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É o que está a dar! A Alemanha anda nas bocas do mundo!

Não por causa dos seus adorados automóveis, mais resistentes, duradouros e fiéis que muitas relações e casamentos de êxito e de exemplar eleição

Não por causa dos seus adorados automóveis, mais resistentes, duradouros e fiéis que muitas relações e casamentos de êxito e de exemplar eleição
Foto: Paulo Onofre

Ou o famigerado festival de „Wacken Open Air 2024“, agendado de 31 de julho a 03/08

Não pela „Oktoberfest“ da cerveja, em Munique, de 21 de setembro a 6 de outubro.

Nem pelo seu vinho e espumante, desconhecidos pelos demais, mas de considerável a invejável qualidade.

É a bola o que está a dar. É o sonho dos organizadores, de repetirem em 2024 o conto de fadas de verão do mundial de 2006, „Das Sommermaerchen“ .

Nesse estio de calor tropical, a seleção germânica passava por uma esplêndida vitalidade e engenho de jogo combinado e perigosíssimas bolas, flanqueadas até à área dos 6 metros.

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Os fãs, extasiados num sui generis bem-estar, confraternizavam com o mundo inteiro, nos estádios e nas praças de vídeos gigantes com dezenas de milhares de consumidores, felizes pelos jogos, nadando em rios de cerveja, celebrando novas amizades, dando corpo ao mote, „Na Alemanha, em casa de amigos“.

Para os anfitriões, a festança foi de arromba, apesar do terceiro lugar, após claudicarem perante o depois consagrado campeão mundial.

A Bola de Berlim, a inesperada alegria alemã chegou às tvs do globo e chocou deveras as hostes do vencedor que de Itália fizeram saber:

„Ehhh, porquê tanto cháiu, aí em Berlim? Os campeões somos nós!“

Os fãs anfitriões de hoje são em grande parte, os mesmos de outrora, mais entradotes, mas acompanhados dos que eram bebés, pequeninos e adolescentes, teenagers de 2006.

A aspiração de renovarem e reviverem inesquecíveis momentos, desta feita, coloridos e regados com um primeiro lugar europeu, que já lhes foge desde 1996 na Inglaterra, é mais do que óbvia.

É ainda assim, para uns, um talvez, e de pés assentes no chão, comentam: “Hmmm, não sabemos ao certo! Ainda não estamos bem convencidos!“ e para outros, muitos menos, mas sempre seguros de si, vai de uma espécie de, „É agora, somos nós! Desta vez, é canja!“ até a uma arrogante tirada, ao azo de: „Olha, estás a falar com o futuro campeão europeu e mundial!

A nossa vida é feita de sonhos e enquanto se sonha o coração pula mais forte e sentimo-nos imbatíveis. A Alemanha anda nas bocas do mundo.

E o mundo que tanto mudou, parece querer fazer-nos esquecer, com a bola de 51 joguitos, o que é a verdade e a verdade é que temos uma guerra de quase dois anos e meio à porta da Europa Ocidental. Temos uma guerrilha israelo-árabe no Próximo Oriente com séculos de idade, temos conflitos locais em todos os continentes e temos uma indústria armamentista que não pára de esfregar as mãos.

Mais de 120 milhões andam de fronteira em fronteira, em fuga; querem uma vida nova e lançam-se a pé por caminhos sinuosos, estradas, montes e vales. Embarcam à boleia ou em comboios e aviões e entram em barcos e botes de segurança duvidosa.

Para quem regressa à Alemanha de hoje, no intuito de viver à flor da pele, este EURO 24, dos oitavos-de-final até à final, este país não é mais o mesmo, de A a Z.

O verão faz-nos partidas com chuvadas diluvianas, mesmo que só por 30 minutos ou poucas horas. Os preços de certos artigos, parecem japoneses para alguns. Os comboios primam por nem sempre serem os da tal alta velocidade prometida até às partidas adiadas e chegadas hiperatrasadas a encontros desencontrados.

Onde raio está a Alemanha dos campeões mundiais da organização? A Alemanha daqueles que em 2009 atiravam bocas à África do Sul: „Vocês não atinam com o Mundial? Não faz mal! Nós organizamos!“

Os adeptos caseiros tentam o máximo para salvarem a honra do burgo e superarem o conto de fadas do verão de antigamente. Mas o verniz estalou. O contraste fere a vista e os ouvidos.

As grafites feias, acumulam-se aos milhões em muros, pontes, paredes, túneis e viadutos. São frutos da frustração pessoal. A demolição da propriedade social comum, os mal-entendidos entre certos peritos da agressividade, têm o seu apogeu em confrontos com os piquetes policiais.

Tudo isto aumentou. Acidentes absolutamente evitáveis, ataques à paz pública são diários nas metrópoles alemãs. Os bairros na periferia das estações centrais ferroviárias, não são de fiar.

„São fenómenos mundiais!“, comentam ao microfone desligado, políticos e autarcas de profissão. Pode ser ou será assim, mas estamos aqui e somos apenas responsáveis por estes locais que são os nossos. Aqui, na República Federal da Alemanha, hoje.

Não há um dia sem atentados a terceiros, ferimentos graves, violações e mortes. Com facas, catanas, marretas, machados, revólveres ou ao murro e pontapé. Os atores da contenda são crianças da ante-puberdade a adultos de idade aposentada.

Por vezes, isto acontece, também, por causa da bola. Não é o que está dar. É o que está para se evitar.

Mesmo com regras de arbitragem, perfeitamente ridículas, sejamos pela paz!

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Paulo Onofre
Paulo Onofre
Colaborador do regiões desde a fundação. Correspondente internacional do regiões em Alemanha. Paulo dedica-se a manter-nos atualizados com notícias sobre a política alemã e o turismo daquela região.

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