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Falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro

O Presidente da República «manifesto o meu pesar pela morte de Mestre Cargaleiro, que hoje nos deixou.”

Falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro
Foto: Sudoeste Portugal

O Presidente da República expressou o seu pesar pelo falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro, pintor e ceramista que morreu aos 97 anos. Condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Camões, em 16 de Fevereiro de 2023, Cargaleiro, que residia em Paris desde 1957, conseguiu conciliar o cosmopolitismo da cidade luz com a sua ligação profunda às raízes portuguesas. A memória das paisagens e das cores da Beira Baixa estão presentes na sua obra, com destaque para a lembrança das mantas de retalhos que tanto o influenciaram. Esta ligação à sua terra natal é também evidente na sua presença ativa na região, através da Fundação e do Museu Cargaleiro.

Manuel Cargaleiro, uma figura incontornável da arte portuguesa contemporânea, deixou um legado vasto e inestimável. A sua obra, marcada pelo uso vibrante das cores e pela exploração de formas geométricas, encontra-se disseminada em inúmeras coleções e espaços públicos, tanto em Portugal como no estrangeiro. A Fundação Cargaleiro, criada pelo próprio artista, visa preservar e promover a sua obra, bem como apoiar a arte e os artistas emergentes.

Falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro
Foto: Facebook da Fundação Manuel Cargaleiro

Cargaleiro nasceu em Vila Velha de Ródão em 1927 e desde cedo revelou um talento extraordinário para as artes plásticas. Estudou pintura, cerâmica e mosaico, tendo as suas criações sido amplamente reconhecidas e apreciadas a nível internacional. Recebeu vários prémios ao longo da sua carreira e foi condecorado com diversas distinções, entre as quais a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Biografia e Obras de Manuel Cargaleiro

Manuel Cargaleiro, pintor e ceramista português, nasceu em 1927 na Beira Baixa. Filho de Manuel, gestor agrícola, e Ermelinda, especialista em mantas de retalhos coloridas com formas geométricas variadas, desde cedo mostrou uma ligação às artes. Inscreveu-se na Faculdade de Ciências de Lisboa e chegou a trabalhar num banco, mas frequentava as aulas livres da Academia de Belas-Artes e o atelier de olaria de José Trindade.

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Em 1945, iniciou as suas primeiras experiências de modelação de barro na olaria de José Trindade, no Monte de Caparica. No ano seguinte, inscreveu-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que acabou por abandonar para se dedicar às artes plásticas, iniciando-se como ceramista na Fábrica Sant’Anna, em Lisboa.

A sua primeira participação numa exposição de relevo ocorreu em 1949, na Primeira Exposição de Cerâmica Moderna, organizada por António Ferro no Palácio Foz, em Lisboa. Em 1950, organizou o I Salão de Artes Plásticas da Caparica, em Almada. No ano seguinte, participou na Segunda Exposição de Cerâmica Moderna, onde obteve uma menção honrosa. A sua primeira exposição individual aconteceu em 1952, na Sala de Exposições do SNI, seguida de uma menção honrosa na Terceira Exposição de Cerâmica Moderna.

Em 1953, expôs pela primeira vez pintura no Salão da Jovem Pintura, na Galeria de Março, em Lisboa. Em 1954, apresentou a exposição individual Cerâmicas de Manuel Cargaleiro na mesma galeria, recebendo o prémio de artes plásticas Sebastião de Almeida. Nesse ano, iniciou também a sua atividade como professor de Cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio e conheceu Maria Helena Vieira da Silva, Árpád Szenes e Roger Bissière.

Em 1955, dirigiu a passagem para cerâmica das estações da Via Sacra do Santuário de Fátima, da autoria de Lino António, e participou em várias exposições internacionais. Em 1956, recebeu o primeiro prémio no concurso para o revestimento em cerâmica dos edifícios da Cidade Universitária de Lisboa e realizou vários painéis de cerâmica para espaços públicos.

Em 1957, com uma bolsa do Governo Italiano, visitou Itália para estudar cerâmica em Faença, Roma e Florença, instalando-se em Paris. No ano seguinte, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, estagiou na Faiencerie de Gien, sob a orientação de Roger Bernard, e participou em várias exposições internacionais.

A partir de 1959, residiu e trabalhou num atelier na Rue des Grands-Augustins 19, em Paris, participando em diversas exposições coletivas ao lado de artistas renomados como Jean Arp e Max Ernst. Em 1960, participou em várias exposições de artes plásticas, consolidando a sua reputação no meio artístico.

Algumas Obras

A obra de Manuel Cargaleiro dispersa-se pela cerâmica, pintura, gravura, guache, tapeçaria e desenho. Entre as suas criações destacam-se:

Painéis cerâmicos para o Jardim Municipal de Almada

Fachada da Igreja de Moscavide (1956)

Fachada do Instituto Franco-Português de Lisboa (1983)

Estação do Metro de Champs Elysées-Clémenceau, Paris (1995)

Falecimento do Mestre Manuel Cargaleiro
Foto: Arquipélagos – Estação do Metro de Champs Elysées-Clémenceau, Paris 

Painel para a escola com o seu nome no Seixal (1998)

Estação de serviço de Óbidos na autoestrada do Atlântico (2000)

Fonte no Parque da Cidade de Castelo Branco (2004)

Estação Colégio Militar/Luz do Metropolitano de Lisboa

O Presidente da República sublinhou ainda que Manuel Cargaleiro será sempre lembrado não só pelo seu talento artístico, mas também pela sua humildade e dedicação à cultura portuguesa. “Perdemos hoje um dos grandes mestres da nossa arte, mas a sua obra perdurará como testemunho do seu génio criativo e da sua paixão pelo nosso país.” O seu falecimento é uma grande perda para a comunidade artística e cultural, que homenageia aquele que foi, e sempre será, um verdadeiro embaixador da arte portuguesa no mundo.

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