A ideia deste texto surgiu duma interessante crónica publicada em ORegiões, sobre a morte de Jim Morrison, vocalista dos Doors. O autor refere uma visita ao cemitério Pierre-Lachaise, em Paris, onde o cantor está enterrado, rodeado de símbolos que nos transportam para a década de 70. Todos os anos, em 3 de julho e 8 de dezembro, o seu nascimento e morte são celebrados com peregrinações que recordam um personagem envolto em mistério, que passa, como foi referido na citada crónica, pela causa da sua morte… se é que o Jim de facto partiu…
Também visitei o célebre e histórico cemitério, já lá vão mais de quarenta anos. Desorientado, procurava o local onde repousa essa voz quente e sofredora, escondido entre famosos escritores, músicos e outras personalidades, uma autêntico museu em céu aberto, como Guillaume Apollinaire, Honoré de Balzac, Maria Callas, Frédéric Chopin, Jean de la Fontaine, Molière, Yves Montand, Jean Moulin, Edith Piaf, Marcel Proust, Marie Trintignant, Oscar Wilde. Salvou-me uma senhora que, ao reparar no álbum (de vinil, claro) que trazia
debaixo do braço, lançou “vous cherchez la tombe de Monsieur Morrison, n’est-ce pas?”, e apontando com o dedo num passo de dança,recitou “Quand je serai parti, ne me cherche pas derrière le froid marbre d’une tombe, cherche-moi parmi les roses” (ainda não consegui encontrar onde escreveu Jim estes versos, estarão numa música, num
livro ou num grafite?).
Mais adiante, lá estava o busto do mais famoso membro do Clube dos 27, envolto em flores, restos de charros, riscos com nomes de fãs ou meras frases nostálgicas, numa amálgama que, segundo sei, agora os funcionários do cemitério conservam mais limpo.
Clube dos 27 é um clube mórbido, que tenta assinalar o facto de diversos músicos, famosos, terem falecido aos 27 anos. O primeiro terá sido Robert Leroy Johnson, cantor, compositor e guitarrista norte americano de blues, um dos músicos mais influentes do Mississippi, Muddy Waters que o diga, que o considerava “o mais importante cantor
de blues que já viveu”. Terá morrido envenenado por whisky estragado, ou talvez de sífilis, quem sabe se não terá sido assassinado com arma de fogo. No seu certificado de óbito apenas aparece “indica No Doctor” (sem médico) como causa da morte.
Mas foi entre 1969 e 1971 que o mito nasceu, com Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, e Jim Morrison a partirem nesses dois anos. Mais tarde, Kurt Cobain, suicidou-se em 1994 e “o lançamento do conceito do Clube” afirmou-se numa declaração da mãe de Cobain, Wendy Fradenburg Cobain O’Connor, citada no jornal The Daily World, e subsequentemente levado mundialmente pela Associated Press: “Agora ele foi-se e juntou-se aquele clube estúpido. Eu disse-lhe para não se juntar aquele clube estúpido”. Em 2011, dezassete anos depois da morte de Cobain, Amy Winehouse morreu aos 27 anos, levando a um renovado crescimento de atenção dos media ao Clube dos 27. Já que falamos de mitos urbanos, a suposta morte de Paul McCartney, “Paul is dead”, é uma lenda onde se alega que o músico morreu em 9 de novembro de 1966 num acidente automobilístico e foi secretamente
substituído por um sósia. Nem calculam a quantidade de “sinais” nesse sentido que se “descobrem” nas capas e nas letras de álbuns dos Beatles.
Querem mais? Os Pink Floyd fizeram mesmo um tributo ao Feiticeiro de Oz? Elvis Presley está vivo? Hotel California, da banda Eagles, contem mensagens subliminares sobre satanismo? E por aí fora…