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Exportações de Têxteis

Exportações de têxteis e metalomacânica batem recordes

Em 2022, as exportações das empresas do sector têxtil e vestuário voltaram a bater um novo recorde absoluto, com mais de 6 mil milhões de euros. Também as exportações portuguesas de metalurgia e metalomecânica atingiram em 2022 um novo recorde de 23.080 milhões de euros, mais 16,1% que em1 202.

As exportações portuguesas de têxteis e vestuário registaram em 2022 um valor recorde de 6.122 milhões de euros, mais 13,1% face a 2021 e 17,4% acima de 2019, mas recuaram em volume, segundo a associação setorial.

Em comunicado, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) avança que “no ano de 2022 as exportações de têxteis e vestuário ascenderam a 6.122 milhões de euros, um resultado nunca antes alcançado, tendo este setor aumentado o valor exportado em 13% quando comparado com o ano de 2021”.

“No entanto, em quantidade, as exportações registaram uma quebra anual de quase 1%, sobretudo devido a uma forte contração (-11%) vivenciada no último trimestre do ano”, acrescenta a associação.

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De acordo com a ATP, “este diferencial entre valor e quantidade é justificado em grande medida pelo aumento generalizado dos custos de produção, em particular, devido ao aumento dos preços de energia, com especial destaque para o gás natural”.

“A instabilidade e a incerteza provocada pela guerra na Europa, que trouxe consigo graves consequências no mercado energético e originou uma inflação generalizada nos preços dos bens, dos serviços e um aumento das taxas de juro, teve forte impacto no rendimento disponível, no consumo e na procura das famílias, em particular nos bens não essenciais”, afirma o presidente da associação.

Segundo Mário Jorge Machado, como resultado foi-se “assistindo a uma desaceleração da procura ao longo do ano, com implicações na produção e nas exportações deste setor”.

Neste contexto, para a ATP, 2022 é um ano com “um resultado histórico”, mas de “sabor amargo”.

Em termos de grandes categorias de produtos, em volume Portugal exportou menos 0,3% de matérias têxteis (menos 894 toneladas), menos 3,3% de vestuário (menos 3.118 toneladas) e menos 0,1% de têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados (menos 77 toneladas).

Ainda assim, a indústria têxtil e de vestuário portuguesa conseguiu crescer em valor e em quantidade em alguns mercados, como França, para onde exportou mais 21% em valor e mais 7,7% em quantidade, e de Itália, para onde vendeu mais 17% e mais 25%, respetivamente.

Já nas vendas para Espanha, principal destino das exportações do setor, Portugal recuperou “algum do valor perdido” em 2020, tendo crescido cerca de 3% face a 2021.

“Mas ainda estamos aquém dos valores exportados em 2019. Em quantidade, em 2022, exportámos menos 4,4%”, ressalva o líder da ATP.

Quanto aos mercados que registaram maiores quebras em valor, destaque para a China (menos 8,5 milhões de euros, -13%) e Rússia (menos 5,7 milhões de euros, -69%).

No ano passado, a balança comercial do setor têxtil e vestuário português fechou com saldo positivo de 696 milhões de euros e uma taxa de cobertura de 113%.

Exportações de metalurgia e metalomecânica

Por outro lado, em 2022, as empresas do Metal Portugal venderam ao exterior 23.080 milhões de euros, apresentando um crescimento de 16,1% face a 2021, acumulando os sete melhores meses de sempre e seis registos acima dos 2.000 milhões de euros”, destaca a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) em comunicado.

“Assim — acrescenta — se 2021 era até agora o melhor ano de sempre, 2022 ocupa agora esse lugar, superando o valor atingido no ano anterior em 3.194 milhões de euros”.

Apenas no mês de dezembro de 2022, as exportações portuguesas do setor somaram 1.706 milhões de euros, 10% acima de dezembro de 2021.

Apesar dos bons resultados obtidos, a associação considera que, “na atual conjuntura, as perspetivas para o primeiro trimestre de 2023 têm, obrigatoriamente, de seguir critérios muito cautelosos” e avisa que, “para que o Metal Portugal continue a ser o motor e o balão de oxigénio da economia e da sociedade portuguesa, é imperativo que se adotem medidas que permitam mitigar alguns dos grandes obstáculos”.

“Neste contexto de crise global, as empresas do Metal Portugal continuarão resilientes e a dar provas de que sabem utilizar as características que melhor as diferenciam para desbravar e conquistar novos mercados. Não obstante, é conhecido o importante impacto direto e indireto que o setor tem em toda a economia nacional e é urgente que se adotem medidas suficientemente competentes para mitigar os grandes obstáculos”, sustenta o vice-presidente executivo da AIMMAP, citado no comunicado.

Concretamente, Rafael Campos Pereira considera “fundamental que o Governo português se associe ao seu homólogo espanhol, pedindo à Comissão Europeia que prolongue até ao final de 2024 a exceção ibérica que abrange Portugal e Espanha desde 15 de junho de 2022, a qual estabelece um preço máximo no gás para a produção de eletricidade”.

Adicionalmente, e “num contexto em que a atual conjuntura leva a que as empresas enfrentem estruturas de custos incomportáveis”, o dirigente associativo reitera que “a prometida e sucessivamente adiada reforma fiscal iria permitir aliviar de forma justa e expressiva os encargos que as empresas suportam para simplesmente exercer a sua atividade e criar riqueza para todo o país”.

Deste grupo de países, e isolando os três principais mercados do Metal Portugal — Espanha, França e Alemanha — a AIMMAP destaca este último, com uma taxa de crescimento de cerca de 23%, “refletindo a aposta” feita pela associação nestes mercados, onde “há quase 20 anos promove diversas iniciativas”

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Alfredo Miranda
Alfredo Miranda
Jornalista desde 1978, privilegiando ao longo da sua vida o jornalismo de investigação. Tendo Colaborado em diferentes órgãos de Comunicação Social portugueses e também no jornal cabo-verdiano Voz Di Povo.

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