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O que esteve em jogo na viagem de Lula da Silva à China

O presidente do Brasil Lula da Silva esteve nos últimos dias em Pequim com o líder chinês, Xi Jinping. Do encontro, que começou com uma cerimónia no Grande Salão do Povo, na capital chinesa, resultou uma lista de 15 novos acordos firmados entre os dois países durante a visita de Lula, totalizando 50 mil milhões de investimento, segundo a projeção do Ministério da Fazenda.

Entre os destaques, estão memorandos de entendimento entre o ministério chinês das Finanças e a Fazenda, para infraestruturas e parcerias público-privadas, e um protocolo para fabricar e operar satélites CBERS-6. De acordo com o governo brasileiro, o diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite a monitorização de biomas, como a Floresta Amazónica, mesmo com nuvens.

Outro acordo envolve a chinesa Huawei, que venceu o leilão realizado em 2021 para fornecer equipamentos para implantação da tecnologia 5G no Brasil. A empresa está a ser acusada pelos Estados Unidos de crime organizado e conspiração para roubar segredos comerciais através de tecnologia.

O que esteve em jogo na viagem de Lula da Silva à China
DR

Na área de interesse da agropecuária brasileira, foi assinado um plano de trabalho para a certificação eletrónica de carnes e um protocolo para a abertura aduaneira do mercado chinês para farinhas de suínos e aves.

“Nós queremos que a relação Brasil-China transcenda a questão comercial”, disse o governante brasileiro, ressalvando que a visita que ele fez à Huawei na véspera serviu para “dizer ao mundo que não temos preconceito na nossa relação com os chineses e que ninguém vai proibir que o Brasil aprimore a sua relação com a China”.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês acrescentou que Pequim “buscará um desenvolvimento de alta qualidade, acelerará a criação de um novo paradigma de desenvolvimento e promoverá uma abertura de alto nível”. “Isso abrirá novas oportunidades para o Brasil e países do mundo”, completa a nota, divulgada pelos media estatais daquele país.

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A China é o principal parceiro comercial do Brasil. O fluxo comercial entre a China e o Brasil totaliza atualmente 150,4 mil milhões de dólares por ano, tendo as exportações brasileiras para o país asiático atingido 89,7 mil milhões de dólares em 2022.


Brasil como mediador das relações tensas entre EUA e China

Em 2012, os dois países assinaram um plano de cooperação após Pequim ter atualizado a relação bilateral para uma “parceria estratégica global”.

Como ambos os países são membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), já era esperado que Xi e Lula discutissem o atual status e as perspectivas para a aliança, incluindo a relação próxima entre a China e a Rússia.

Além disso, o papel do Brasil como protagonista na América do Sul também pode tecer um efeito de equilíbrio contra as crescentes tensões entre a China e os EUA, pelo que diversos especialistas brasileiros defendem que é crucial tanto para a China quanto para os EUA manter boas relações com o maior país da América do Sul.

O Presidente brasileiro defendeu este sábado, antes de partir para os Emirados Árabes Unidos, que os norte-americanos devem parar de “encorajar a guerra” na Ucrânia e a União Europeia “começar a falar de paz”.

Desta forma, explicou, a comunidade internacional poderá “convencer” o Presidente russo, Vladimir Putin, e o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, de que “a paz é do interesse de todo o mundo”.

Lula, que voltou ao poder em janeiro, após dois mandatos entre 2003 e 2010, fez uma visita de dois dias à China para reforçar os laços económicos com o seu principal parceiro comercial. Aproveitou também a oportunidade para dizer que o Brasil estava “de volta” à cena internacional que espera ter um papel na mediação no conflito na Ucrânia.

O líder terá agora de gerir um delicado ato de equilíbrio entre os Estados Unidos, com os quais mantém fortes laços, e a China.

Ao contrário de várias potências ocidentais, a China e o Brasil nunca impuseram sanções financeiras à Rússia e ambos estão a tentar posicionar-se como mediadores.

O Presidente brasileiro está a promover a ideia de um grupo de países cujo objetivo seria trabalhar pela paz na Ucrânia, e antes da visita à China prometeu que este grupo seria “criado” quando regressasse a Brasília.

“É necessária paciência” para falar com Putin e Zelensky, disse. “Mas, acima de tudo, temos de convencer os países que fornecem armas, que encorajam a guerra, a parar”, acrescentou.

Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou na sexta-feira que a reunião entre os chefes da diplomacia brasileiro e russo, na segunda-feira em Brasília, terá como temas principais a guerra na Ucrânia e o desenvolvimento de potenciais parcerias.

Na primeira viagem do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, ao Brasil desde 2019, as duas diplomacias vão abordar “o potencial da parceria estratégica brasileiro-russa (…) e as perspetivas da cooperação em áreas de interesse comum, com foco em comércio e investimentos, ciência e tecnologia, meio ambiente, energia, defesa, cultura e educação, bem como o fortalecimento do diálogo político sobre temas bilaterais, internacionais e regionais”, indicou o Itamaraty em comunicado.

Sergei Lavrov estará em Brasília na segunda-feira, onde será recebido no Palácio Itamaraty pelo seu homólogo, Mauro Vieira.

“A visita também será ocasião para tratar do conflito na Ucrânia. O Brasil tem defendido, nos foros internacionais e em contactos bilaterais, a cessação imediata de hostilidades e a importância de conjugar esforços diplomáticos que facilitem o alcance de solução pacífica negociada”, acrescentou.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu viagem para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, ainda no sábado. Lula esteve reunido com o presidente e emir de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed Al Nayhan para o estabelecimento de várias parcerias comerciais. É a segunda vez que o presidente visita o país, sendo que a primeira foi em dezembro de 2003, durante o primeiro mandato presidencial.  

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