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NOS ALIVE inclusivo “dá música” aos surdos

O Passeio Marítimo de Algés já está pronto para receber os milhares de pessoas esperados, entre quinta-feira e sábado, para a 16.ª edição do Alive, que tem Arcade Fire, Dua Lipa e Pearl Jam como cabeças de cartaz. Este ano, pela primeira vez, oito surdos vão ter uma experiência multissensorial no festival NOS Alive, através do Colete das Emoções, que permitem sentir a música, numa simbiose com a Dua Lipa, numa parceria com a Acess Lab.

Arranca esta quinta-feira a 16ª edição do NOS Alive. Arcade Fire, Dua Lipa e Pearl Jam são alguns dos cabeças de cartaz do festival que decorre nos dias 11, 12 e 13 no Passeio Marítimo de Algés.

Na 16.ª edição, as atuações voltam a dividir-se entre os sete palcos espalhados pelo recinto, entre os quais um coreto, dedicado à música nacional, e um palco onde irão atuar apenas humoristas, revelou o promotor Álvaro Covões, da Everything is New, aos jornalistas antes de uma visita ao recinto, na qual foi possível comprovar que falta apenas afinar os últimos detalhes.

NOS ALIVE inclusivo "dá música" aos surdos
Foto: Sapo Mag – Ao centro e com micro – Álvaro Covões

No total serão “mais de cem atuações”, ao longo de três dias, num festival que “não vive só dos cabeças de cartaz”.

“Todos os artistas são artistas principais”, salientou Álvaro Covões, aconselhando o público a “olhar atentamente para o programa e fazer o seu roteiro, para não perder o que quer ver”.

Assumindo alguma dificuldade em destacar alguns nomes do cartaz, Álvaro Covões partilhou a vontade que tem em ver as atuações de bandas e artistas como Aurora, T-Rex, Jüra, Floating Points, Khruangbin, Nathaniel Rateliff & The Night Sweats, além de Pearl Jam, Arcade Fire, Smashing Pumpkins e Dua Lipa.

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Durante a visita de hoje ao recinto, as cantoras portuguesas Jüra, que atua na sexta-feira no Palco Clubbing, e Inês Apenas, que sobe ao Palco Coreto na quinta-feira, mostraram ao vivo um tema, cada uma.

O público – a lotação do recinto é de 55 mil pessoas por dia – é maioritariamente composto por portugueses, mas são esperados “cerca de 20 mil estrangeiros, de 71 nacionalidades diferentes, dos cinco continentes”.

Além de ser um “encontro de nações”, juntando “pessoas de todo o território nacional, portugueses que vivem lá fora e estrangeiros que chegam de todas as partes do mundo”, o NOS Alive quer-se também inclusivo.

“O Papa esteve neste recinto no ano passado, durante a Jornada Mundial da Juventude, e o ‘todos, todos, todos’ (expressão usada naquela ocasião pelo papa Francisco) aplica-se ao Alive”, referiu Álvaro Covões.

Entre quinta-feira e domingo, tendo em conta que o Alive termina já na madrugada de domingo, haverá condicionamentos de trânsito na zona de Algés. A PSP, num comunicado divulgado na terça-feira, aconselha os festivaleiros a que se desloquem para o evento com antecedência, “atendendo à elevada afluência de pessoas e aos procedimentos de segurança para o acesso ao recinto”, bem como a privilegiarem a utilização de transportes públicos.

Também a organização apela ao uso dos transportes públicos, tendo para isso montado “uma operação integrada com vários parceiros”. Segundo Álvaro Covões, na linha ferroviária que liga Lisboa a Cascais, que tem uma estação em Algés, haverá “prolongamento de horários e reforço de comboios”. O mesmo irá acontecer nas ligações de barco da Transtejo, entre Lisboa e a Margem Sul do Tejo.

Além disso, em parceria com a Carris, haverá autocarros a circular entre a Docapesca e três pontos de Lisboa: Estação do Oriente, Santa Apolónia e Marquês de Pombal.

“Ritmo” para surdos…

Este ano, a empresa de telecomunicações que é o principal patrocinador do festival desenvolveu um projeto dirigido a pessoas surdas, em parceria com a Access Lab. Além de serem disponibilizados coletes sensoriais, que permitem sentir a música, haverá legendagem de concertos em língua gestual.

No caso do concerto de Dua Lipa, marcado pela sexta-feira, a legendagem poderá ser acompanhada em ‘streaming’ a partir de qualquer ponto do recinto.

“Vamos ter uns coletes que estão ligados através de um terminal 5G” e que “vão receber um conjunto de informação áudio do que está a acontecer no concerto”, uma vez que o ‘feed’ vai ser convertido em sinais sensoriais para o colete, explicou Judite Reis, diretora de engenharia de redes da NOS, durante uma visita ao recinto, em véspera do arranque do festival.

Além disso, a pessoa irá receber a informação enviada e convertida em texto, através de uma aplicação no ‘smartphpne’ desenvolvida pela NOS Inovação, em que além de sentir a música, também pode ler o que está a acontecer (legendagem), o que inclui letras da música, a interação do músico com o público, e língua gestual portuguesa.

Ou seja, através do ‘smartphone’ pode ver a legendagem, língua gestual, enquanto o colete vibra consoante o ritmo da música.

Judite Reis adiantou que é utilizado 5G neste projeto-piloto para que tudo esteja sincronizado e que a rede está preparada para “garantida que estas comunicações não são interrompidas”.

A Access Lab “é uma empresa que trabalha muito em inclusão no mundo da cultura e das artes e é uma iniciativa para a qual uma equipa muito grande da NOS está há muito tempo a trabalhar de uma forma muito apaixonada”, acrescentou Margarida Nápoles, diretora de comunicação corporativa e responsabilidade social.

Coletes transmitem ritmos

Este projeto “nasce de um premissa base da NOS em colocar a tecnologia ao serviço das pessoas, onde ela pode ser mais relevante”, sublinhou Margarida Nápolses, sublinhando que “música é ritmo”.

E é “ritmo” que estes coletes “transmitem às pessoas”, além de permitir “uma liberdade total às pessoas, acompanhada de legendagem em termo real e língua gestual portuguesa”.

Esta combinação dos três fatores “dá liberdade” porque podem estar em qualquer ponto do recinto, e obter informação em tempo real, em “plena simbiose” com o que está a acontecer.

Para Pedro Berga, gestor de projeto da Acess Lab, esta é uma “experiência transformadora”, manifestando-se entusiasmado em “ter o ‘feedback’ como as pessoas reagem a estas ferramentas”, como a língua gestual, legendagem, se querem andar à vontade no recinto, entre outros.

Já Sebastião Palha, embaixador da comunidade surda para a Acess Lab, classificou o projeto como “interessante”, até porque dá mais liberdade a quem é surdo e evita que fique circunscrito a um espaço limitado à linguagem gestual.

“Estou com muita vontade de experimentar esta nova modalidade”, afirmou, referindo que foram escolhidos “diferentes perfis” entre as oito pessoas que vão viver a experiência.

Em suma, os coletes hápticos captam o som do concerto e emitem vibrações ao ritmo da música, ao que se acrescenta legendagem das músicas em tempo real, disponível na app criada pela NOS para o efeito e a interpretação de Língua Gestual Portuguesa (LGP).

Todas as informações sobre o festival, incluindo mapa do recinto e horários dos concertos, podem ser consultadas no site oficial do Alive, em www.nosalive.com.

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