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Lucília Gago descarta culpas na demissão de Costa

A Procuradora-Geral da República Lucília Gago deu uma entrevista na RTP1 e RTP3 esta segunda-feira, a três meses de terminar o mandato. A Operação Influencer, que acabou por levar à demissão do Primeiro-ministro António Costa em novembro do ano passado, e as duras críticas ao Ministério Público por parte do poder político, foram os temas mais importantes inqueridos à PGR que, até aqui, nunca tinha dado uma entrevista a um órgão de comunicação social e que raramente fala em público.

Lucília Gago recusou “responsabilidade inteira” no processo que envolveu o antigo primeiro-ministro e remete a demissão de António Costa para a sua “opção política pessoal”, garante que nunca pensou demitir-se e defende escutas prolongadas. Só lamenta o tempo de detenção dos envolvidos na investigação ao Governo Regional da Madeira.

A procuradora-geral da República rejeita “em absoluto” as críticas de que é alvo e garante que não pondera demitir-se, nem para preservar a instituição. Em entrevista à RTP, Lucília Gago fala numa “campanha orquestrada” contra a Procuradoria-Geral da República (PGR) e rejeita responsabilidade pela demissão de António Costa.

Numa entrevista conduzida por Vítor Gonçalves, que foi agendada antes do pedido dos deputados para prestar esclarecimentos na Assembleia da República, a procuradora declara que há “pessoas com responsabilidades de relevo na vida da nação” que fazem parte de uma campanha para denegrir a PGR. “Estou absolutamente consciente de que há uma campanha orquestrada”, declarou.

Sobre o controverso parágrafo do comunicado do Ministério Público (MP) que envolvia António Costa na Operação Influencer e que levou à demissão do então primeiro-ministro, Lucília Gago começa por admitir que o parágrafo foi concebido por ela própria, em conjunto com o gabinete de imprensa da PGR. “É da minha inteira responsabilidade a sua inclusão. Não o escondo”, declara.

A procuradora-geral da República alega que “ninguém iria perceber” e que se falaria numa “tentativa de branquear”, caso a referência a António Costa não tivesse sido feita. “Não acho, por questões de transparência, que devia ser omitida essa referência”, sublinhou.

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Lucília Gago admite que, quando redigiu o parágrafo, era “evidente” que se antevia “uma reação forte”, mas rejeita qualquer responsabilidade na demissão de António Costa, que diz ter feito a “avaliação pessoal e política” que entendeu da situação. No entanto, considera que a demissão não teria de ser a consequência mais direta, dando exemplo de outros casos parecidos “na Europa”, como o de Ursula Von der Leyen.

“O Ministério Público fez o seu trabalho. Com transparência, revelou o que tinha a revelar. Não tinha mais que se preocupar, não o deve fazer, com as consequências”, alegou a procuradora-geral.

Lucília Gago sublinhou que “ninguém disse” que António Costa era, à data, “indiciado ou sequer suspeito” da prática de crimes e insiste que o MP deve instaurar inquéritos sempre que há denúncias, como era o caso, que implicam alguém num eventual crime – mesmo que ainda não haja indícios fortes.

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