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Morreu Aga Khan, líder dos muçulmanos xiitas ismailis

Morreu o príncipe Karim Aga Khan IV, esta terça-feira, aos 88 anos. O líder dos muçulmanos xiitas ismailis e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) encontrava-se em Lisboa, onde acabou por morrer rodeado de familiares. Considerado como um “Deus na Terra” para milhões de fiéis, o príncipe integrava também a lista dos homens mais ricos em todo o mundo

Morreu esta terça-feira em Lisboa o príncipe Aga Khan, fundador e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN), e líder dos muçulmanos xiitas ismailis, confirmou à Lusa fonte oficial do imamat ismaili. Tinha 88 anos.

A comunidade que representava é um ramo minoritário do islão xiita, com origem no Médio Oriente há mais de mil anos, mas hoje está sobretudo presente na Ásia do Sul e através da diáspora na Europa e América do Norte.

Em Portugal existem alguns milhares de ismaiilis, vindos de Moçambique após a independência da ex-colónia portuguesa. Têm em Lisboa há vários anos um centro cultural na zona das Laranjeiras.

Discreto, tido como uma das pessoas mais ricas do mundo, Aga Khan IV nasceu a 13 de dezembro de 1936 na Suíça, filho do príncipe Aly Khan e da princesa Tajuddawlah Aly Khan. Cresceu no Quénia, frequentou a Le Rosey School, na Suíça, durante nove anos, e licenciou-se depois em Harvard, nos Estados Unidos.

Definiu-se como um “otimista mas cauteloso”, alguém que não sendo um homem de negócios aprendeu a sê-lo, que acreditou que a pobreza existe, mas não é inevitável. E nas palavras de amigos foi alguém que nunca bebeu nem fumou e que dedicou muito do seu tempo ao trabalho e a visitas à comunidade.

A Rede Aga Khan para o Desenvolvimento tem atividades em Portugal e no estrangeiro na área da cultura, da moda e dos festivais, da educação, com apoio a universidades, do ambiente, a ajudar a preservação de sítios, da área social, da sustentabilidade ou da saúde.

O sucessor

O anúncio de seu sucessor será feito em breve, de acordo com a fundação Aga Khan que criou em 1967, 10 anos depois de ascender ao IsmailiImamat. Poucos anos depois, em 1983, essa mesma fundação passou a ter sede na Lapa, em Lisboa.

O príncipe Karim Aga Khan deixou quatro filhos de dois casamentos: três homens e uma mulher. A escolha do novo líder da comunidade ismaelita, que vive espalhada pelo mundo, recairá sobre um dos três filhos homens: Hussain, Rahim e Aly, sendo o mais velho a assumir a liderança – O príncipe Rahim Al-Hussaini Aga Khan V, de 53 anos.

Morreu Aga Khan, líder dos muçulmanos xiitas ismailis

Foto: Aga Khan Development Network / X – Rahim Al-Hussaini Aga Khan VHussain Aga Khan, nasceu em Genebra (Suíça), em 1974, e preside ao comité executivo da Agência Aga Khan para o Habitat (AKAH), onde se dedica sobretudo à redução do risco de desastres e gestão de emergências na Ásia Central, Paquistão e Índia.

Faz também parte da administração do Fundo Aga Khan para a Cultura (AKTC), dedicado ao ambiente construído e ao restauro do património cultural e integra o comité da AKDN para o Ambiente e o Clima, que trabalha em questões ambientais e no impacto das alterações climáticas.

Enquanto fotógrafo da vida selvagem, tem participado em várias expedições e dedica a maior parte do tempo à fotografia subaquática. É fundador da ‘Focused on Nature’, uma organização dedicada à conservação e proteção de espécies ameaçadas e em perigo, e aos esforços de conservação dos habitats.

Hussain Aga Khan formou-se no Williams College, em Massachusetts (EUA), com um bacharelato em Artes. Em 2004, obteve um Mestrado em Relações Internacionais pela Escola de Relações Públicas e Internacionais de Columbia, tendo como principal área de estudo o desenvolvimento económico e político, com foco regional no Médio Oriente e no Norte de África.

Rahim Aga Khan é o filho mais velho de Shah Karim al Hussaini, príncipe Aga Khan, 49.º Imam hereditário dos muçulmanos ismaelitas.

Nasceu em 1971 e formou-se em 1995 na Universidade Brown (EUA) com um bacharelato em Literatura Comparada, antes de concluir um programa de desenvolvimento executivo em gestão e administração na IESE Business School da Universidade de Navarra, em Barcelona, Espanha.

Está ativamente envolvido na gestão da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento há mais de 20 anos, na qual integra vários órgãos. É presidente do comité executivo do Fundo para o Desenvolvimento Económico (AKFED) e supervisiona o ciclo anual de planeamento orçamental da instituição.

Rahim Aga Khan preside também ao Comité para o Ambiente e o Clima, que lidera o trabalho da rede na proteção ambiental e mitigação dos efeitos das alterações climáticas, o que inclui um compromisso em garantir que as operações globais da rede atingem zero emissões líquidas de carbono até 2030. Vive em Genebra, e tem dois filhos, Irfan e Sinan.

Aly Muhammad Aga Khan é o filho mais novo do líder da comunidade ismaelita. Nasceu em 2000, em Paris, e estudou na Universidade de Harvard (EUA), onde obteve um bacharelato em artes e Governo, no ano passado.

