Em conversa com a mulher que faz o favor de dividir a vida comigo tive a oportunidade de aprender mais uma lição. O mundo não está construído à imagem de cada um de nós, nem todos os que nos sorriem desejam a nossa felicidade e muitos dos que nos ouvem não querem o nosso bem. É por isso que devemos ser seletivos nas nossas amizades e controlados na forma como no expomos.
Gosto muito de ter razão, mas gosto ainda mais de me sentir mais “rico” quando concluo que aumentei a profundidade do meu conhecimento. Fico ainda mais satisfeito, quando reforço a certeza na minha tomada de decisão e com um orgulho sem limite, por ela me ter permitido que eu a escolhesse para ser minha companheira.
Está bem, já sei que devem estar a dizer que aumentei o meu conhecimento, mas que provavelmente não aprendi nada, pois se isso tivesse acontecido, a nossa conversa não teria sido exposta e não teria dado o mote a esta crónica.
Talvez tenham razão, mas confesso que tenho dificuldade em lutar contra aquilo que sou. Estou consciente que alguns dos que me leem apenas o fazem para tentar usar essa informação contra mim mas, por mais prejuízo que isso me traga, não será por causa deles que irei mudar a minha essência. Admito e assumo a minha ingenuidade, mas prefiro ser prejudicado por ser quem sou, do que “correr o risco” de ser beneficiado por me querer passar por aquilo que não sou.
Estou consciente que aquilo que não é do conhecimento público não pode ser estragado e que, por causa disso, tenho que concordar com a afirmação que o segredo é a chave da felicidade, mas também sei que quando o sentimento é genuíno e os projetos de vida se constroem com base na verdade e na paixão, os pilares não abanam e as dúvidas limitam-se a ser o início da construção das certezas.
E para que não fiquem dúvidas, verdade e paixão no amor, mas também na vida profissional, nas relações de amizade, nos gostos pessoais ou nos novos projetos que se vão construindo.
Bem sei que, num mundo cada vez mais negro, a felicidade pode gerar invejas e ódios, mas esse é apenas o reflexo da essência de cada um, e diz mais do carácter de quem inveja, do que quem se expõe.
Com esta exceção, prometo passar a ter mais cuidado com a partilha da minha felicidade. Ou então não, porque isso seria dar crédito a quem não o tem. E a verdade é que enquanto sentir que aqueles que gostam de mim são infinitamente mais importantes que aqueles que não gostam, não mudarei uma vírgula àquilo que sou.