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França vota à esquerda, afastando Marine Le Pen

A Nova Frente Popular, que agrega as esquerdas, aparece em primeiro lugar nas projeções da segunda volta das eleições francesas, num volte-face inesperado face a todas as sondagens. Em segundo lugar, o partido do Presidente Macron, deixando remetido para terceiro lugar a direita radical de Bardella e Marine Le Pen. Melénchon, o líder da França Insubmissa, já exigiu a Macron que nomeie um primeiro-ministro de esquerda.

É uma grande surpresa que chega de França. De acordo com as projeções avançadas pelos meios de comunicação social, que citam as televisões, a frente de esquerda vence a segunda volta das eleições legislativas, ainda que não consiga uma maioria absoluta. O resultado para a esquerda deverá ficar entre 180-215 lugares no parlamento francês, de acordo com a televisão TF1, numa grande vitória para a Nova Frente Popular, formada só depois das eleições na primeira volta. É um resultado surpreendente, até porque o Reagrupamento Nacional (RN) não consegue sequer o segundo lugar, sempre de acordo com as projeções.

O partido Ensemble, do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Gabriel Attal, deve ficar em segundo lugar, com 150 a 180 mandatos, enquanto o partido de Jordan Bardella e Marine Le Pen ficará em terceiro, com 120 e 150 lugares.

Com estes resultado, o presidente francês pode, apesar de ser um dos derrotados, “gritar vitória”, porque , contra todas as sondagens, conseguiu conquistar um segundo lugar “afastando” o Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen e Jordan Bardella para um terceiro lugar, dando a vitória a uma “geringonça” à esquerda, a Nova Frente Popular (bloco das esquerdas).

Jean-Luc Mélenchon, da Nova Frente Popular, já reivindicou a vitória e defendeu que o presidente francês “tem o dever de chamar a Nova Frente Popular a governar”.

A aliança Nova Frente Popular (NFP), que se formou após os resultados da primeira volta, quando a coligação da esquerda e a aliança de centro-direita construiram mais de 200 pactos locais implícitos, a chamada “frente republicana”, retirando candidatos com menos votos para impedir uma vitória esmagadora de Le Pen e seus aliados.

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As legislativas foram convocadas pelo presidente Emmanuel Macron depois dos resultados das eleições europeias em 9 junho, quando a extrema direita francesa saiu vitoriosa. As eleições antecipadas foi uma decisão de Macron para unir o país contra os ultranacionalistas como já havia feito na eleição presidencial e nas eleições legislativas em 2022.

A França já havia escolhido 76 parlamentares para as 577 cadeiras na primeira volta eleitoral. Destes, metade eram do partido de extrema direita Reunião Nacional (RN) de Marine Le Pen e seus aliados.

Segundo as estimativas, a aliança de esquerda de conquistar entre 172 e 192 assentos. A coligação de centro-direita deve obter entre 150 e 170 cadeiras, enquanto a extrema direita alcançará entre 132 e 152 assentos, segundo projeções do Instituto Ipsos Talan.

Quase 50 milhões de franceses foram chamados a escolher os deputados que compõem a Assembleia Nacional, que contou com uma elevada participação, tendo votado mais de 65% dos eleitores.

Jean-Luc Mélenchon pede governo…

Assim que ficaram conhecidas as primeiras projeções, Jean-Luc Mélenchon, da Nova Frente Popular, reivindicou a vitória e defendeu que o presidente francês “tem o dever de chamar a Nova Frente Popular a governar”.

“As lições do voto não deixam dúvidas: a derrota do presidente da República e da sua coligação está claramente confirmada. O presidente deve admitir esta derrota sem a contornar, seja de que maneira for. O primeiro-ministro deve ir embora. O presidente tem o dever de chamar a Nova Frente Popular a governar”, declarou Mélenchon, numa reação às primeiras projeções, saudando a mobilização eleitoral que permitiu à esquerda “alcançar um resultado que se dizia impossível”.

O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, reagiu pouco depois, regozijando-se com os resultados das projeções. “Esta noite, a França disse não à chegada do Reagrupamento Nacional ao poder”, declarou, perante os militantes socialistas, reunidos em La Bellevilloise, em Paris.

Olivier Faure manifestou-se disponível para fazer parte de uma coligação governamental, asssumindo que “a Nova Frente Popular deve assumir o comando desta nova página da nossa história”. Segundo Faure, os partidos que integram o bloco das esquerdas pretendem governar e implementar o programa comum do NFP.

Jordan Bardella, do Reagrupamento Nacional, agradeceu aos eleitores que votaram no partido, assumindo a derrota na segunda volta das eleições legislativas em França.

Referindo-se à coligação das esquerdas, que, segundo as projeções, obteve a vitória nesta segunda volta, Bardella diz que esta é “uma aliança de desonra [que] priva os franceses de uma política de mudança de direção”.

“Esta noite, os acordos eleitorais lançam a França aos braços da extrema-esquerda de Jean-Luc Mélenchon”, critica.

Cenários possíveis

Com os resultados eleitorais, a confirmar-se uma vitória, sem maioria, da frente de esquerda “abre” vários cenários e desafios pela frente:

O primeiro desafio é encontrar um primeiro-ministro que a coligação ampla aceitasse (Melénchon não seria aceite pelos socialistas, por exemplo).

O segundo desafio é como fazer conviver esta frente, muito crítica da governação ao centro, com Macron. Até que ponto Macron estará disposto a ceder o poder à esquerda, depois de ter dito que a sua prioridade era travar Marine Le Pen, é uma incógnita;

Outra hipótese é a França acabar com um Parlamento bloqueado, incapaz de formar novo governo e com o atual primeiro-ministro, Gabiel Attal, a prolongar o seu mandato por um ano, até haver hipótese de novas eleições (mas com poucos poderes efectivos).

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