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A Figueira da Foz: Fortaleza de Memórias e Renascimento Cultural

A Figueira da Foz transcende a simples definição de cidade costeira desde a minha infância. Mesmo antes da Revolução de Abril de 1974, quando o regime do Estado Novo ainda dominava, esta cidade era o refúgio dos meus tios e pais, onde juntos descobríamos vastos areais e uma vida noturna vibrante à beira-mar.

Retornar à Figueira da Foz hoje, para cobrir o magnífico festival de música de praia, o RFM Somnii Intermarché edição X 2024, fez-me compreender o legado que Pedro Santana Lopes, o atual presidente do município, tem construído desde os seus primeiros mandatos após a revolução. Suas intervenções na praia não apenas transformaram o cenário físico, mas também revitalizaram o turismo cultural que caracteriza esta cidade na foz do Mondego.

A Figueira da Foz: Fortaleza de Memórias e Renascimento Cultural
Foto: O Regiões

A “Rainha das Praias de Portugal”, como é conhecida, orgulha-se não apenas de seu extenso areal, o mais largo da Europa, mas também de seu passado industrial e naval, refletido na grandiosidade do Casino Figueira e na animada vida noturna. O imponente Cabo Mondego, agora um Monumento Natural Nacional, vigia o Atlântico, guardião de uma história que remonta aos tempos suevos e da Reconquista.

É neste cenário singular que a Figueira da Foz se ergue como um pilar do turismo português, atraindo visitantes de Coimbra, das Beiras e além-fronteiras, todos em busca não só do sol e do mar, mas também da riqueza cultural e histórica que permeia cada recanto desta cidade costeira.

Com uma população ativa diversificada entre pesca, indústria vidreira, turismo e outras atividades econômicas, a Figueira da Foz não é apenas um destino balnear, mas um centro de vitalidade e crescimento, onde o rio Mondego molda a paisagem e a vida quotidiana.

Lugar de ocupação humana muito antiga, fez parte do reino suevo e, mais tarde, foi conquistada aos mouros durante a reconquista de Coimbra por Fernando Magno em 1064, integrando o Reino de Leão e, consequentemente, o Condado Portucalense.

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A Figueira da Foz conheceu um grande crescimento devido ao movimento do porto e ao desenvolvimento da indústria de construção naval, alcançando seu maior período de progresso no final do século XIX.

Elevada à categoria de vila em 1771, continuou a crescer ao longo do século XIX devido à abertura de novas vias de comunicação e à afluência de veraneantes. Em 20 de setembro de 1882, foi elevada à categoria de cidade. Nos finais do século XIX e início do século XX, foi construído o chamado Bairro Novo, de malha regular, onde se instalaram hotéis, o casino, restaurantes, bares noturnos e atividades comerciais. Outro local onde a atividade comercial é evidente é na Rua da República, que liga a zona de entrada da cidade (via Estação dos caminhos-de-ferro) à zona mais central da cidade. Nos últimos tempos, foram construídos supermercados e hipermercados na zona mais periférica da cidade. Devido às suas condições naturais e ao equipamento turístico, a Figueira da Foz impôs-se como estância balnear não apenas para a zona centro de Portugal, mas também para famílias abastadas do Alentejo e da Espanha. A Figueira da Foz é conhecida como a “Rainha das Praias de Portugal”.

Foi a sul desta localidade que, no início do século XIX, desembarcaram as tropas inglesas comandadas por aquele que mais tarde seria o Duque de Wellington, que vieram ajudar Portugal na luta contra as Invasões Francesas. Em 8 de maio de 1834, ocorreu o desembarque em Buarcos das tropas constitucionais, no âmbito das Guerras Liberais. No final deste mesmo século, a Figueira da Foz era um dos principais portos portugueses envolvidos na pesca do bacalhau na Terra Nova.

O Casino da Figueira da Foz foi inaugurado em 1884, sendo assim o casino mais antigo da Península Ibérica.

A Câmara Municipal da Figueira da Foz foi feita Comendadora da Ordem de Benemerência em 30 de janeiro de 1928 e Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública em 31 de dezembro de 1932.

Em 1982, ano em que se comemorou o Primeiro Centenário da Elevação a Cidade da Figueira da Foz, foi inaugurada a Ponte Edgar Cardoso, que veio substituir a ponte antiga (que não permitia que embarcações passassem sob si). Recentemente, passou por profundas obras de remodelação. Em 6 de julho desse ano, a Cidade da Figueira da Foz foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e, em 31 de janeiro de 1986, a Câmara Municipal da Figueira da Foz foi feita 80.ª Sócia Honorária do Ginásio Clube Figueirense.

A Torre do Relógio (situada em frente à Esplanada Silva Guimarães) é igualmente uma das referências da cidade, assim como o Forte de Santa Catarina. Também situado nesta cidade está o Palácio Sotto-Mayor, que marca história numa zona mais central da Figueira da Foz. O Parque das Abadias é um dos “pulmões” da cidade e um local de lazer, onde se realizam algumas provas de corta-mato e várias iniciativas com vista a proporcionar momentos agradáveis aos cidadãos do município. Este Parque atravessa a cidade ao meio, indo desde a zona norte da cidade até ao Jardim Municipal, que sofreu, recentemente, intervenções de remodelação.

O Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz teve a sua primeira edição em 1972, tendo sido realizado pela última vez em 2002. Assim, ao percorrer as ruas da cidade, desde o Bairro Novo até às margens do rio, é impossível não sentir o pulsar desta comunidade que soube abraçar o passado e olhar com entusiasmo para o futuro. É esta essência que faz da Figueira da Foz não apenas um local turístico, mas um lar de memórias, cultura e promessas renovadas a cada onda que acaricia a sua costa atlântica.

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Fernando Jesus Pires
Fernando Jesus Pireshttps://oregioes.pt/fotojornalista-fernando-pires-jesus/
Jornalista há 35 anos, trabalhou como enviado especial em Macau, República Popular da China, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coréia do Sul e Paralelo 38, Espanha, Andorra, França, Marrocos, Argélia, Sahara e Mauritânia.

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