM alertou para possíveis complicações nas próximas semanas, dado o histórico de falta de recursos nos hospitais, especialmente na região de Lisboa e Vale do Tejo. Durante o fim-de-semana, foram relatados tempos de espera acima do normal em unidades da região.

Carla Santos, diretora de Obstetrícia e Ginecologia de uma das unidades abrangidas, expressou preocupação com o tom alarmista da portaria e com a possibilidade de a medida ser uma solução temporária: “O que nos preocupa é que esta pré-triagem venha acompanhada de uma falsa solução, porque o real problema só será solucionado com profissionais de saúde a trabalhar no SNS”.

Embora o modelo tenha sido bem recebido em algumas unidades, como Leiria, onde os centros de saúde já alocaram vagas para atender grávidas não urgentes, o sucesso do projeto-piloto dependerá de sua implementação prática e da resolução de problemas estruturais do sistema de saúde.

Com o teste de três meses já em andamento, o Ministério da Saúde espera reduzir significativamente a pressão nas urgências. No entanto, a eficácia do projeto será acompanhada de perto pelos profissionais de saúde e pela população, que aguardam medidas mais amplas para sanar a crise no SNS.

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