Juntou-se este ano à sede da Fundação Aga Khan, em Genebra, onde trabalha em projetos na Ásia e em África para catalisar o empreendedorismo, a empregabilidade e as competências em setores emergentes, como as economias digital e verde. É também responsável pela coordenação de novas iniciativas da Fundação na Alemanha.

Um bom amigo de Portugal

O Presidente da República manifestou “profundo pesar pela morte de Sua Alteza o Príncipe Aga Khan”. Marcelo Rebelo de Sousa, que “teve a honra de conhecer bem”, referiu que Aga Khan “foi um bom amigo de Portugal”.

“Marcou a sua vida por um trabalho incansável em prol da elevação da dignidade humana e da proteção dos mais desfavorecidos. Sob a sua liderança, a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento promove um trabalho extraordinário e multifacetado, dando desde há décadas um contributo fundamental para o desenvolvimento humano a nível global, trazendo melhorias tangíveis às condições sociais de milhares e milhares de pessoas em diversos continentes”, pode-se ler na nota divulgada no site da Presidência da República.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, Aga Khan “assumiu-se também como figura notável de uma fé aberta ao mundo, sob o signo da tolerância no profundo respeito pelo outro, sendo igualmente notável o seu trabalho de apoio à cultura, às artes e à educação”.

“Com o acordo da criação da sede do Imamat Ismaili em Portugal em 2015, a relação já estreita com a comunidade ismaelita aprofundou-se, em benefício da sociedade portuguesa e de uma cada vez mais bem-sucedida integração daquela comunidade em Portugal. Inesquecível foi o Jubileu de Diamante, em 2018, que trouxe a Lisboa cerca de 50.000 fiéis, no qual interveio o Presidente da República Portuguesa”, sublinhou o chefe de Estado no comunicado.

Na mensagem escrita, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou “sentidas e muito amigas condolências aos muçulmanos ismailis e a todos os que se sentem inspirados pela figura do príncipe Aga Khan”.

Luís Montenegro

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou “profundo pesar” pela morte de Aga Khan, sublinhando que a personalidade e obra do líder dos muçulmanos xiitas ismailis “permanecerão para sempre na memória dos portugueses”.

“É com profundo pesar que o Governo português lamenta o falecimento do Príncipe Aga Khan, Imã da Comunidade Muçulmana Xiita Ismaili. A sua personalidade e a sua obra permanecerão para sempre na memória dos portugueses. Os mais sentidos pêsames à família de Sua Alteza e à comunidade ismaelita do mundo inteiro”, pode ler-se, numa nota de Luís Montenegro na rede social X.

António Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a morte de Aga Khan e sublinhou que o líder dos muçulmanos xiitas ismailis era “um símbolo de paz, tolerância e compaixão no nosso mundo conturbado”.

“Estou profundamente triste com a notícia de que Sua Alteza o Príncipe Karim Al-Hussaini, Aga Khan IV, faleceu. Ele era um símbolo de paz, tolerância e compaixão no nosso mundo conturbado”, frisou o diplomata português, numa nota na rede social X.

Guterres expressou também as “mais profundas condolências à família de Sua Alteza e à comunidade ismaelita”.

Pedro Nuno Santos

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, sublinhou que Aga Khan deixa um “legado de transformação na comunidade ismaelita”, lembrando a “presença importante e respeitada” em Portugal.

“Lamento profundamente o falecimento de Sua Alteza Karim Aga Khan IV, líder espiritual da Comunidade Muçulmana Xiita Ismaili. Deixa um legado de transformação na comunidade ismaelita, que em Portugal tem uma presença importante e respeitada, com especial relevo para a presença da sede do Imamat Ismaili em Lisboa, desde 2015, e para os projetos educativos, culturais e sociais da Fundação Aga Khan no nosso país”, destacou o líder socialista, numa nota na rede social X.

Pedro Nuno Santos endereçou ainda “os mais sinceros pêsames à sua família e à comunidade ismaelita”.

Carlos Moedas

O presidente da Câmara de Lisboa frisou esta noite que a morte de Aga Khan deixa “um enorme vazio” na cidade, desde onde o líder dos muçulmanos xiitas ismailis “fez um palco para a sua visão que juntou culturas”.

“A morte do Príncipe Aga Khan, imãn dos muçulmanos ismaelitas, deixa um enorme vazio em Lisboa. Foi graças à sua obra e visão que milhões de pessoas em todo o mundo escaparam à pobreza, tiveram acesso a cuidados de saúde e encontraram uma oportunidade para estudar”, frisou Carlos Moedas, numa nota na rede social X.

O autarca apontou que a obra de Aga Khan “estendeu-se a Lisboa, onde (…) encontrou uma casa, uma casa da qual fez um palco para a sua visão que juntou culturas e cruzava fronteiras – algo que se enquadra perfeitamente na natureza e na história da nossa cidade, feita desse cruzamento contínuo de culturas e de experiências”.

“Hoje, o Príncipe Aga Khan deixa-nos. No entanto fica a sua obra e o seu sonho, que são um legado que Lisboa orgulhosamente manterá vivo”, garantiu.

Patriarca de Lisboa

O patriarca de Lisboa, Rui Valério, lamentou a morte de Aga Khan, recordando “a longa cooperação do Patriarcado de Lisboa com a Fundação Aga Khan em prol do bem comum”.

Em nota publicada divulgada esta quarta-feira, Rui Valério evoca, “de forma particular, o compromisso pela melhoria das condições de grupos marginalizados”.

“Este trabalho conjunto foi e é testemunho do empenho que as religiões podem ter na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana”, acrescenta o patriarca de Lisboa.

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