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IST de Oeiras já tem no espaço nanosatélite totalmente desenvolvido e construído em Portugal

O primeiro nanosatélite universitário português seguiu, esta terça-feira, rumo ao Espaço, a bordo do novo foguetão Ariane 6. A ocasião é duplamente especial. O ISTSat-1 foi desenvolvido por estudantes e professores do Instituto Superior Técnico (IST). O ‘sonho’ que começou a ser desenvolvido em 2017 tornou-se realidade à ‘boleia’ do foguetão Ariane 6, que, depois de vários atrasos e adiamentos, finalmente levantou voo, marcando o regresso da Agência Espacial Europeia (ESA) aos lançamentos espaciais.

O primeiro nanosatélite universitário, produzido e desenvolvido em Portugal, no polo de Oeiras do Instituto Superior Técnico, foi lançado para o espaço esta terça-feira. No Átrio Central do Instituto Superior Técnico Polo de Oeiras, no Taguspark, vários membros da comunidade científica e estudantes marcaram presença na cerimónia apresentação do nanossatélite português, onde também foi assinado o protocolo que cria o Oeiras Valley Space Hub, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Oeiras, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA) e o Instituto Superior Técnico.

O ISTSat-1 – nome dado ao primeiro nanosatélite universitário – foi totalmente desenvolvido e fabricado em Portugal por uma equipa do Instituto Superior Técnico. O “pequeno cubo português”, que vai ter à prova a sua capacidade de detecção da presença de aviões em zonas remotas, rumou ao espaço, a bordo do foguetão europeu Ariane 6, na terça-feira, dia 9 de julho.

“Estamos certos que o lançamento deste ISTSat-1 foi um momento histórico, que será lembrado no futuro como um momento fundacional de tudo o que aprendemos na construção de um satélite em Portugal”, refere Rogério Colaço, presidente do Instituto. “É um momento de grande alegria para o Técnico e para o nosso país”, complementa, sublinhando que este evento marca, para Portugal, uma nova era na corrida ao espaço, 30 anos depois do PoSAT-1, o primeiro satélite português que entrou em órbita em 26 de setembro de 1994.

Há 16 anos a trabalhar neste projecto

Moisés Piedade, docente jubilado do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores do Técnico, falou sobre o projeto, cuja ideia remonta a 2008, há dezasseis anos. “É a primeira vez que fazemos um satélite do zero”, refere.

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“Fomos fazendo placas eletrónicas que envolvem muito software e hardware e neste momento o nosso satélite tem seis computadores a bordo”, explica. O dispositivo, que começou a ser construído em 2017, contou com o contributo de cerca de cinquenta pessoas, entre as quais vários professores e alunos do Instituto de ensino superior.

“A nossa visão foi, de facto, passar por todo o processo de desenvolvimento de sistemas para espaço. Conseguimos desenvolver uma série de áreas ensinadas no técnico para um objetivo comum, o que foi muito gratificante. Também é uma das razões por que nós achamos que o projeto é importante”, referiu Piedade.

Envolvimento de todos

Para o professor, uma das áreas chave deste projeto terá sido o envolvimento de alunos das diferentes áreas de especialização lecionadas no Instituto Superior Técnico. O processo de desenvolvimento e construção do pequeno aparelho espacial resultou em várias dissertações de mestrado e doutoramento. “São projetos que obrigam os alunos a falar uns com os outros das várias áreas, o que lhes adianta em termos de formação profissional”, explica.

O pequeno cubo – com arestas com 10cm – explora o potencial da nanotecnologia na eletrónica. Apesar do tamanho reduzido, Piedade refere que a tecnologia utilizada na produção do aparelho é bastante sofisticada. “Em termos de sistema de informação, eletrónica e telecomunicações é bastante avançado, o que nos dá algum orgulho”, afirma. O satélite foi entregue, ainda durante o mês de março, à Agência Espacial Europeia, depois de ter passado todos os testes e certificações exigidas. “Para nós, foi o ponto alto, foi o cumprir do objetivo”, reflete Piedade.

Só não construíram os painéis solares

Com exceção dos painéis solares, o ISTSat-1 foi desenvolvido integralmente por estudantes e professores do Técnico. Este pequeno cubo de 10x10x10, com arestas com 10cm, terá como missão testar a capacidade de detecção da presença de aviões em zonas remotas.

