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Família de burlão chinês já está em Lisboa a preparar vinda de Feng Shen

A todo o momento pode chegar a Lisboa, o ex-presidiário chinês Feng Shen que, presumivelmente, terá enganado as autoridades portuguesas para obter um visto gold em Portugal. Feng Shen terá causado burlas de milhões a cidadãos portugueses e chineses com promessas de “abrir portas”, depois de alegadamente ter cometido outras duas burlas.

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A  família de Feng Shen já está no nosso País. Ao que consta a preparar a vinda do burlão chinês que está a ser investigado pelas autoridades portuguesas por crimes de falsificação e burla e a quem terá sido atribuído um visto gold.

ORegiões tentou contactar os familiares do cidadão chinês, mas não obteve respostas até ao momento. Acompanhamos o desembarque no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, da mulher e dos dois filhos de Feng Shen e, posteriormente, tentamos falar com a família na residência na Quinta da Marinha, em Cascais. Apesar de se encontrarem casa, a senhora recusou-se a falar connosco, escondendo-se…

Feng Shen usou identidades diferentes para abrir contas no Banco da China, Banco de Construção da China, Banco Huaxia, Banco Minsheng, Banco de Poupança Postal, entre outros, para transferir grandes quantidades de fundos e também terá aberto uma conta numa sucursal de um banco europeu na China continental para fazer circular fundos.

As autoridades estão a investigar o caso deste cidadão chinês, condenado por crimes de falsificação e burla, a quem terá sido atribuído um visto gold. O homem terá alegadamente falsificado o registo criminal, onde constavam as condenações por burlas milionárias.

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Feng Shen deu entrada com um pedido de visto gold ao Estado português a 21 de Janeiro de 2018. Cerca de nove meses depois, em Outubro de 2018, conseguiu. Foi-lhe atribuída uma autorização de residência para actividade de investimento (ARI) com o número 16J057R89. Só que, na verdade, se Feng Shen tivesse dito a verdade sobre o seu registo criminal, esse visto gold nunca poderia ter sido emitido, porque no seu cadastro já abundariam várias condenações em processos-crime.

No final, Feng Shen não só terá burlado o Estado português, conseguindo um visto gold através de documentos forjados, como terá burlado portugueses e pessoas de outras nacionalidades que lhe terão entregado milhões de euros para negócios imobiliários e de outra natureza que nunca se concretizaram. Para isso, socorreu-se de documentos falsos e usou como isco um suposto cargo na ONU – que, afinal, também nunca terá passado de uma invenção.

A partir de Julho de 2020, o homem apresentou-se junto de cidadãos alegadamente burlados nesta história como “Director Executivo do Escritório Europeu das Nações Unidas”, mas uma consulta ao site oficial da ONU revelou que esse departamento nem sequer existe. Feng Shen, cobrou, durante cerca de dois anos, comissões milionárias para tentar vender “facilidades”, “acessos” e até “casas” que não lhe pertenciam.

O homem, que se encontrará neste momento na China, acabou por ser desmascarado e começou a ser investigado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ainda em 2020, por suspeitas de ter usado identidades falsas e entregado documentos forjados para conseguir um visto gold em Portugal, porta de entrada para a livre circulação pela Europa.

O pedido de autorização de residência para investimento terá sido acompanhado de um certificado de um notário chinês a comprovar que, até 12 de Setembro de 2018, Feng Shen não tinha qualquer registo criminal “durante a sua residência na República Popular da China”. A partir do momento em que um notário faz essa certificação, o documento é carimbado pelas autoridades consulares até chegar com esses carimbos ao antigo SEF, dando a entender que aquele requisito para obtenção de visto gold está cumprido.

Em 2000, Feng Shen terá sido condenado por angariação ilegal de fundos em Zunyi, província de Guizhou; em 2007 e 2008, na mesma província, pelos crimes de angariação ilegal de fundos e fraude; e da última, em 2011, exactamente pelos mesmos dois crimes. Em Portugal, esses crimes são punidos com pena de prisão superior a um ano, razão pela qual Feng Shen nunca conseguiria um visto dourado para residir em Portugal.

A obtenção desse visto gold tornar-se-ia também a porta de entrada para a sua família: a mulher, Beibei Yu, e os dois filhos, Ruxin Shen e Yicheng Shen, também terão conseguido vistos dourados. Só os sogros não terão conseguido que as suas candidaturas fossem aprovadas.

Veja a nossa Notícia anterior de Feng Shen

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