A Câmara Municipal de Lisboa decidiu recuar na remoção de árvores na Avenida 5 de Outubro, especialmente da espécie jacarandá, e agora autoriza apenas três transplantes em vez dos 20 inicialmente previstos. A autarquia anunciou também a reavaliação do plano de abate de 25 árvores, a ser revisto em colaboração com os serviços técnicos da cidade e o promotor do projeto.
A decisão foi tomada após o plantio de 15 jacarandás na semana passada, sendo agora determinado que apenas três espécimes serão transplantados para novos locais. De acordo com a Câmara, a intervenção nas árvores visa a requalificação urgente dos coletores de esgoto e das condutas de água, que se encontram em estado crítico e necessitam de reparações imediatas no subsolo. Dois dos jacarandás serão realojados na Praça Andrade Caminha e um na Rua Marquês da Fronteira, com outros dois plátanos também a serem transplantados.
Relativamente ao plano mais amplo de remoção, a Câmara pediu uma reavaliação detalhada, para analisar se existem alternativas viáveis que não foram devidamente consideradas na proposta original. A proposta inicial previa a remoção de 47 árvores ao longo da Avenida 5 de Outubro, onde se localizam 75 jacarandás. Deste total, a autarquia pretendia manter 30, transplantar 20 (acrescentando dois plátanos) e abater os restantes 25. O projeto também prevê o plantio de 39 novos jacarandás e 49 outras árvores, no contexto de uma intervenção que visa a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na área de Entrecampos.
A decisão surge no seguimento de uma sessão de esclarecimento realizada no dia anterior, que contou com a participação de mais de 400 pessoas. Na ocasião, a vereadora do Urbanismo, Joana Almeida, afirmou que a autarquia não pode incumprir os termos do contrato com a Fidelidade Property, responsável pelo desenvolvimento do projeto.
A proposta de abate das árvores gerou controvérsia e levou à criação de uma petição contra a remoção dos jacarandás, que em menos de duas semanas recolheu mais de 54.000 assinaturas. A petição, lançada no Dia da Árvore, 21 de março, reflete a preocupação de muitos cidadãos com a preservação do património natural da cidade, especialmente numa zona tão emblemática da capital.
Esta revisão da intervenção é vista como uma resposta aos protestos da comunidade e à crescente pressão para que a cidade preserve as suas árvores e o ambiente urbano, equilibrando a modernização com a sustentabilidade.