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Indústria portuguesa preocupada com as tarifas de Trump

A indústria automóvel e a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal estão preocupadas com o anúncio do presidente norte-americano de tarifas recíprocas. Do ponto de vista dos industriais portugueses: “No cenário atual, um bom ano já não é crescer, é manter (o nível de 2024), mas isso significa necessariamente ajustes na produção com consequências no emprego”.

O “Dia da Libertação” chegou, segundo o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), ao anunciar as novas tarifas aduaneiras recíprocas globais. Donald Trump vê as tarifas como uma forma de impulsionar a produção industrial dos EUA, pois a única forma de as evitar é produzir localmente.

O resto do mundo tem um ponto de vista distinto. É opinião geral que o impacto destas novas tarifas aduaneiras vai ter consequências económicas graves globais. A dimensão dessas consequências ainda é difícil de calcular, pois nos próximos dias deverão ser anunciadas medidas retaliatórias por parte dos países ou blocos económicos afetados.

“Lamento profundamente esta escolha. Vamos ser claros sobre as imensas consequências. A economia global vai sofrer de forma maciça. A incerteza vai espiralar e despoletar mais protecionismo. As consequências serão terríveis para milhões de pessoas à volta do globo”, afirma Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Em Portugal são vários os sectores que estão preocupados com as consequências das taxas Trump. A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal está preocupada com o anúncio do presidente norte-americano de tarifas recíprocas. O mesmo pensa o sector automóvel.

O mercado dos Estados Unidos é o quarto destino das exportações do têxtil. Por isso, há alarme dentro do setor, e uma subida de preços poderá ser inevitável.

Os EUA são o principal parceiro comercial extracomunitário de Portugal, com o peso das exportações de bens para os EUA a representar 2% do PIB em 2023. Contudo, a orientação da política comercial da nova administração dos EUA aumenta as barreiras à entrada de bens nacionais no país, nomeadamente o aumento de direitos aduaneiros sobre a importação de bens.

Os mais afectados

Neste contexto, o Banco de Portugal (BdP) estimou o grau de exposição da economia e das empresas portuguesas ao mercado norte-americano, concluindo que os setores nacionais que se encontram mais em perigo face às tarifas alfandegárias da administração de Donald Trump são os do fabrico de têxteis, de fabricação de produtos minerais não metálicos (que inclui  vidro, produtos cerâmicos e cimento), as indústrias das bebidas, dos equipamentos informáticos, de comunicações, eletrónicos e ótica e indústria do couro.

Em todos estes sectores fortemente exportadores, a percentagem de empresas com exposição relevante ao mercado norte-americano varia entre 8% a 12%, detalha um estudo divulgado no novo boletim económico do banco central governado por Mário Centeno.

O BdP explica que “perto de 70% do valor dos bens exportados por Portugal para os EUA enfrentam tarifas entre 0% e 2%”, no entanto “6% do valor das exportações está afetado por tarifas iguais ou superiores a 10%”.

Assim, “o impacto sobre as exportações portuguesas de um eventual agravamento das tarifas dos EUA dependerá de fatores como a magnitude do aumento das taxas aduaneiras sobre cada tipo de bem e o peso destes nas exportações de Portugal para o mercado dos EUA”.

Além disso, “a reação das empresas exportadoras, num contexto dinâmico em que se procuram novos mercados e em que existem alterações nos níveis de rendimento dos consumidores e nos preços relativos dos bens transacionados internacionalmente, determinará também o impacto das novas tarifas”, acrescenta o banco central.

Aumento de preços

Na prática, isto significa que com a imposição de tarifas, “o consumidor americano observará um aumento do preço dos bens e consequentemente reduzirá a quantidade procurada”. Segundo o BdP, as empresas exportadoras poderão mitigar esse efeito reduzindo os seus preços de venda, comprimindo a sua margem de lucro, ou, nos casos de empresas multinacionais, outra estratégia de resposta pode ser a criação de capacidade produtiva nos EUA.

Contudo, apesar da redução dos custos de transporte até ao consumidor final, “a deslocalização da produção implica uma alteração da estrutura de custos que pode não ser compatível com o aproveitamento das vantagens comparativas, tornando esta opção inviável”, alerta.

A acrescentar as empresas podem também ser afetadas por via indireta, quer pelas alterações nos preços praticados pelos seus concorrentes nos vários mercados ou através de alterações nas cadeias de abastecimento e custos de produção.

“Os efeitos de alterações tarifárias, que podem ser ampliados por medidas retaliatórias, serão negativos para as exportações e para o bem-estar agregado das economias” e “exigirá uma adaptação por parte das empresas e das políticas públicas”, alerta o estudo.

Aumento de 25%

Nos cenários avançados pelo banco central, prevê-se um aumento de 25% das tarifas impostas pelos EUA, em particular, sobre os bens importados da União Europeia, acompanhado por uma retaliação de igual magnitude por parte dos países afetados.

“Este aumento das tarifas poderá resultar numa contração acumulada do PIB da área do euro entre 0,5% e 0,7% ao fim de três anos, com um impacto mais significativo no primeiro ano”.

Já quanto aos efeitos sobre a economia portuguesa, o BdP estima uma redução do PIB próxima de 0,7% ao fim de três anos e mais concentrada no primeiro ano.

Além dos efeitos diretos da imposição de tarifas, “o ambiente de maior incerteza, com repercussões negativas na confiança dos agentes económicos fruto da imprevisibilidade de futuras políticas comerciais, da sua escala e duração, da possibilidade de medidas retaliatórias e da volatilidade induzida nos custos de produção e nos preços dos bens” pode também resultar numa “redução do investimento e do consumo privado”.

Neste quadro, “o impacto global dos choques considerados aponta para uma redução cumulativa do PIB em torno de 1,1% no final de três anos, com os efeitos concentrados nos primeiros dois anos”, refere ainda o banco central governado por Mário Centeno.

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