Pedro Nuno Santos, com o seu habitual ar de quem traz a solução para todos os problemas do país, apresentou recentemente o novo programa eleitoral do Partido Socialista, e a palavra que mais o caracteriza é, sem dúvida, “confusão”.
Se alguém tivesse a ousadia de pedir um saco de gatos e a cartola de Nuno Santos, veria surgir uma colecção de promessas que, mais do que medidas concretas, parecem mal organizadas e mais pensadas para alimentar as ambições eleitorais do que para resolver problemas reais. Aliás, se não fosse o facto de estarmos em plena campanha eleitoral para as legislativas, até poderíamos acreditar que algumas destas promessas são mais do que palavras ao vento. Mas a verdade é que, com tantas incoerências e propostas desencontradas, fica claro que o programa do PS não passa de uma salganhada que nada mais faz do que alimentar a retórica populista.
Vamos às propostas. O IVA zero para alimentação é uma das principais bandeiras do programa, uma medida que os socialistas já tinham tomado no passado e que, surpreendentemente, Pedro Nuno Santos agora promete tornar “permanente”. Sim, permanentemente! E quem, na sua mente estratégica e meticulosamente calculada, não ficaria encantado com a ideia de um IVA zero permanente para produtos alimentares? Só que a grande questão é: o que está realmente por trás disso? Em que ponto os cálculos falham? Qual o impacto real de uma medida como esta na economia? Ou será que estamos apenas a discutir uma boa jogada de marketing eleitoral?
Além do IVA zero, Pedro Nuno Santos também prometeu a redução do horário de trabalho e apoio à renda, entre outras sete medidas “prioritárias”, que mais parecem um espólio de ideias recicladas de outros tempos e que soam a promessa de campanha mais do que a uma estratégia sólida de governação. A grande questão que fica, no entanto, é: qual o valor real destas promessas quando nada parece indicar que o PS tenha uma estratégia clara para implementá-las? A resposta parece óbvia – estamos perante mais uma encenação de campanha, uma cortina de fumo para distrair a opinião pública enquanto o verdadeiro debate sobre o futuro do país é deixado para segundo plano.
Além disso, a proposta de usar os lucros da Caixa Geral de Depósitos para investir em habitação e aumentar os abonos de família é uma verdadeira carta de alforria para as promessas populistas. Tudo isso são medidas simpáticas que facilmente seduzem a população, mas que carecem de uma análise mais profunda. Será que o PS tem, de facto, um plano sustentável para o setor da habitação, ou estamos a assistir apenas a mais um apelo vazio a uma solução rápida? E quando se fala em 500 euros em certificados de aforro para todas as crianças nascidas em 2025, que mensagem é esta que o PS tenta passar? Em vez de soluções para um sistema de saúde mais robusto ou um ensino público que prepare os jovens para os desafios do futuro, o foco parece estar em criar uma ilusão de prosperidade a curto prazo.
É, portanto, legítimo questionar: será que as propostas de Pedro Nuno Santos são mesmo aquilo que o país precisa ou são apenas um pacote de promessas que não vão além da campanha eleitoral? A dúvida permanece. As medidas podem até ser populares, mas não são concretas, não apresentam transparência suficiente para gerar confiança. E, num país farto de promessas não cumpridas, a única coisa que nos resta é perguntar: o que é que realmente está por baixo deste saco de gatos?