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Protecção Civil está preparada para combater os incêndios

Mais de 14 mil operacionais e 70 meios aéreos fazem parte do dispositivo diário deste ano para o combate aos incêndios florestais. O objetivo é “tentar estancar ao máximo” os incêndios quando estão na fase inicial. A informação foi dada pelo comandante nacional da Proteção Civil que garante estar tudo preparado para responder aos fogos

O comandante nacional de emergência e proteção civil garante que o dispositivo de combate está preparado para responder aos fogos de grande dimensão, mas o objetivo é “tentar estancar ao máximo” os incêndios quando estão na fase inicial.

“O que temos vindo a fazer é tentar estancar ao máximo e reduzir o número de incêndios que passam para o ataque ampliado maior dimensão e, se passarem para ataque ampliado, cá estamos nós com o dispositivo preparado, com a capacitação técnica, que o ataque ampliado hoje em dia exige”, disse André Fernandes, em entrevista à agência Lusa.

Numa altura em que os meios de combate a fogos rurais são reforçados e atingem a capacidade máxima, o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) sustenta que “o dispositivo está preparado”, mas considera que o cidadão também tem um papel importante ao adequar os comportamentos em relação ao uso do fogo.

“Quanto menos ignições existirem, menor é probabilidade de termos grandes incêndios e é aqui que nós temos vindo a ganhar também, não só com a especialização, com o trabalho que tem vindo a ser feito na prevenção e na evolução e adaptação do dispositivo, mas acima de tudo, os portugueses têm vindo a adequar os comportamentos face à situação dos incêndios rurais”, afirmou.

O responsável salientou também que as condições existentes e as alterações climáticas vieram mudar “um bocadinho o paradigma” em que “neste período crítico existe uma maior probabilidade de uma mínima ocorrência poder gerar uma grande ocorrência”. Por isso, frisou, o sucesso dos últimos anos tem sido o “ataque inicial musculado”.

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“Os incêndios apagam-se à nascença. Nós não podemos deixar crescer o incêndio, portanto o dispositivo está dimensionado face às condições existentes. O dispositivo que temos foi desenhado, está preparado para fazer face às condições que temos no nosso território, onde existe ainda uma grande carga de combustível”, precisou, destacando a importância da utilização dos meios aéreos, em conjunto com os terrestres, para “estancar logo à partida” um fogo.

Questionado sobre o aumento no investimento financeiro feito no combate e a desaceleração na prevenção, o comandante nacional respondeu que as condições atualmente existentes “ainda são, infelizmente, muito favoráveis à propagação de incêndios florestais”.

Maior investimento na prevenção

“Obviamente também concordamos que deve existir um maior investimento na prevenção, mas não à custa de um desinvestimento no combate. Quando tivermos um território totalmente preparado, resiliente ao fogo, com capacidades e os mosaicos na paisagem do ordenamento totalmente implementado, aí podemos analisar as condições existentes e eventualmente podemos reduzir ou adequar o dispositivo, seja aéreo ou terrestre, mas neste momento as condições existentes estão à vista de todos e temos ainda uma grande carga combustível”, observou.

André Fernandes considerou que as alterações que estão a ser realizadas no âmbito da prevenção de incêndios “demoram anos e décadas a serem feitas”.

O comandante nacional admitiu ainda ser “natural que nos próximos anos existam algumas alterações ao dispositivo, em particular ao aéreo”, sublinhando que é necessário a introdução de outra tipologia de meios, mas não sendo ainda possível quantificar e se vão “ser mais ou menos”.

“É por isso que o Estado português vai comprar dois ‘canadairs’ e temos a necessidade identificada de introduzimos os chamados grandes tanques do ponto de vista da aviação para descargas de água com maior capacidade, utilizando retardantes”, afirmou, acrescentando que a ANEPC está a fazer um trabalho em conjunto com a Força Aérea e com o apoio da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) no sentido também de perceber a adaptação dos C130 existentes.

André Fernandes referiu que é necessário adequar o dispositivo para “melhorar e maximizar face à realidade” das alterações climáticas. “Os dispositivos não estão finalizados”, concluiu.

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