Carlos Fernandes, investigador do IST NanoSatLab, explica que o ISTSat-1 se enquadra na categoria dos NanoSats ou CubeSats: uma categoria que se foi tornando cada vez mais popular com a mudança do paradigma dos satélites.

“Há cerca de uma década, o paradigma dos satélites mudou”, detalha. “Nós estávamos habituados a satélites muito grandes – com um peso enorme, do tamanho de autocarros, e que eram lançados por empresas muito grandes com financiamentos enormes, com necessidade de lançadores muito potentes e muito complexos do ponto de vista de sistemas”.

Com o surgimento de uma nova tendência, chamada New Space, a democratização do acesso ao Espaço começou a ganhar mais força. “Em lugar daqueles satélites que têm múltiplas funções e que são lançados uma vez e que duram entre 15 a 20 anos, passou-se para uma outra filosofia em que os satélites passam a ser mais pequenos – podem ser até do tamanho de uma caixa de fósforos – mas com funções mais específicas, mais reduzidas ou mais limitadas”, explica. Aqui, a grande vantagem é que estes equipamentos, que servem funções específicas para determinados fins, podem ser lançados com custos muito mais baixos.

Colocado a 580 Km da Terra

Uma vez no espaço, o ISTSat-1 será projetado do foguetão de forma a cumprir a sua missão sozinho. O nanosatélite, que se irá encontrar a cerca de 580 quilómetros da Terra, terá por objetivo transmitir algumas estações terrestres, habilitadas pelo projeto, dados sobre o posicionamento de aviões, visíveis apenas a partir do espaço. “Os sinais enviados pelo satélite são enviados em canal aberto, podendo ser recebidos por radioamadores de todo o mundo. No entanto, apenas da estação-terrestre do Técnico conseguirá transmitir para o satélite e apenas a equipa do Técnico conseguirá configurar necessidades que surjam ou pedir diagnósticos mais finos da missão para além dos que poderão ser descodificados em canal aberto”, refere o comunicado. O aparelho espacial permanecerá no espaço durante um período de cinco anos até regressar à terra – esperando-se que seja incinerado ao entrar na atmosfera.

“Este projeto apresenta um sistema de engenharia que envolve várias componentes, desde engenharia eletrotécnica, engenharia mecânica, comunicações, protocolos e software. É um projeto multidisciplinar ótimo para ajudar a formar bons profissionais de engenharia e, portanto, algo que deve ser acarinhado na escola”, concluiu Rui Rocha, professor do Instituto e coordenador do projeto, também no comunicado.

Para além do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores do Técnico o projeto contou ainda com a colaboração do Instituto de Telecomunicações e do IST NanosatLab.

Protocolo com a Câmara de Oeiras

Para celebrar o lançamento do equipamento espacial, o Instituto Superior Técnico organizou um evento, que contou com a presença do ministro da Educação e do reitor da Universidade de lisboa e onde foi assinado um protocolo que cria o Oeiras Valley Space Hub, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Oeiras, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA) e o Instituto Superior Técnico.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, assim como o presidente do Instituto Superior Técnico, Rogério Colaço, recordam que o Município de Oeiras tem vindo a apostar numa estratégia para transformar concelho no maior ecossistema de inovação do País, através da criação de condições para atrair as melhores ideias e a melhor tecnologia, com a instalação de entidades e empresas de base tecnológica e de investigação, que estimulem a criação de empregos com alto valor acrescentado no Município.

Oeiras polo tecnológico de referência internacional

Segundo revelou Isaltino Morais, a Câmara de Oeiras, que pretende investir nos próximos 5 anos 40 milhões de euros na ciência e na investigação, tem aliado esforços com o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), vocacionado para o desenvolvimento de novos produtos e serviços para uma sociedade mais sustentável, em setores de elevada intensidade tecnológica, como é o caso do Espaço, e com o Instituto Superior Técnico (IST), que desenvolve no seu polo de Oeiras atividades de Investigação e Desenvolvimento e de ensino em diversas áreas de Engenharia que são essenciais como suporte a uma cadeia de valor no desenvolvimento de tecnologias para o Espaço.

Congratulando-se com o facto de o “Técnico lançar Oeiras para o espaço”, Isaltino Morais salientou que as três entidades estão a trabalhar no desenvolvimento de um plano estratégico que contribua para que Oeiras venha a ser um polo tecnológico de referência internacional na área do Novo Espaço. Esse projeto é o Oeiras Valley Space Hub.

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