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Taxas dos EUA Ameaçam Agricultura e Vinho em Portugal

As taxas de importação anunciadas por Donald Trump, em 1 de abril de 2025, nos EUA, podem afetar Portugal, atingindo setores como agricultura, vinho, cortiça, azeite e carne. Especialistas alertam para perdas económicas, enquanto a UE prepara resposta em Bruxelas

As novas tarifas alfandegárias dos Estados Unidos, prometidas pelo presidente Donald Trump após a sua posse em janeiro de 2025, podem custar caro a Portugal. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os EUA são o quarto maior destino das exportações portuguesas, com um peso de 6,8% em 2023. Setores como o vinho, a cortiça e o azeite, que dependem fortemente deste mercado, estão em alerta — e os especialistas já fazem contas aos prejuízos.

No setor do vinho, Portugal exportou 329 milhões de litros em 2024, dos quais uma fatia significativa seguiu para os EUA, gerando 899 milhões de euros, conforme dados do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV). “Uma tarifa de 25% pode reduzir a competitividade do vinho português face a concorrentes como Chile e Argentina”, afirma João Mendes, economista da Universidade de Lisboa. E o impacto não para aqui: o que fazer com o excedente que o mercado americano deixar de absorver?

A cortiça, outro pilar económico, também está na mira. Em 2024, a FilCork estimou uma produção de 4,5 milhões de arrobas, com os EUA a absorverem 20% das exportações portuguesas de rolhas. O setor, que emprega milhares, teme perdas avultadas – e o desemprego pode bater à porta.

No azeite e na carne, a situação é igualmente preocupante. O Eurostat indica que os EUA importaram 319 mil milhões de euros em bens da UE em 2023, incluindo 10% de produtos agroalimentares portugueses como azeite e carne bovina. “Vamos enfrentar uma quebra na procura e preços mais altos para os consumidores americanos”, prevê Luís Costa, da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Há quem tema que os stocks acumulados pressionem os preços internos na Europa.

A União Europeia não ficou de braços cruzados. Em 12 de março de 2025, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou tarifas retaliatórias de 26 mil milhões de euros sobre produtos americanos, como aço e bourbon. “Protegeremos os nossos agricultores e empresas”, declarou Von der Leyen em Estrasburgo, sublinhando que as medidas são “firmes e proporcionadas”. Fontes do Parlamento Europeu confirmam que a estratégia passa por negociações, mas a queixa na Organização Mundial do Comércio já está sobre a mesa.

Os especialistas dividem-se sobre o desfecho. “A UE tem de equilibrar retaliação e diplomacia para evitar uma guerra comercial total”, diz Maria Fernandes, investigadora do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Já Pedro Almeida, da CAP, alerta: “Portugal, por ser pequeno, pode ser mais vulnerável que gigantes como a Alemanha.” A incerteza paira — e os produtores portugueses aguardam ansiosamente.

O impacto das taxas americanas em Portugal será conhecido nos próximos meses, mas o setor agrícola já se prepara para tempos difíceis. A resposta da UE, que inclui tarifas e pressão diplomática, pode moldar o futuro deste confronto transatlântico. Resta saber quem cede primeiro.

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